As ações do Banco do Brasil (BBAS3) ganharam destaque no mercado financeiro nesta quarta-feira (2), em meio à repercussão de novas pesquisas eleitorais e à expectativa dos investidores sobre uma possível mudança no comando do país em 2027.
O papel encerrou o pregão com valorização de 5,52%, cotado a R$ 22,26, depois de chegar a subir mais de 7% durante a sessão. O movimento ocorreu em um dia de forte alta do mercado brasileiro, com o Ibovespa avançando 3,05%.
A alta de BBAS3, porém, não deve ser interpretada simplesmente como uma melhora repentina nos resultados do banco. Parte relevante do movimento está relacionada às expectativas políticas e à possibilidade de mudanças na condução de empresas estatais caso haja alternância no governo federal.
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Por que BBAS3 subiu tanto?

O principal gatilho político foi a divulgação de uma nova pesquisa Quaest sobre a corrida presidencial de 2026. O levantamento mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro.
Em uma eventual disputa de segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados: Lula registra 42% e Flávio, 41%, dentro da margem de erro da pesquisa. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro.
Para investidores, uma eleição mais competitiva pode aumentar a expectativa de mudanças na política econômica e na administração de empresas controladas pelo governo.
O Banco do Brasil é particularmente sensível a esse tipo de movimento porque possui controle estatal. Mudanças na percepção sobre a futura orientação da instituição podem influenciar o preço das ações antes mesmo de qualquer alteração efetiva na gestão.
O mercado está apostando em uma mudança no banco?
Essa é uma das principais interpretações para o comportamento recente de BBAS3.
Uma eventual troca de governo pode alimentar expectativas de mudanças na diretoria e na estratégia do Banco do Brasil. Em uma estatal, decisões sobre crédito, expansão de determinadas carteiras, política de dividendos e prioridades de negócio podem ser observadas de maneira diferente pelo mercado dependendo da orientação econômica do governo controlador.
Há ainda especulações sobre uma possível privatização do banco em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Entretanto, esse cenário não deve ser tratado como uma decisão tomada.
Até o momento, não existe anúncio oficial de privatização do Banco do Brasil. Portanto, comprar a ação considerando exclusivamente essa possibilidade envolve um grau elevado de incerteza.
Fundamentos do Banco do Brasil ainda exigem atenção
Apesar da forte valorização das ações, os resultados operacionais mostram um quadro que merece análise cuidadosa.
O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e de 13,9% na comparação trimestral. A carteira de crédito expandida ultrapassou R$ 1,3 trilhão.
O problema está na qualidade de parte dessa carteira. A inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61% no fim de junho, acima do indicador registrado no primeiro trimestre, quando estava em 5,05%.
O cenário é especialmente relevante porque o BB possui forte exposição ao agronegócio e ao crédito para pessoas físicas. A carteira de agronegócios alcançou R$ 421,6 bilhões em junho, enquanto a carteira de pessoa física chegou a R$ 357,6 bilhões.
Assim, uma recuperação do crédito rural pode ajudar os resultados, mas uma deterioração do crédito para consumidores pode limitar esse efeito.
Banco do Brasil pode continuar subindo?
A resposta depende de uma combinação de fatores.
O mercado pode continuar incorporando nos preços das ações uma eventual mudança de governo, principalmente se as próximas pesquisas mantiverem uma disputa apertada. Ao mesmo tempo, o desempenho de BBAS3 continuará dependendo de lucro, inadimplência, custo do crédito, capitalização e capacidade de geração de receitas.
Outro ponto importante é que uma alta provocada por expectativa eleitoral pode ser bastante volátil. Pesquisas eleitorais mudam, candidatos podem ganhar ou perder força e o mercado pode alterar rapidamente suas apostas.
Por isso, o investidor precisa separar dois movimentos: a valorização decorrente de expectativas políticas e a evolução efetiva dos fundamentos do banco.
E os dividendos do BB?

O Banco do Brasil continua sendo acompanhado por investidores interessados em dividendos e juros sobre capital próprio. No entanto, a capacidade de distribuir proventos precisa ser analisada junto com a situação de capital e os resultados futuros.
No segundo trimestre, o índice de capital principal ficou em 11,27%, enquanto o Índice de Basileia terminou junho em 13,91%. O próprio banco classificou os níveis como adequados.
Isso não significa, porém, que todo o lucro possa ser automaticamente convertido em dividendos. Bancos precisam manter capital suficiente para absorver riscos e sustentar a expansão das operações.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
