O Banco do Brasil (BBAS3) voltou ao centro das atenções do mercado financeiro após o Itaú BBA revisar para baixo suas estimativas para a instituição. A avaliação mais cautelosa dos analistas está diretamente relacionada ao aumento da inadimplência no agronegócio, segmento no qual o banco possui forte exposição.
Itaú BBA corta preço-alvo do Banco do Brasil após nova análise
Itaú BBA reduz projeções para o Banco do Brasil diante da inadimplência no agro e prevê desafios para lucro, ROE e ações.
A revisão ocorre em um momento delicado para a instituição financeira. Após registrar queda significativa nos lucros nos últimos trimestres e reduzir suas próprias projeções para 2026, o Banco do Brasil continua enfrentando dúvidas sobre a velocidade de recuperação da carteira de crédito rural. Para o Itaú BBA, os desafios ainda não foram totalmente absorvidos pelos resultados financeiros.
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Itaú BBA reduz preço-alvo para as ações do Banco do Brasil

Em relatório recente, o Itaú BBA reduziu o preço-alvo das ações do Banco do Brasil de R$ 22 para R$ 21 e manteve recomendação neutra para os papéis. Segundo os analistas, ainda existe elevada incerteza sobre a evolução da inadimplência no agronegócio, principal fator de risco para os resultados do banco.
A preocupação do mercado não é recente. Desde 2025, o Banco do Brasil vem sendo impactado pelo aumento dos atrasos nos financiamentos rurais, especialmente em um cenário de juros elevados, custos de produção maiores e dificuldades enfrentadas por produtores em diversas regiões do país.
Por que o agronegócio preocupa tanto os investidores?
O Banco do Brasil é líder histórico no financiamento do setor agropecuário brasileiro. Essa posição estratégica garante relevância para a instituição, mas também aumenta sua exposição aos riscos do segmento.
Nos últimos anos, diversos fatores contribuíram para a deterioração da capacidade de pagamento de parte dos produtores rurais:
- Alta dos juros;
- Aumento dos custos de fertilizantes;
- Encarecimento do transporte;
- Oscilações nos preços das commodities;
- Eventos climáticos adversos.
Além disso, parte importante da carteira rural possui vencimentos concentrados nos próximos meses, o que pode gerar novas pressões sobre os índices de inadimplência. Segundo o Itaú BBA, o período mais difícil para o crédito agrícola ainda pode estar por vir.
Provisões devem continuar aumentando
Uma das principais consequências do aumento da inadimplência é a necessidade de elevar as provisões para perdas.
As provisões representam recursos reservados pelos bancos para cobrir possíveis calotes futuros. Quanto maior o risco de inadimplência, maior tende a ser esse valor.
O Itaú BBA projeta que as despesas com provisões do Banco do Brasil poderão atingir cerca de R$ 73,6 bilhões em 2026, acima do teto previsto no guidance divulgado pela própria instituição.
Essa estimativa reforça a percepção de que a recuperação dos resultados pode demorar mais do que o esperado inicialmente pelo mercado.
Lucro pode ficar no piso das projeções
Outro ponto de atenção é a rentabilidade.
Os analistas reduziram a projeção de lucro líquido do Banco do Brasil para aproximadamente R$ 18,4 bilhões em 2026. O valor fica próximo ao piso da faixa estimada pelo próprio banco, que prevê ganhos entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões.
A expectativa mais conservadora reflete o impacto das provisões elevadas e do ambiente de crédito mais desafiador.
Em maio, o Banco do Brasil já havia reportado queda de 54% no lucro do primeiro trimestre de 2026, resultado amplamente influenciado pela deterioração da carteira rural.
Retorno sobre patrimônio também perde força
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE), um dos indicadores mais observados por investidores, também sofreu revisão.
O Itaú BBA reduziu sua projeção para o ROE de 2026 de 10,6% para 9,3%. Segundo os analistas, esse patamar permanece abaixo do custo de capital da instituição, limitando o potencial de valorização das ações no curto prazo.
Em termos práticos, isso significa que o banco pode gerar rentabilidade considerada insuficiente para justificar uma reavaliação positiva dos papéis por parte do mercado.
Juros elevados ajudam parcialmente os resultados
Apesar das preocupações com o crédito rural, nem todas as notícias são negativas para o Banco do Brasil.
A manutenção da taxa Selic em níveis elevados tende a beneficiar as receitas financeiras dos bancos. Operações de tesouraria, investimentos e gestão de ativos costumam gerar resultados mais robustos em cenários de juros altos.
Por esse motivo, o Itaú BBA aumentou sua estimativa para a margem financeira bruta da instituição. Ainda assim, os ganhos adicionais não seriam suficientes para compensar totalmente o aumento das provisões ligadas ao agronegócio.
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Dividendos seguem relativamente protegidos
Uma preocupação frequente entre investidores do Banco do Brasil envolve os dividendos.
Mesmo diante do cenário mais desafiador, o Itaú BBA avalia que a posição de capital da instituição continua sólida o suficiente para sustentar a política atual de distribuição de lucros. A expectativa é que o banco mantenha o payout de aproximadamente 30% do lucro líquido em 2026.
Embora a rentabilidade esteja pressionada, não há indicação imediata de cortes adicionais na remuneração aos acionistas.
O que o mercado espera para os próximos meses?
Os próximos resultados trimestrais serão decisivos para medir a evolução da carteira de crédito rural.
Investidores acompanharão especialmente:
- A evolução da inadimplência do agronegócio;
- O volume de provisões constituídas;
- O comportamento da margem financeira;
- As perspectivas para lucro e dividendos;
- Eventuais revisões de guidance.
Caso o cenário agrícola apresente sinais de estabilização no segundo semestre, parte das preocupações poderá diminuir. No entanto, analistas ainda enxergam um período de volatilidade para as ações do Banco do Brasil.
Banco do Brasil continua estratégico, mas enfrenta desafios

O Banco do Brasil permanece como uma das instituições financeiras mais importantes do país e líder em diversas linhas de crédito voltadas ao agronegócio. No entanto, a forte exposição ao setor rural tornou-se uma fonte relevante de pressão sobre seus resultados.
A revisão das projeções pelo Itaú BBA evidencia que o mercado ainda busca maior visibilidade sobre a recuperação da carteira agrícola. Enquanto os juros elevados ajudam parte das receitas, a inadimplência continua sendo o principal obstáculo para uma melhora mais consistente da rentabilidade.
Para investidores, os próximos trimestres serão fundamentais para determinar se o banco conseguirá estabilizar seus indicadores e recuperar a confiança do mercado.
Conclusão
A revisão das projeções pelo Itaú BBA reforça os desafios que o Banco do Brasil enfrenta diante do aumento da inadimplência no agronegócio. Embora a instituição mantenha fundamentos sólidos e continue sendo uma das principais financiadoras do setor rural no país, a necessidade de elevar provisões e a pressão sobre a rentabilidade seguem no radar dos investidores. Nos próximos meses, a evolução da carteira de crédito agrícola será determinante para definir se o banco conseguirá retomar um ritmo mais consistente de crescimento e recuperação de resultados.
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