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Banco do Brasil explora funcionários com metas abusivas, denuncia sindicato

O sindicato aponta que tem recebido inúmeras denúncias de descomissionamentos de funcionários do Banco do Brasil nos últimos meses.

Adriane SacramentoPor Adriane Sacramento4 min de leitura
Imagem da fachada do Banco do Brasil

O Banco do Brasil explora funcionários com metas abusivas, de acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, que tem recebido inúmeras denúncias de descomissionamentos nos últimos meses. O problema é um dos vários apontados pela entidade como parte da reestruturação do BB.

Durante a pandemia da Covid-19, o banco não teve permissão para descomissionar funcionários. Agora, com o fim da emergência de saúde pública, a situação já não é mais a mesma. Além dos descomissionamentos, o sindicato afirma que tem observado a dificuldade de locomoção dos trabalhadores, perda de salário, dentre outras retiradas de direitos.

Dirigente diz que é importante que o Banco do Brasil reveja sua política de metas

De acordo com o sindicato, já é de conhecimento que há muitos bancários com mais de três avaliações negativas após o fim da emergência em saúde pública provocada pela pandemia. O problema, por sua vez, mora no aumento das metas, classificadas como abusivas, e no formato de gestão adotada pela vice-presidência de Negócios de Varejo do BB.

Segundo avalia Ana Beatriz Garbelini, bancária do BB e dirigente do sindicato em São Paulo, Osasco e região, a instituição vem trabalhando com uma política de metas abusivas, que aumentam significativamente a cada seis meses, enquanto a carteira de clientes não sofre o mesmo crescimento.

A dirigente aponta ainda que “não basta que o gerente cumpra 100%, muitas vezes para ter o reconhecimento adequado é necessário cumprir acima do orçado”. Ana diz que é importante que o BB reveja sua política de metas e, segundo ela, pare de descomissionar funcionários como “ferramenta de gestão e assédio”.

Entenda o que é o descomissionamento apontado pelo sindicato como medida adotada pelo Banco do Brasil

Antes de tudo, é importante destacar que o descomissionamento está ligado a perda da função gratificada (ou gratificação por função). Esta, por sua vez, é basicamente um valor acrescentado ao salário do funcionário que exerce atividades com maior responsabilidade em uma organização, como é o caso de chefes, diretores, entre outros.

Ao ser contemplado pela função gratificada, o colaborador passa a receber um abono para cumprir funções determinadas. O acréscimo, no entanto, não ocorre de maneira eventual, e difere da passada ao profissional que ganha um comissão de acordo com suas vendas ou desempenho. Na função gratificada o valor é permanente.

O descomissionamento é a perda desse benefício e ocorre quando a organização toma a decisão de retirar o trabalhador da função especial. Dessa forma, ele retorna para o seu cargo de origem e sofre uma redução de salário. Ou seja, ele é rebaixado e não recebe mais a mesma remuneração que recebia anteriormente.

Empresa precisa ter motivo justo para retirar a gratificação do colaborador

O Tribunal Superior do Trabalho (TST), em sua súmula 372, estabelece que “percebida a gratificação de função por dez ou mais anos pelo empregado, se o empregador, sem justo motivo, revertê-lo ao seu cargo efetivo, não poderá retirar-lhe a gratificação, tendo em vista o princípio da estabilidade financeira”.

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Dessa forma, tanto o descomissionamento e perda de função gratificada somente podem ocorrer quando houver um motivo justo por parte da empresa. A justificativa para o rebaixamento de cargo e retirada do beneficiário não pode ser simplesmente uma decisão da gestão. Isso porque essas mudanças afetam a estabilidade financeira do trabalhador.

Nota oficial do Banco do Brasil sobre o caso

O Seu Crédito Digital entrou em contato com a assessoria do Banco do Brasil, com intenção de saber qual é o posicionamento da instituição diante da denúncia do sindicato. Segue abaixo a nota oficial enviada pela assessoria de imprensa do banco.

O Banco do Brasil atua com objetivos estratégicos e negociais factíveis e que posicionam o BB entre as maiores instituições financeiras da América Latina, com lugar de destaque nos seus segmentos de atuação pela confiança e solidez de que é referência. Portanto, o Banco do Brasil não compactua com assédio moral e metas abusivas. A atuação com dedicação, por parte de nossos funcionários, posiciona o BB como um dos principais agentes do desenvolvimento econômico e social do País. Cabe destacar, por exemplo, que neste mês o BB foi a única instituição financeira brasileira a figurar em ranking da Forbes como um dos melhores empregadores do mundo: World’s Best Employers 2022. É a terceira vez que estamos neste ranking, como reconhecimento do sucesso da nossa estratégia como uma empresa que acaba de completar 214 anos e consegue manter as melhores práticas de mercado. A listagem é feita com base em pesquisas independentes administradas globalmente, cobrindo uma vasta amostra de mais de 150 mil trabalhadores de 800 empresas de 57 países.

Imagem: SERGIO V S RANGEL / shutterstock.com

Adriane Sacramento

Autor

Adriane Sacramento

Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo e redatora do Seu Crédito Digital desde 2022.

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