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Banco do Brasil pode ter semestre marcado por maior pressão no crédito

BTG Pactual vê novo trimestre desafiador para o Banco do Brasil com alta da inadimplência rural e expectativa de renegociação de dívidas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Banco do Brasil

O Banco do Brasil (BBAS3) pode registrar mais um trimestre de forte pressão em seus resultados devido ao aumento da inadimplência no crédito rural. A avaliação é do BTG Pactual, que vê sinais de deterioração no comportamento de pagamento dos produtores rurais em meio às discussões sobre um possível programa de renegociação de dívidas do agronegócio.

Segundo o banco de investimentos, a expectativa de aprovação de medidas de renegociação pelo Congresso Nacional estaria incentivando parte dos produtores a adiar o pagamento de financiamentos, apostando em condições mais favoráveis no futuro.

Esse cenário amplia as preocupações sobre a qualidade da carteira de crédito rural do Banco do Brasil, líder no financiamento do agronegócio brasileiro.

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Expectativa de renegociação pode influenciar comportamento dos produtores

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A avaliação do BTG ganhou força após informações publicadas pelo Valor Econômico, segundo as quais bancos e cooperativas financeiras observaram uma piora nos índices de inadimplência durante os meses de maio e junho.

Tradicionalmente, esse período costuma apresentar melhora no fluxo de pagamentos dos produtores, o que torna o movimento atual um fator de atenção para o setor financeiro.

De acordo com o relatório, a instituição também identificou esse comportamento em conversas recentes com agentes do mercado.

Na prática, parte dos produtores estaria optando por postergar pagamentos enquanto aguarda a definição de um eventual programa de renegociação das dívidas rurais.

BTG alerta para risco moral no crédito rural

O BTG Pactual afirma que as discussões sobre novos programas de renegociação podem estar criando um ambiente de chamado risco moral.

O que é risco moral?

Risco moral ocorre quando um agente econômico altera seu comportamento por acreditar que sofrerá menos consequências no futuro.

No caso do crédito rural, isso significa que alguns produtores podem optar por atrasar parcelas dos financiamentos esperando condições especiais de refinanciamento, descontos ou prazos maiores caso um novo programa seja aprovado.

Segundo o banco, esse comportamento pode elevar a inadimplência mesmo entre produtores que possuem capacidade financeira para manter os pagamentos em dia.

Além disso, iniciativas recentes de renegociação de dívidas, como novos debates sobre programas semelhantes ao Desenrola voltados ao setor produtivo, aumentaram as expectativas do mercado e contribuíram para esse ambiente de incerteza.

Calendário de vencimentos amplia os desafios do Banco do Brasil

Outro fator que preocupa os analistas é a concentração dos vencimentos da carteira rural ao longo do segundo trimestre.

Durante seu Investor Day, o Banco do Brasil informou possuir aproximadamente R$ 155,6 bilhões em operações com produtores rurais vencendo ao longo de 2026.

Desse total:

  • R$ 44,2 bilhões vencem entre abril e junho;
  • Esse volume representa cerca de 28,4% de todos os vencimentos do ano;
  • As operações de custeio agrícola respondem por:
    • 56% dos vencimentos de abril;
    • 60% dos vencimentos de maio;
    • 63% dos vencimentos de junho.

Além disso, quase 60% de todos os vencimentos da carteira rural estão concentrados entre abril e setembro, período considerado decisivo para o desempenho financeiro da instituição.

Na visão do BTG, essa concentração aumenta significativamente a exposição do banco caso os atrasos de pagamento continuem crescendo.

Qual o impacto para os resultados do banco?

O principal efeito esperado é o aumento do chamado custo do risco, indicador que representa o volume de recursos destinados para cobrir possíveis perdas com inadimplência.

Quando há crescimento nos atrasos dos clientes, as instituições financeiras precisam elevar suas provisões para créditos de liquidação duvidosa, reduzindo diretamente o lucro líquido.

Além disso, uma carteira de crédito mais deteriorada pode pressionar indicadores importantes, como:

  • rentabilidade (ROE);
  • lucro líquido;
  • margem financeira;
  • qualidade dos ativos.

Para investidores, esses indicadores costumam influenciar diretamente as expectativas sobre o desempenho das ações do Banco do Brasil.

Primeiro trimestre já mostrou deterioração

Os desafios não começaram agora.

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No primeiro trimestre de 2026, o Banco do Brasil já havia apresentado resultados abaixo das expectativas do mercado.

Entre os principais pontos divulgados estavam:

  • ROE de 7,3%;
  • revisão das projeções para 2026;
  • piora na qualidade da carteira ligada ao agronegócio;
  • aumento das despesas com provisões.

Na ocasião, a instituição atribuiu parte dessa pressão justamente ao desempenho do crédito rural.

Plano Safra pode reduzir parte das incertezas

Apesar do cenário mais desafiador, o BTG acredita que o lançamento do Plano Safra 2026/2027 pode trazer maior previsibilidade para produtores e instituições financeiras.

O programa, divulgado anualmente pelo governo federal, define as condições oficiais de financiamento do agronegócio, incluindo taxas de juros, limites de crédito e linhas destinadas ao custeio, investimento e comercialização.

Ainda assim, os analistas avaliam que a discussão sobre renegociação de dívidas continuará sendo um fator relevante para o comportamento dos tomadores de crédito ao longo dos próximos meses.

O que investidores devem acompanhar

Banco do Brasil
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Para quem acompanha as ações do Banco do Brasil, alguns fatores tendem a ganhar ainda mais importância nos próximos resultados:

  • evolução da inadimplência da carteira rural;
  • nível das provisões para perdas com crédito;
  • impacto do Plano Safra sobre a demanda por financiamentos;
  • eventuais avanços no Congresso sobre programas de renegociação de dívidas do agronegócio;
  • atualização do guidance da instituição para 2026.

Caso o cenário de atrasos persista, analistas avaliam que a recuperação da rentabilidade do Banco do Brasil poderá ocorrer de forma mais lenta do que o esperado pelo mercado.

Conclusão

O Banco do Brasil entra em mais um trimestre sob pressão do agronegócio, segmento que historicamente representa uma das principais frentes de negócios da instituição. A combinação entre concentração de vencimentos, aumento da inadimplência e expectativa de renegociação de dívidas cria um ambiente de maior risco para os resultados financeiros.

Embora medidas como o Plano Safra possam contribuir para estabilizar o mercado de crédito rural, especialistas avaliam que o comportamento dos produtores diante das possíveis renegociações continuará sendo um dos principais fatores a influenciar o desempenho do banco nos próximos meses. Para investidores, acompanhar a evolução da qualidade da carteira rural será determinante para avaliar as perspectivas das ações BBAS3 ao longo de 2026.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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