O vice-presidente de finanças (CFO) do Banco do Brasil, Marco Geovanne Tobias, afirmou que a instituição pode atravessar um ciclo de recuperação irregular, em formato de “W”. A declaração foi feita durante encontro com investidores e analistas do mercado financeiro nesta quinta-feira, 23.
CFO do Banco do Brasil aponta recuperação em “W”
Banco do Brasil vê recuperação em W após lucro cair 45% e inadimplência subir. Entenda o cenário e perspectivas para 2026.
Apesar de a diretoria ainda não ter fechado uma projeção oficial sobre o ritmo de retomada, o executivo apresentou sua leitura individual. Na avaliação dele, o banco ainda deve passar por novas oscilações antes de retomar níveis mais consistentes de rentabilidade.
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Resultado mais fraco desde 2020 pressiona percepção do mercado
O desempenho financeiro do Banco do Brasil em 2025 acendeu um sinal de alerta. O lucro líquido somou R$ 20,7 bilhões no ano, recuo de 45,4% na comparação com 2024 e o menor patamar registrado desde 2020.
A retração reflete, principalmente, a piora na qualidade da carteira de crédito — um indicador-chave para instituições financeiras. Em cenários de maior risco, o banco precisa lidar com atrasos e inadimplência mais elevados, o que impacta diretamente os resultados.
Fatores que contribuíram para a queda no Banco do Brasil
Entre os elementos que ajudaram a explicar esse desempenho estão:
- A manutenção de juros elevados ao longo do período
- Dificuldades enfrentadas por setores relevantes da economia
- Episódios específicos de inadimplência de grande porte
- Ritmo mais lento da atividade econômica
Esse conjunto criou um ambiente mais desafiador para concessão de crédito com segurança.
Inadimplência sobe e fica acima da concorrência
Um dos dados que mais preocupam o mercado é o avanço da inadimplência acima de 90 dias. No caso do Banco do Brasil, o índice chegou a 5,17% no encerramento de 2025.
Na comparação com o quarto trimestre de 2024, quando estava em 3,16%, houve aumento de 2,11 pontos percentuais.
Evento isolado agravou o indicador
Parte dessa elevação está relacionada a um caso específico no segmento atacadista, que resultou em um impacto negativo de R$ 3,6 bilhões.
Sem esse episódio, a inadimplência teria ficado em 4,88%. Ainda assim, o patamar permaneceria elevado em relação aos pares do setor bancário.
Diferença em relação aos principais bancos
Na comparação com grandes concorrentes, o Banco do Brasil apresentou desempenho inferior:
A diferença é explicada, em parte, pela composição da carteira do banco, mais exposta a segmentos com maior volatilidade.
Crédito ao agronegócio amplia riscos
O peso do agronegócio dentro das operações do Banco do Brasil ajuda a entender a deterioração dos indicadores.
Como principal financiador do setor no país, o banco tende a sentir com mais intensidade os efeitos de períodos adversos para produtores rurais.
Pressões recentes sobre o setor
Nos últimos meses, o agronegócio enfrentou uma combinação de fatores negativos:
- Oscilações nos preços internacionais de commodities
- Eventos climáticos que afetaram a produção
- Aumento dos custos operacionais
- Endividamento crescente
Como resultado, a inadimplência dessa carteira avançou 3,86 pontos percentuais em 12 meses.
Provisões quase dobram e reduzem lucro
Para lidar com o aumento do risco de crédito, o Banco do Brasil elevou de forma significativa as provisões para perdas — conhecidas como PDD.
O volume chegou a R$ 17,9 bilhões em 2025, representando um crescimento de 93,9% em relação ao ano anterior.
Impacto direto no desempenho financeiro
Embora necessárias, essas provisões têm efeito imediato no resultado:
- Reduzem o lucro líquido
- Aumentam a percepção de risco do banco
- Limitam a capacidade de expansão no curto prazo
Esse movimento é comum em ciclos de deterioração de crédito, funcionando como um mecanismo de proteção.
O que indica uma recuperação em “W”
A ideia de recuperação em “W” sugere que o caminho até a normalização não será linear. Em vez de uma retomada contínua, o banco pode alternar períodos de melhora e piora antes de alcançar estabilidade.
Interpretação do cenário
Esse tipo de dinâmica costuma ocorrer em ambientes de incerteza econômica, nos quais fatores externos ainda exercem forte influência sobre os resultados.
No caso do Banco do Brasil, isso pode significar novos ajustes ao longo de 2026, antes de uma recuperação mais sólida.
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Variáveis que podem influenciar o resultado
Entre os pontos que devem ser monitorados estão:
- Evolução da inadimplência
- Condições macroeconômicas no Brasil
- Desempenho do agronegócio
- Política de juros
- Estratégias internas de controle de risco
Estratégia mira sustentabilidade no longo prazo
Mesmo diante das dificuldades, a sinalização da diretoria é de foco em uma recuperação consistente, ainda que mais lenta.
A prioridade é fortalecer a qualidade da carteira de crédito, reduzindo a exposição a riscos elevados e evitando novos impactos relevantes.
Principais diretrizes
- Reforço nos critérios de concessão de crédito
- Monitoramento mais rigoroso de grandes operações
- Busca por maior eficiência operacional
- Crescimento com menor exposição ao risco
Impactos para investidores e clientes
O cenário atual traz implicações práticas para diferentes públicos.
Para investidores
- Expectativa de maior volatilidade nos resultados
- Necessidade de acompanhamento mais próximo dos indicadores
- Possível revisão de projeções no curto prazo
Para clientes
- Maior seletividade na concessão de crédito
- Condições possivelmente mais restritivas
- Ajustes em taxas e prazos
Perspectivas para os próximos meses
O desempenho do Banco do Brasil ao longo de 2026 dependerá, em grande parte, da evolução do ambiente econômico.
Se houver melhora no cenário — com queda da inadimplência e recuperação de setores estratégicos — o banco pode retomar a rentabilidade de forma gradual.
Por outro lado, novos choques podem prolongar o período de ajustes.
Conclusão
A avaliação de uma recuperação em “W” traduz o momento de incerteza vivido pelo Banco do Brasil. Após um 2025 marcado por forte queda no lucro e avanço da inadimplência, a instituição entra em uma fase de ajustes e reequilíbrio.
A trajetória daqui para frente tende a ser marcada por oscilações, exigindo cautela do mercado e disciplina na gestão interna.
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