O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, uma medida que representa o encerramento oficial das atividades da instituição financeira no Sistema Financeiro Nacional. A decisão, assinada pelo presidente interino do BC, Gabriel Galípolo, foi publicada com base no comprometimento da situação econômico-financeira do banco, agravada pela deterioração da liquidez, infrações à legislação bancária e descumprimento de determinações da autoridade monetária. Com a decisão, a EFB Regimes Especiais de Empresas foi designada como administradora especial para conduzir o processo de liquidação.
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A verdade sobre o Banco Master
O que significa liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é uma intervenção extrema realizada pelo Banco Central quando uma instituição financeira perde sua capacidade de operar de forma segura. O processo inclui a nomeação de um liquidante, que assume o controle, encerra as atividades da empresa, vende os ativos e distribui os valores obtidos aos credores conforme a ordem legal. A instituição é formalmente extinta ao fim do processo.
Situação crítica do Banco Master
O Banco Master já enfrentava risco de falência há meses devido ao alto custo de captação e a uma série de investimentos considerados de alto risco. A instituição oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos muito acima da média de mercado e mantinha posições vultosas em precatórios e empresas com dificuldades financeiras.
Essas práticas fragilizaram sua estrutura financeira, e sucessivas tentativas de venda acabaram fracassando diante da resistência de órgãos reguladores e do surgimento de investigações criminais envolvendo seus dirigentes.
Prisão de Daniel Vorcaro
A situação se agravou com a prisão de Daniel Vorcaro, ligado ao banco, em operação da Polícia Federal que investiga a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras. A investigação teve início em 2024 por solicitação do Ministério Público Federal, apurando a existência de carteiras de crédito sem lastro, fabricadas para simular liquidez.
Segundo os investigadores, esses títulos falsos foram adquiridos por outros bancos e posteriormente substituídos por ativos sem avaliação técnica. Entre os crimes apurados estão gestão fraudulenta, gestão temerária, falsidade ideológica e organização criminosa.
Fictor anuncia intenção de compra
Antes da liquidação, a Fictor Holding Financeira, um grupo de gestão com atuação nos setores financeiro, industrial e de infraestrutura, anunciou interesse em adquirir o Banco Master. O consórcio, liderado pela Fictor, contava com apoio de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
A proposta ainda dependia de aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas a decretação de liquidação suspendeu automaticamente qualquer negociação em andamento.
Tentativa frustrada do BRB
Anteriormente, em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB) havia anunciado a aquisição de parte majoritária do capital do Master. A transação previa:
- Aquisição de 49% das ações ordinárias
- 100% das preferenciais
- 58% do capital total do banco
O acordo foi aprovado pelo Cade em junho e recebeu o aval da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Contudo, em setembro, a diretoria colegiada do Banco Central barrou a operação, alegando falta de documentos que comprovassem a viabilidade econômica da aquisição.
A decisão gerou desconforto político, especialmente com o governador do DF, Ibaneis Rocha, que havia defendido publicamente a transação. O caso passou a ser alvo de disputas judiciais e pressões institucionais.
O que acontece agora
Com a liquidação, todas as operações do Banco Master estão oficialmente encerradas. Clientes e credores deverão aguardar o plano de liquidação, que será conduzido pela EFB Regimes Especiais. O objetivo é vender ativos, honrar obrigações prioritárias e encerrar a instituição conforme as normas do Conselho Monetário Nacional.
Riscos para o sistema financeiro
A liquidação de um banco de médio porte como o Master não representa risco sistêmico imediato, mas acende o alerta sobre as práticas de governança e fiscalização de bancos menores. O caso também reacende o debate sobre a transparência em fusões e aquisições bancárias, além de destacar o papel do Banco Central como fiscalizador do mercado.
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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
