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Banco Pan reporta queda no lucro ajustado e fecha o trimestre em R$ 209 milhões

O Banco Pan reportou lucro líquido ajustado de R$ 209 milhões no 3º trimestre de 2025, queda de 3,2% em relação a 2024.

Gisele BarbosaPor Gisele Barbosa6 min de leitura
PAN

Banco Pan tem lucro de R$ 209 milhões no 3º trimestre, queda leve e crescimento operacional

O Banco Pan encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 209 milhões, valor 3,2% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar do recuo, os indicadores operacionais mostram um cenário de crescimento de crédito e aumento da margem financeira, o que reforça a estratégia de expansão sustentada do banco controlado pelo BTG Pactual.

O resultado, divulgado no início de novembro, reflete um trimestre de ajustes no mercado de crédito, em que o Pan manteve avanços em sua base de clientes e em produtos de financiamento, mas também elevou suas provisões para inadimplência, acompanhando a tendência do setor.

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Resumo dos resultados

Lucro líquido ajustado

No 3º trimestre de 2025, o banco alcançou lucro líquido ajustado de R$ 209 milhões, frente a R$ 216 milhões no mesmo trimestre de 2024. A variação negativa é pequena e indica estabilidade, em meio a um ambiente macroeconômico desafiador, com juros ainda altos e crédito seletivo.

Expansão da carteira de crédito

A carteira de crédito do Banco Pan somou R$ 61,5 bilhões, o que representa crescimento de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período de 2024. A expansão foi puxada pelos segmentos de crédito consignado, financiamento de veículos e cartões de crédito, principais frentes de atuação da instituição.

Margem financeira líquida

A margem financeira líquida gerencial atingiu R$ 2,57 bilhões, mostrando desempenho sólido e crescimento mesmo com a leve retração do lucro. O resultado evidencia que o banco conseguiu manter sua eficiência na gestão de spreads e custos de captação.

Por que o lucro caiu mesmo com crescimento operacional

Aumento das provisões para inadimplência

Um dos fatores que explicam a redução no lucro é a elevação das provisões para perdas com crédito, diante do aumento da inadimplência em algumas carteiras. O cenário de juros altos e endividamento das famílias exigiu cautela, levando o Pan a reforçar suas reservas.

Despesas operacionais e custo de funding

O custo de captação de recursos também pesou nos resultados. Com taxas de juros ainda elevadas no país, os bancos têm enfrentado pressões no spread, o que afeta diretamente a rentabilidade. Além disso, as despesas administrativas e de tecnologia cresceram, acompanhando o processo de digitalização e expansão de serviços.

Rentabilidade e eficiência

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em torno de 9%, ligeiramente abaixo da média histórica do banco. O índice de eficiência, que mede despesas em relação à receita, ficou estável, mostrando que a instituição conseguiu equilibrar custos mesmo com desafios externos.

Crescimento da base de clientes e digitalização

Aposta em canais digitais

O Banco Pan segue investindo em digitalização e experiência do cliente. O app do banco ultrapassou 17 milhões de usuários, reforçando sua presença entre instituições voltadas ao público de crédito popular e conta digital.

A integração de serviços de crédito, investimentos e seguros dentro da mesma plataforma é parte da estratégia para aumentar a fidelização e o ticket médio por cliente.

Novos produtos e tecnologia

O Pan também vem apostando em produtos como o Pan Pagamentos, soluções para MEIs e cartões com cashback. O foco é diversificar receitas e reduzir a dependência do crédito tradicional. O uso de análise de dados e inteligência artificial tem sido destaque na concessão de crédito e prevenção de fraudes.

Comparação com o setor bancário

Desempenho em relação a concorrentes

O resultado do Pan acompanha a tendência observada em outras instituições de médio porte, que também apresentaram queda leve no lucro devido ao aumento das provisões e custos.

Enquanto bancos maiores como Itaú Unibanco e Bradesco mostraram lucros bilionários, o Pan manteve crescimento sólido em crédito, consolidando-se entre os bancos de varejo voltados à classe média emergente.

Segmentos mais rentáveis e sensíveis

O crédito ao consumo e o financiamento de veículos continuam sendo o foco do Pan. Esses segmentos, porém, são mais sensíveis ao ambiente de juros, exigindo rigor na análise de risco e cobrança para evitar deterioração da carteira.

Análise para investidores

O que o resultado indica

Para investidores, o desempenho do Banco Pan no 3º trimestre pode ser interpretado como resiliente. Apesar da queda no lucro, a instituição apresentou crescimento consistente na carteira e rentabilidade positiva.

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O fato de o lucro cair apenas 3,2%, mesmo em meio à ampliação de provisões, reforça que o banco conseguiu equilibrar risco e retorno.

Pontos de atenção

O investidor deve observar três pontos principais:

  1. Qualidade da carteira de crédito, que tende a pressionar resultados caso a inadimplência avance;
  2. Evolução dos custos de captação, dependente do ritmo de queda da Selic;
  3. Eficiência operacional, crucial para manter margens e rentabilidade.

Perspectivas para 2026

Com a expectativa de redução gradual dos juros no próximo ano, o banco pode ampliar margens e recuperar parte da rentabilidade. Caso mantenha crescimento controlado e gestão de risco eficiente, o lucro pode voltar a subir de forma sustentável.

Desafios e oportunidades

Desafios imediatos

  • Controlar a inadimplência em segmentos de maior risco;
  • Manter crescimento sem comprometer liquidez;
  • Reduzir custos em meio à expansão digital;
  • Fortalecer capital para sustentar carteira crescente.

Oportunidades no médio prazo

O Pan tem espaço para crescer em crédito consignado, cartões e serviços digitais. A base ampla de clientes e a integração com o ecossistema do BTG Pactual garantem suporte estratégico para expansão.

Com o avanço da digitalização e novos produtos de investimento e seguros, o banco deve diversificar fontes de receita e reduzir dependência do crédito tradicional.

Considerações finais

O resultado do Banco Pan no terceiro trimestre de 2025 mostra uma instituição que, mesmo diante de cenário desafiador, mantém crescimento operacional robusto e resiliência financeira.

A queda de 3,2% no lucro líquido ajustado reflete uma postura conservadora frente ao aumento da inadimplência e do custo de captação. Por outro lado, o crescimento de 20% da carteira de crédito e o avanço da margem financeira sinalizam capacidade de adaptação e expansão sustentável.

Para o mercado, o balanço indica que o Pan segue consolidando seu papel como banco de varejo digital competitivo, voltado à inclusão financeira e ao crédito de massa. O desafio agora é transformar crescimento em rentabilidade consistente, num cenário de juros mais baixos e concorrência crescente.

Gisele Barbosa

Autor

Gisele Barbosa

Gisele Cavalheiro Gonçalves Barbosa é redatora do portal Seu Crédito Digital. Atua na produção de conteúdos sobre economia, benefícios sociais, INSS, finanças pessoais, loterias, tecnologia e política, sempre com foco em informar o leitor de forma clara, objetiva e atualizada. É formada em técnico de edificações na área da construção civil e aplica uma abordagem prática e analítica na apuração dos temas que impactam diretamente o dia a dia dos brasileiros.

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