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Inteligência artificial transforma operações internas dos bancos

Bancos brasileiros expandem o uso da inteligência artificial para áreas internas, como análise de crédito e prevenção a fraudes.

Julia FernandesPor Julia Fernandes6 min de leitura
Bancos

O uso da inteligência artificial nos bancos brasileiros passou por uma rápida evolução nos últimos anos. Antes restrita ao atendimento ao cliente por meio de chatbots, hoje a tecnologia é aplicada em áreas internas estratégicas, como análise de crédito, prevenção a fraudes, gestão de riscos e personalização de serviços para empresas.

A evolução da inteligência artificial no setor bancário

Inicialmente, a adoção da IA pelos bancos foi tímida e concentrada em tarefas simples. Ferramentas como a BIA, do Bradesco, e a EVA, do Banco do Brasil, foram os primeiros exemplos notáveis. Esses assistentes virtuais serviam para responder dúvidas frequentes e realizar transações básicas.

Com o aumento da digitalização e das fraudes eletrônicas, as instituições financeiras perceberam a necessidade de ampliar o uso da tecnologia. A partir de 2023, os investimentos em soluções de IA cresceram de forma acelerada.

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Automação de processos internos

Uma das principais mudanças foi a automação de tarefas internas. Os bancos começaram a usar IA para reduzir o tempo de análise de dados, automatizar concessões de crédito e melhorar os sistemas de segurança.

Análise de crédito mais rápida e precisa

A inteligência artificial permite que os bancos processem milhares de informações em segundos. Ao avaliar um pedido de crédito, os sistemas agora consideram não apenas o histórico financeiro, mas também comportamentos de consumo, movimentações bancárias e dados externos, como informações de mercado.

O Itaú Unibanco, por exemplo, implementou um sistema de IA que aumentou a eficiência na análise de crédito para pequenas e médias empresas. Isso permitiu a ampliação das concessões com menor índice de inadimplência.

Detecção de fraudes em tempo real

Outra aplicação fundamental da IA é na prevenção a fraudes. Os bancos utilizam algoritmos de aprendizado de máquina para identificar transações suspeitas. O Bradesco anunciou que monitora mais de um bilhão de transações por mês com o apoio de IA.

Quando um comportamento fora do padrão é detectado, o sistema bloqueia automaticamente a operação e envia um alerta ao cliente.

IA no relacionamento com clientes empresariais

Além das melhorias internas, os bancos também estão utilizando a IA para aprimorar o relacionamento com clientes corporativos. O objetivo é entender melhor as necessidades dessas empresas e oferecer soluções financeiras mais personalizadas.

Personalização de produtos e serviços

Com base no histórico de transações e nos dados financeiros das empresas, os sistemas de IA conseguem antecipar demandas. Por exemplo, se uma empresa apresenta um aumento repentino no volume de vendas, o banco pode oferecer linhas de crédito para capital de giro ou soluções de antecipação de recebíveis.

Redução do risco de inadimplência

A IA também permite aos bancos monitorar o comportamento financeiro das empresas em tempo real. Assim, é possível identificar sinais de dificuldades financeiras antes que a inadimplência ocorra, permitindo renegociações proativas.

Expansão da IA na experiência do cliente pessoa física

Enquanto as empresas recebem atenção especial, os clientes pessoa física também se beneficiam dos avanços tecnológicos.

Chatbots com linguagem natural

Os chatbots evoluíram e agora conseguem interpretar comandos mais complexos, utilizando processamento de linguagem natural (PLN). Isso permite que os clientes façam solicitações mais detalhadas, como renegociação de dívidas ou investimento em novos produtos.

Assistentes financeiros preditivos

Os bancos passaram a utilizar a Inteligência Artificial de forma preditiva. Com base no comportamento financeiro dos clientes, os sistemas sugerem investimentos, oferecem alertas de gastos excessivos e ajudam no planejamento financeiro.

O papel do Open Finance na ampliação da IA

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Imagem: Freepik

A implementação do Open Finance no Brasil abriu ainda mais possibilidades para o uso da inteligência artificial. Com o compartilhamento de dados entre instituições financeiras, os bancos têm acesso a um panorama mais amplo do comportamento dos clientes.

Análise de dados integrados

Agora, os algoritmos de Inteligência Artificial conseguem processar informações de múltiplas fontes, como contas bancárias, cartões de crédito e investimentos em diferentes instituições. Isso permite análises mais detalhadas e uma oferta de serviços ainda mais personalizada.

Inclusão financeira

O acesso a dados mais completos também ajuda na inclusão financeira. Clientes que antes eram considerados de alto risco por falta de histórico agora podem ter acesso a crédito com base em seu comportamento financeiro em outras instituições.

Tendências para os próximos anos

A adoção da inteligência artificial no setor bancário tende a crescer ainda mais. Especialistas apontam algumas tendências que devem ganhar força nos próximos anos.

IA generativa em serviços bancários

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Ferramentas de IA generativa, como as usadas para produção de textos ou imagens, estão sendo adaptadas para o setor financeiro. Elas poderão criar relatórios personalizados, redigir contratos de forma automática e até oferecer atendimento por meio de avatares digitais.

Automação do backoffice

A expectativa é que as áreas de backoffice sejam amplamente automatizadas. Tarefas como análise de documentos, controle de compliance e auditoria deverão ser executadas por robôs inteligentes.

IA aplicada a ESG

Outra tendência é o uso da inteligência artificial na análise de critérios ESG (Ambiental, Social e Governança). Os bancos poderão avaliar o impacto socioambiental de empresas antes de conceder crédito ou investir.

Desafios e regulamentações

O avanço da Inteligência Artificial também levanta questões importantes relacionadas à ética e à privacidade.

Respeito à LGPD

Os bancos precisam garantir que o uso de dados siga as determinações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O consentimento dos clientes e a segurança no armazenamento de informações são pontos críticos.

Transparência nos algoritmos

Outra preocupação é a transparência nos critérios utilizados pelos algoritmos. Há um esforço para que os sistemas de Inteligência Artificial sejam auditáveis e que decisões como negativa de crédito sejam devidamente explicadas aos clientes.

Requalificação da força de trabalho

Com a automação de processos, o perfil dos profissionais do setor bancário também está mudando. Os bancos estão investindo na capacitação dos funcionários, preparando-os para atuar em funções mais analíticas e estratégicas.

O impacto da IA no futuro do sistema financeiro

A inteligência artificial deve continuar desempenhando um papel central na transformação digital dos bancos brasileiros. A busca por eficiência operacional, segurança e personalização dos serviços fará com que as instituições financeiras ampliem cada vez mais o uso da tecnologia.

Para os clientes, os benefícios já são perceptíveis: atendimentos mais rápidos, produtos personalizados e maior segurança. Para os bancos, a Inteligência Artificial representa uma oportunidade de reduzir custos, mitigar riscos e melhorar a experiência dos usuários.

A tendência é que, nos próximos anos, a inteligência artificial deixe de ser vista apenas como um diferencial competitivo e passe a ser um requisito básico para a sobrevivência no mercado financeiro.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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