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Consignados do INSS dobram e chegam a R$ 466 bilhões em alta que acende alerta de fraude

Levantamento mostra como bancos faturaram bilhões com consignado do INSS enquanto crescem denúncias de fraude, abusos comerciais e ações judiciais.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa4 min de leitura
INSS

O mercado de crédito consignado vinculado ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vive um momento de contradição. Enquanto as instituições financeiras ampliam lucros e carteiras de contratos, crescem denúncias de fraudes, abordagens abusivas e descontos indevidos realizados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.

Nos últimos cinco anos, os bancos brasileiros faturaram aproximadamente R$ 466 bilhões apenas com empréstimos consignados do INSS, segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. O volume evidencia o crescimento do setor, mas também levanta questões sobre fiscalização, transparência e proteção aos beneficiários.

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Crescimento explosivo do crédito consignado

O crédito consignado se tornou uma das modalidades mais rentáveis do sistema financeiro. Com desconto automático direto no benefício previdenciário, o risco de inadimplência é baixo, incentivando os bancos a expandirem agressivamente sua atuação junto ao público idoso.

Entre 2020 e 2024, o faturamento mensal cresceu de R$ 4 bilhões para picos de R$ 9 bilhões, totalizando R$ 100,8 bilhões em 2024. A carteira de empréstimos ativos subiu 52%, de 23 milhões para 35 milhões de contratos.

Expansão acelerada de bancos credenciados

O número de bancos autorizados a operar consignados com o INSS saltou de 52 para 87. Instituições como C6 e Agibank apresentaram crescimento meteórico, chegando a 3,36 milhões e 1,57 milhão de consignados neste ano, respectivamente.

Fraude e abusos: um cenário preocupante

O crescimento dos consignados trouxe aumento expressivo de denúncias. A principal reclamação é a contratação de empréstimos sem autorização do aposentado.

Descontos indevidos e assinaturas falsas

Muitos beneficiários só percebem o desconto ao receber o extrato da aposentadoria. Perícias judiciais identificam assinaturas falsificadas e uso indevido de dados por correspondentes bancários.

Uso irregular da Reserva de Margem Consignável (RMC)

A RMC, que permite desconto de até 5% da aposentadoria para pagamento automático de cartão de crédito consignado, é frequentemente contratada sem explicação clara, gerando endividamento involuntário.

Abordagem abusiva por telefone

Muitos aposentados relatam que intermediários distorcem informações sobre valores, juros e seguros, induzindo à contratação de empréstimos de forma irregular.

Portabilidade indevida e novos empréstimos

Casos de portabilidade não autorizada têm sido frequentes, com transferência de contratos para outros bancos e inclusão de novos empréstimos sem consentimento.

Bancos que mais expandiram no segmento

C6 Consignado

O C6 iniciou operações em 2020 com 514 clientes e chegou a mais de 3,3 milhões de contratos. Adotou biometria facial e geolocalização, firmou acordos com o Ministério Público Federal e reduziu reclamações a partir de 2021.

Agibank

O Agibank saiu de 20 mil para 461 mil empréstimos em seis meses de 2021, acumulando ações judiciais por portabilidade indevida. Firmou termo de ajustamento de conduta e reforçou protocolos de segurança e transparência.

BMG

O BMG, com 3,7 milhões de consignados, foi alvo de denúncias de fraudes por correspondentes bancários. O banco reforçou controles, capacitação de parceiros e segue normas do Banco Central e da autorregulação Febraban/ABBC.

Impactos sociais das irregularidades

O comprometimento da renda de aposentados afeta alimentação, medicamentos e qualidade de vida, configurando um problema social e financeiro. Órgãos públicos registram aumento de reclamações, evidenciando vulnerabilidade da população idosa.

Atuação do INSS e medidas corretivas

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O INSS rescindiu 19 ACTs e suspendeu outros quatro, além de firmar termos de compromisso com bancos para restituição de valores cobrados indevidamente. A atual gestão reforçou protocolos de transparência e segurança para a concessão de consignados.

Como o aposentado pode se proteger

Verificar extratos regularmente

Identificar descontos desconhecidos.

Desconfiar de ligações e promessas

Evitar autorizar contratos por telefone.

Registrar reclamações

Utilizar Procon, Consumidor.gov e Ouvidoria do INSS.

Perspectivas futuras

O setor continuará crescendo, mas sob maior fiscalização. Tecnologias como biometria e validação digital prometem reduzir riscos, desde que acompanhadas de regulação efetiva e educação financeira.

Conclusão

O mercado de crédito consignado no INSS mostra um paradoxo: bancos ampliam lucros bilionários, enquanto aposentados enfrentam fraudes e descontos indevidos. A proteção ao consumidor e a fiscalização rigorosa são fundamentais para equilibrar rentabilidade e direitos.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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