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Consignado do INSS: decisão do STJ trata da devolução de parcelas

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçou a proteção aos aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Terceira Turma da Corte entendeu que instituições financeiras devem devolver valores descontados indevidamente de benefícios previdenciários quando não conseguirem comprovar que a contratação do empréstimo consignado ocorreu de forma válida. […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 5 min de leitura
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Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reforçou a proteção aos aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Terceira Turma da Corte entendeu que instituições financeiras devem devolver valores descontados indevidamente de benefícios previdenciários quando não conseguirem comprovar que a contratação do empréstimo consignado ocorreu de forma válida.

O entendimento fortalece os direitos dos consumidores, especialmente daqueles em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas analfabetas ou com dificuldades para compreender contratos bancários.

Leia mais:

Novas regras do INSS alteram uso do cartão consignado

O que motivou a decisão do STJ

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O caso analisado pelo STJ envolveu um beneficiário do INSS que afirmou não reconhecer diversos descontos realizados em seu benefício.

Segundo o processo, o homem, que é analfabeto, identificou cobranças relacionadas a empréstimos consignados, tarifas bancárias e utilização de cheque especial sem ter conhecimento das contratações.

Inicialmente, parte dos pedidos foi aceita pela Justiça. Posteriormente, porém, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) considerou válidas as operações por entender que elas haviam sido realizadas mediante cartão com chip e senha pessoal.

Ao analisar o recurso, o STJ reformou esse entendimento.

Senha não substitui as exigências previstas em lei

Para os ministros da Terceira Turma, o simples uso de senha bancária não comprova, por si só, a validade da contratação de um empréstimo quando o consumidor é analfabeto.

O Código Civil estabelece requisitos específicos para esse tipo de contrato.

O que exige a legislação

Quando uma pessoa não sabe ler ou escrever, a assinatura do contrato deve observar regras próprias previstas na legislação.

Entre elas estão:

  • assinatura realizada por outra pessoa a pedido do contratante;
  • presença de duas testemunhas durante o ato;
  • comprovação de que o contratante compreendeu o conteúdo do documento.

Segundo o STJ, essas exigências existem justamente para evitar que pessoas em condição de vulnerabilidade assumam dívidas sem entender juros, parcelas, prazos e demais condições da contratação.

Por que a decisão é importante para aposentados e pensionistas

No empréstimo consignado, as parcelas são descontadas diretamente do benefício pago pelo INSS.

Isso significa que o segurado muitas vezes só percebe a contratação quando recebe um valor inferior ao esperado.

Segundo o entendimento da Corte, cabe à instituição financeira demonstrar que houve autorização válida e que o consumidor teve pleno conhecimento das condições do contrato.

Caso essa comprovação não exista, os descontos podem ser considerados indevidos.

Quem pode contestar descontos no benefício do INSS

Podem solicitar a revisão de cobranças:

  • aposentados;
  • pensionistas;
  • beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), quando houver contratação financeira vinculada;
  • demais segurados que recebam benefícios administrados pelo INSS e identifiquem descontos não reconhecidos.

O primeiro passo é verificar o extrato de pagamentos e de empréstimos consignados.

Como consultar os descontos

A consulta pode ser feita gratuitamente por meio do aplicativo ou do portal Meu INSS.

No sistema, o beneficiário consegue visualizar:

  • contratos ativos;
  • instituição financeira responsável;
  • quantidade de parcelas;
  • valor descontado mensalmente;
  • saldo devedor, quando disponível.

Essa verificação periódica ajuda a identificar rapidamente cobranças indevidas ou operações realizadas sem autorização.

O que fazer ao encontrar um desconto desconhecido

Caso o beneficiário identifique um empréstimo ou cobrança que não reconhece, especialistas recomendam seguir alguns passos.

Solicite cópia do contrato

O primeiro procedimento é procurar a instituição financeira responsável para pedir todos os documentos relacionados à contratação.

O banco deve apresentar elementos que comprovem a autorização do cliente.

Registre reclamação

Se não houver solução, o consumidor pode registrar reclamações em órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, além de utilizar os canais oficiais do Banco Central quando a situação envolver instituições financeiras autorizadas.

Busque orientação jurídica

Dependendo do caso, poderá ser necessário ingressar com ação judicial para pedir:

  • suspensão imediata dos descontos;
  • declaração de inexistência do contrato;
  • devolução das parcelas já descontadas;
  • indenização por danos morais, quando houver prejuízo comprovado.

Bancos devem comprovar que houve contratação válida

A decisão do STJ reforça que não basta apresentar registros de utilização de cartão ou de senha.

As instituições financeiras precisam demonstrar que o contrato observou todos os requisitos legais, especialmente quando o consumidor pertence a um grupo vulnerável.

Esse entendimento aumenta a responsabilidade dos bancos durante a contratação de empréstimos consignados e busca reduzir casos de fraude ou contratação irregular.

Medida reforça proteção aos beneficiários do INSS

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Nos últimos anos, aumentaram as denúncias de descontos não autorizados em benefícios previdenciários, levando o INSS, órgãos de defesa do consumidor e o Poder Judiciário a intensificarem medidas de proteção aos segurados.

A decisão da Terceira Turma do STJ segue essa mesma linha ao reforçar que a contratação de crédito deve ocorrer de forma transparente, consciente e com pleno conhecimento do consumidor.

Para aposentados e pensionistas, acompanhar regularmente o extrato do benefício continua sendo uma das formas mais eficazes de identificar irregularidades rapidamente e evitar prejuízos financeiros maiores.

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