Desde a implementação do open finance no Brasil, em 2020, o compartilhamento de dados financeiros entre instituições tem crescido exponencialmente.
Segundo levantamento da consultoria Bip, quase 60 milhões de pessoas físicas já autorizaram o uso de seus dados, totalizando mais de 91 milhões de consentimentos.
Um dado marcante dessa evolução é que os bancos digitais e fintechs são os principais recebedores dessas informações, superando inclusive as tradicionais instituições financeiras conhecidas como “bancões”.
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O que é o open finance e por que ele é importante?

Conceito e funcionamento do open finance
O open finance é uma iniciativa regulatória do Banco Central do Brasil que estabelece que os dados financeiros do cliente pertencem a ele próprio.
Isso significa que o consumidor pode escolher quais instituições têm acesso às suas informações bancárias, mediante autorização explícita. Antes do open finance, somente o banco onde o cliente possuía conta tinha acesso aos seus dados financeiros.
Com o sistema, plataformas financeiras — sejam bancos, fintechs ou outras instituições — podem consultar informações como saldo, histórico de transações e perfil financeiro, desde que o cliente permita.
O objetivo principal é ampliar a competitividade no mercado financeiro, estimulando a inovação e a oferta de produtos e serviços mais personalizados e baratos.
Benefícios para o consumidor e para o mercado
Ao compartilhar dados com múltiplas instituições, o consumidor pode receber ofertas mais vantajosas, como taxas de juros menores, crédito customizado e serviços digitais integrados.
Para o mercado, o open finance estimula a concorrência, incentiva a modernização das plataformas e amplia o acesso a soluções financeiras.
Ranking das instituições que mais recebem dados no open finance
Pessoas físicas: bancos digitais no topo
De acordo com a Bip Consultoria, o ranking das instituições que mais receberam autorizações de clientes pessoas físicas para consulta dos seus dados é liderado por bancos digitais:
- Nubank — 22,9% das autorizações
- Mercado Pago — 15%
- Belvo IP (fintech especializada) — 13%
- PicPay — 9,3%
- Klavi — 9%
O primeiro banco tradicional aparece apenas na sexta posição, com a Caixa Econômica Federal recebendo 6,1% dos consentimentos, seguida por Itaú (5,4%), Santander (5,2%), Banco do Brasil (5,1%) e Bradesco (3,4%).
Pessoas jurídicas: cenário distinto
No universo das pessoas jurídicas, o cenário muda um pouco, refletindo o foco de atuação das instituições:
- Cloudwalk — 19,5%
- Mercado Pago — 18,1%
- Santander — 14,7%
- Banco do Brasil — 12,8%
- Nubank — 8,7%
- Belvo IP — 8,7%
- Itaú — 4,3%
- Caixa — 4%
- Bradesco — 3,1%
- Sicoob — 2,5%
Explicações para as diferenças no uso dos dados
Pedro Godoy, gerente de financial services da Bip Consultoria, explica que o número de consentimentos depende de múltiplos fatores, incluindo os tipos de serviços oferecidos por cada instituição e o perfil de seus clientes.
“Os bancos digitais concentram esforços para captar consentimentos de pessoas físicas, com produtos como agregadores de dados que mostram o saldo de diferentes contas em um só lugar. Já os bancos tradicionais têm focado em soluções para pessoas jurídicas, principalmente na análise de crédito”, afirma.
Como bancos digitais e fintechs usam o open finance para atrair clientes
Ferramentas e serviços focados em pessoas físicas
Bancos digitais têm investido em ferramentas que facilitam a vida do cliente, como aplicativos que centralizam as informações financeiras de várias instituições em uma única interface, possibilitando melhor controle financeiro.
Esses serviços, aliados a processos simplificados, atraem milhões de consumidores dispostos a compartilhar seus dados para obter benefícios como melhores taxas e serviços personalizados.
Soluções para pessoas jurídicas
Por outro lado, bancos tradicionais e algumas fintechs desenvolvem soluções específicas para pessoas jurídicas. A análise de crédito baseada em dados compartilhados no open finance permite oferecer condições mais justas e rápidas para empresas, reduzindo riscos e ampliando o acesso a financiamentos.
Desafios e preocupações com a segurança dos dados no open finance
Proteção de dados pessoais e privacidade
Com o aumento do compartilhamento de informações financeiras, cresce também a preocupação com a segurança dos dados e o respeito à privacidade do consumidor.
A regulamentação do open finance prevê mecanismos rigorosos para garantir que apenas instituições autorizadas e com o consentimento do cliente possam acessar os dados.
Riscos de fraude e o papel das instituições
Embora existam protocolos de segurança, o risco de fraudes e uso indevido de informações ainda é um desafio.
As instituições financeiras investem em tecnologia e sistemas antifraude para proteger seus clientes, mas a educação do consumidor sobre os cuidados ao compartilhar dados também é fundamental.
O futuro do open finance no Brasil

Expansão dos serviços e maior integração
O open finance está em constante evolução.
Espera-se que novas funcionalidades sejam incorporadas, como a inclusão de dados relacionados a seguros, investimentos e até mesmo previdência. A ampliação do escopo permitirá que o consumidor tenha uma visão completa de sua vida financeira em plataformas integradas.
Impacto na competitividade e inovação
Com mais players disputando o mercado, a tendência é que os serviços financeiros se tornem cada vez mais personalizados, acessíveis e inovadores. O open finance deve impulsionar o surgimento de novos modelos de negócios e a transformação digital no setor bancário.
Educação financeira como aliada
Para que o open finance atinja seu potencial máximo, é essencial investir na educação financeira dos brasileiros. Com maior conhecimento, os consumidores podem fazer escolhas conscientes sobre o compartilhamento de seus dados e aproveitar melhor as vantagens do sistema.
Conclusão
Desde sua implementação, o open finance tem transformado o cenário financeiro brasileiro, colocando os bancos digitais e fintechs na liderança em termos de compartilhamento de dados com clientes pessoas físicas.
Essa mudança representa um avanço significativo na democratização do acesso a serviços financeiros, estimulando competitividade e inovação.
O consumidor, ao assumir o controle dos seus dados, ganha poder para negociar melhores condições e usufruir de soluções personalizadas. No entanto, desafios como segurança da informação e conscientização do público ainda exigem atenção constante.
A tendência é que, nos próximos anos, o open finance continue a evoluir e ampliar seu impacto, contribuindo para um mercado financeiro mais justo, transparente e eficiente no Brasil.
