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Juros altos elevam risco de inadimplência e levam bancos a reforçar provisões

Bancos adotam mais cautela no crédito diante da inadimplência e dos juros ainda elevados. Veja os impactos para famílias e empresas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes··5 min de leitura
Juros altos elevam risco de inadimplência e levam bancos a reforçar provisões

O acesso ao crédito está passando por uma fase de maior seletividade no Brasil. Mesmo com o início da redução da taxa Selic, bancos passaram a analisar com mais rigor o risco de novos empréstimos diante do aumento da inadimplência e do comprometimento da renda de consumidores e empresas.

Em agosto de 2026, o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, após meses em patamar de 15%. Apesar do corte, a autoridade monetária afirmou que as expectativas de inflação continuam acima da meta e que o ambiente econômico exige cautela.

Na prática, isso significa que a queda dos juros básicos ainda não representa uma redução imediata e generalizada das taxas cobradas dos consumidores. O custo efetivo de um empréstimo também depende do risco de cada cliente, do prazo, das garantias e da modalidade contratada.

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Por que os bancos estão restringindo o crédito?

O principal motivo é a deterioração da qualidade das carteiras. Quando aumenta o número de clientes que atrasam ou deixam de pagar empréstimos, as instituições financeiras precisam reservar mais dinheiro para possíveis perdas.

Esse mecanismo é conhecido como Provisão para Devedores Duvidosos, ou PDD. O custo de crédito, por sua vez, ajuda a medir quanto o banco está gastando para fazer frente ao risco de inadimplência.

Os balanços do segundo trimestre de 2026 mostram que o problema não é uniforme entre as instituições, mas existe uma preocupação comum com determinados segmentos.

No Santander, por exemplo, a inadimplência acima de 90 dias chegou a 3,3% em junho, aumento de 0,7 ponto percentual em 12 meses. A despesa com PDD alcançou R$ 7,65 bilhões no trimestre, alta de 11,5% na comparação anual.

O Bradesco também registrou avanço do indicador, que passou para 4,3%. A inadimplência entre pessoas físicas chegou a 5,5%, enquanto o custo de crédito ficou em aproximadamente R$ 10 bilhões no trimestre.

Banco do Brasil enfrenta pressão maior no agronegócio

Banco do Brasil
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

No Banco do Brasil, a situação chama atenção principalmente pela exposição ao agronegócio. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,61% no segundo trimestre, enquanto o índice específico do agronegócio alcançou 6,27%.

A carteira de crédito expandida do banco ultrapassou R$ 1,3 trilhão. Apesar do crescimento da carteira e do lucro de R$ 3,9 bilhões no trimestre, o aumento dos atrasos elevou a preocupação com o custo do crédito e com a necessidade de novas provisões.

Também houve deterioração entre pessoas físicas. O cartão de crédito aparece entre os pontos de maior atenção, mostrando como o encarecimento do crédito pode atingir diretamente o orçamento das famílias.

Itaú apresenta cenário mais estável

O Itaú Unibanco apresentou uma dinâmica diferente. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% no segundo trimestre, repetindo o mesmo percentual pelo sexto trimestre consecutivo.

Ainda assim, o banco registrou custo de crédito de R$ 10,1 bilhões, alta de 7,4% em um ano. A carteira total chegou a R$ 1,52 trilhão, crescimento de 9,6% em 12 meses.

Os números mostram que aumento das provisões não significa necessariamente que uma instituição esteja registrando uma explosão de calotes. O banco pode elevar suas reservas de forma preventiva diante da percepção de maior risco futuro.

O que muda para quem precisa de empréstimo?

Para o consumidor, a consequência mais direta é a maior dificuldade para conseguir crédito em algumas modalidades.

Empréstimos pessoais sem garantia e cartões costumam apresentar risco maior para as instituições. Por isso, clientes com renda mais apertada, histórico recente de atrasos ou elevado comprometimento do orçamento podem encontrar limites menores, juros mais altos ou até negativa na concessão.

Já operações com garantia, como determinados financiamentos, podem receber tratamento diferente porque oferecem ao banco uma proteção adicional em caso de inadimplência.

Esse cenário reforça a importância de comparar o Custo Efetivo Total (CET) antes de contratar crédito. Não basta olhar apenas a taxa mensal anunciada: tarifas, seguros, impostos e outros encargos também podem alterar significativamente o valor final.

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Endividamento exige atenção das famílias

A maior seletividade dos bancos ocorre ao mesmo tempo em que programas de renegociação tentam reduzir o volume de dívidas atrasadas.

Até 13 de agosto, o Novo Desenrola havia renegociado R$ 25,51 bilhões em dívidas, segundo dados divulgados sobre o programa. Mais de 2 milhões de operações foram beneficiadas, com descontos médios próximos de 80%.

Para uma família que já utiliza grande parte da renda para pagar aluguel, alimentação, contas básicas e dívidas, contratar um novo empréstimo apenas para cobrir despesas recorrentes pode agravar o problema.

Uma alternativa mais segura é buscar primeiro a renegociação das dívidas existentes, priorizando aquelas com juros mais elevados, como rotativo do cartão e determinadas modalidades de crédito pessoal.

Selic menor não significa crédito barato imediatamente

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A redução da Selic representa uma mudança importante para a economia, mas seus efeitos sobre os consumidores acontecem de maneira gradual.

O Banco Central reduziu a taxa básica de 15% para 14% ao ano em agosto, mas destacou que a inflação e as expectativas ainda exigem cautela.

Além disso, os bancos definem suas taxas considerando o risco individual dos clientes e as condições do mercado financeiro. Portanto, mesmo em um ciclo de cortes, uma pessoa com histórico de inadimplência pode continuar enfrentando juros elevados.

Para o consumidor brasileiro, o momento exige planejamento: antes de assumir uma nova parcela, é fundamental verificar se ela cabe no orçamento mesmo diante de despesas inesperadas.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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