O aumento significativo de fraudes telefônicas no Brasil tem pressionado instituições financeiras a adotarem tecnologias mais eficientes de proteção ao consumidor.
Bradesco, BB e Santander entram no sistema da Anatel contra ligações fraudulentas
Descubra como Bradesco, BB e Santander reforçam a segurança com o sistema antifraude da Anatel. Leia mais agora.
Em resposta a esse cenário preocupante, três dos maiores bancos do país — Bradesco, Banco do Brasil (BB) e Santander — anunciaram sua adesão ao sistema Origem Verificada, desenvolvido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A ferramenta tem como objetivo combater as chamadas falsas e os golpes telefônicos, permitindo que os usuários identifiquem a origem real das ligações recebidas, mesmo quando o número não está salvo na agenda.
A iniciativa da Anatel, que ainda está em fase de implementação por parte das operadoras e instituições, promete revolucionar a forma como os consumidores interagem com os canais oficiais dos bancos.
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O que é o Origem Verificada da Anatel?

Tecnologia contra falsificação de números
O Origem Verificada é um sistema antifraude da Anatel que atua na camada de rede das operadoras, permitindo validar se o número de telefone que aparece na tela do celular realmente pertence à entidade que está realizando a chamada.
Isso combate um tipo específico de golpe conhecido como spoofing, em que criminosos mascaram o número de origem, fazendo-o parecer confiável.
Como funciona na prática?
O recurso da Anatel funciona por meio de uma certificação da identidade da empresa emissora da chamada. Ao ligar para um cliente, o sistema verifica em tempo real se aquele número é de fato autorizado por aquela organização.
A ligação, então, é marcada no celular como “verificada”, criando uma camada adicional de confiança e transparência na comunicação.
Adesão dos bancos: quem já está dentro e quem está avaliando
Bradesco, Santander e Banco do Brasil confirmados
Esses três bancos já sinalizaram publicamente, em declaração ao portal g1, que irão adotar o sistema da Anatel. A decisão é considerada um avanço importante na proteção aos clientes, especialmente diante do crescimento dos ataques telefônicos nos últimos anos.
Segundo dados da Febraban, fraudes desse tipo causam prejuízos de bilhões de reais ao sistema bancário nacional, além de abalar a confiança do consumidor nos canais oficiais de atendimento.
Outros bancos em fase de avaliação
Outras instituições financeiras também estudam a possibilidade de integrar a tecnologia ao seu sistema de atendimento:
- Nubank;
- Caixa Econômica Federal;
- Itaú Unibanco;
- Mercado Pago.
Apesar do interesse, essas instituições ainda não confirmaram oficialmente a adoção do sistema, aguardando análises técnicas e testes de compatibilidade com suas plataformas de atendimento.
Silêncio de PicPay, PagSeguro e Banco Inter
Por outro lado, empresas como PicPay, PagSeguro e Banco Inter ainda não se pronunciaram sobre o tema. A ausência de resposta levanta questionamentos sobre o compromisso dessas instituições com a segurança telefônica dos clientes, especialmente em um momento em que os golpes se tornam mais sofisticados.
Papel da Febraban e da ABR Telecom
Adesão é voluntária
De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), a adesão ao Origem Verificada não é obrigatória, o que pode explicar o ritmo lento da integração. Cada banco tem liberdade para decidir se e quando vai aderir ao programa, levando em conta sua estratégia tecnológica e operacional.
ABR Telecom e os desafios de implementação
A ABR Telecom, entidade técnica responsável pela implementação do sistema, revelou que o número de empresas contratantes da solução ainda é pequeno.
Um dos principais desafios está na compatibilidade da tecnologia com a diversidade de dispositivos móveis presentes no mercado brasileiro — muitos dos quais ainda não suportam totalmente o recurso.
Além disso, o sistema depende de uma articulação entre operadoras de telefonia, bancos e fabricantes de smartphones para garantir uma implementação eficaz e padronizada.
Por que o Origem Verificada é importante?
Cenário preocupante de golpes telefônicos
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Nos últimos anos, o Brasil viu um aumento exponencial no número de fraudes por telefone, muitas delas usando engenharia social para enganar vítimas. Entre os golpes mais comuns estão:
- Falsos atendentes solicitando dados bancários;
- Ligações que simulam chamadas de segurança dos bancos;
- Mensagens automáticas com links fraudulentos.
Segundo levantamento do Procon-SP, apenas em 2024, mais de 1 milhão de consumidores relataram tentativas de golpe por telefone em todo o país.
Impacto para os consumidores
A adesão ao sistema da Anatel representa uma resposta concreta aos anseios da população, que há anos exige mais segurança na comunicação com instituições financeiras. Ao identificar chamadas autênticas, os usuários podem:
- Reduzir o risco de fornecer informações sensíveis a golpistas;
- Ter mais confiança nas interações com o banco;
- Evitar prejuízos financeiros e emocionais.
Perspectivas futuras para o Origem Verificada da Anatel

Expansão para outros setores
Especialistas apontam que, se o sistema obtiver sucesso no setor bancário, é possível que ele se estenda para outras áreas igualmente vulneráveis a fraudes, como:
- Operadoras de saúde;
- Concessionárias de energia;
- Serviços de delivery e e-commerce;
- Órgãos públicos.
Necessidade de regulamentação mais rígida
Apesar de ser uma iniciativa voluntária, cresce a pressão para que a Anatel e o Congresso Nacional considerem transformar o Origem Verificada em uma exigência legal para setores sensíveis, dada a sua eficácia na proteção do consumidor.
Conclusão
A adesão do Bradesco, Santander e Banco do Brasil ao sistema Origem Verificada marca um importante passo na luta contra golpes telefônicos. A iniciativa da Anatel, ainda que em fase inicial, representa uma esperança concreta de que a tecnologia possa ser aliada da segurança digital dos brasileiros.
Para que a solução funcione de forma plena, no entanto, será necessária a participação ativa de todos os envolvidos — bancos, operadoras, entidades técnicas e consumidores. Somente com o engajamento conjunto será possível consolidar uma comunicação telefônica mais segura e confiável no Brasil.
Imagem: Canva
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