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Clientes evitam bar após caso de bebida adulterada, mas estabelecimento segue aberto

Após casos de intoxicação por metanol, com três mortes confirmadas bar segue servindo caipirinha e gera clima de medo entre clientes.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Bebidas

Um bar localizado no Jardim Paulista, bairro nobre da capital paulista, está no centro de uma investigação após uma designer de interiores relatar perda de visão após consumir caipirinhas no local. Mesmo diante das suspeitas e do medo crescente entre frequentadores, o estabelecimento segue servindo a bebida, alegando que a situação foi controlada.

A Polícia Civil apreendeu 117 garrafas em três bares e adegas da cidade, em uma operação de fiscalização conjunta com as secretarias de Saúde e da Segurança Pública. A medida faz parte da investigação sobre o uso de metanol em bebidas alcoólicas, apontado como causa de intoxicações graves e até mortes recentes em São Paulo.

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Bebidas suspeitas foram retiradas, diz garçom

bares
Imagem: Freepik

Durante visita ao bar, a reportagem observou que a maioria dos clientes evitava pedir drinques, preferindo cerveja ou refrigerante. Um garçom confirmou que as bebidas suspeitas haviam sido recolhidas.

“Tudo foi levado, deletado. O que está aqui é seguro, pode pedir”, disse o funcionário, tentando tranquilizar os clientes.

Apesar da garantia, o clima de insegurança era visível. “O pessoal está com medo, e eu entendo. Eu, como vendedor, também fico com receio”, completou.


O avanço das fiscalizações em bares e adegas

Operações da Polícia Civil

As autoridades intensificaram as operações de fiscalização em São Paulo, apreendendo lotes de bebidas suspeitas de adulteração. Até o momento, foram recolhidas mais de uma centena de garrafas para análise laboratorial.

Estabelecimentos vizinhos

Curiosamente, bares próximos ao estabelecimento investigado seguiram vendendo drinques. Em um deles, localizado também na Alameda Lorena, a reportagem encontrou um casal consumindo caipirinhas. O garçom do local afirmou:

“Eles também me perguntaram sobre o metanol, mas estão ali tomando. Aqui está tudo certo, pode pedir sem medo.”

O comentário, feito em tom de brincadeira, ilustra a tensão e a falta de confiança que atingem tanto consumidores quanto funcionários.


Intoxicações por metanol: números em São Paulo

O Ministério da Justiça e Segurança Pública confirmou que até o final de setembro de 2025 já havia dez casos de intoxicação por metanol registrados no estado, incluindo três mortes.

As vítimas fatais confirmadas

  • Homem de 45 anos: morreu em 28 de setembro em São Bernardo do Campo.
  • Homem de 38 anos: faleceu após consumir bebida adulterada na capital paulista.
  • Homem de 48 anos: também vítima confirmada de intoxicação.

Outras ocorrências

Casos de intoxicação foram associados a diferentes tipos de bebida: gim, uísque e vodca consumidos em bares e adegas também aparecem entre os produtos suspeitos.


O risco da subnotificação

Especialistas alertam que os números oficiais podem estar subestimados. O Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica) destacou que muitas ocorrências podem não chegar ao conhecimento das autoridades.

“Diante do caráter inédito da situação, há possibilidade de existirem casos ainda não notificados, que seguem sob investigação e aguardam confirmação laboratorial”, informou o Ministério da Justiça.

A suspeita de subnotificação agrava a percepção de risco e aumenta a pressão sobre os órgãos de fiscalização.


Metanol: o que é e por que é tão perigoso?

Substância altamente tóxica

O metanol é um tipo de álcool utilizado principalmente em indústrias químicas e na produção de solventes. Diferente do etanol (usado em bebidas alcoólicas), ele é altamente tóxico para o consumo humano.

Efeitos no organismo

A ingestão de metanol pode causar:

  • Náuseas e vômitos;
  • Dor abdominal intensa;
  • Alterações visuais, podendo evoluir para cegueira;
  • Insuficiência renal e respiratória;
  • Morte em casos mais graves.

Por que é usado em bebidas adulteradas

Criminosos utilizam metanol para adulterar bebidas porque é mais barato que o etanol. Contudo, a prática representa um risco enorme à saúde pública.


A reação de consumidores e do setor de bares

Clima de medo entre clientes

Após a repercussão do caso, muitos consumidores passaram a evitar drinques em bares da capital, optando por cervejas engarrafadas, refrigerantes ou água.

Impacto no setor

Para empresários do setor, o episódio gera prejuízos de imagem e queda no movimento. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) deve se manifestar oficialmente sobre o impacto da crise no setor.


Como identificar e evitar bebidas adulteradas

Especialistas em saúde pública recomendam que consumidores estejam atentos a alguns sinais:

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No estabelecimento

  • Verificar a procedência das bebidas;
  • Preferir locais que emitem nota fiscal;
  • Desconfiar de preços muito abaixo do mercado.

No consumo

  • Observar cheiro e sabor da bebida: o metanol pode ter odor mais forte e incomum;
  • Interromper o consumo em caso de gosto estranho ou sensação de ardência fora do normal;
  • Buscar atendimento médico imediato em caso de sintomas suspeitos.

Ações do governo e próximos passos

Investigação em andamento

O Cade já recolheu amostras e segue com análises laboratoriais para identificar os lotes adulterados.

Reforço da fiscalização

As secretarias de Saúde e da Segurança Pública intensificaram inspeções em bares, adegas e distribuidores. O objetivo é rastrear a origem do metanol usado na adulteração.

Responsabilização criminal

Caso sejam confirmadas adulterações intencionais, os responsáveis podem responder por crime contra a saúde pública, com penas que incluem prisão.


Impactos sociais e jurídicos

Taça com bebida em festa de fim de ano.
Imagem: Guschenkova / shutterstock

Para as vítimas

Famílias de pessoas afetadas por intoxicação já estudam ações judiciais por indenização contra os estabelecimentos envolvidos.

Para o setor de bares

Especialistas afirmam que a crise pode acelerar debates sobre regulação mais rígida e sobre a necessidade de rastreabilidade total das bebidas alcoólicas no Brasil.


Considerações finais

O caso da caipirinha suspeita no Jardim Paulista expõe um problema grave: a adulteração de bebidas alcoólicas com metanol, substância que já causou três mortes confirmadas em São Paulo.

Apesar de garantirem que as bebidas suspeitas foram retiradas, os bares enfrentam desconfiança dos consumidores e aumento da pressão por fiscalização.

O episódio alerta para a importância da responsabilidade no consumo de bebidas e da atuação rigorosa dos órgãos de controle. Até que os resultados das investigações sejam concluídos, a recomendação é de cautela e atenção redobrada por parte da população.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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