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Banco do Brasil (BBAS3) ‘sangra’ e deve não cumprir meta de lucro, segundo JPMorgan

JPMorgan reduz projeções de lucro do BB no 3T25, aponta riscos com a Argentina e o agro, mas vê alívio via BB Seguridade.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário cada vez mais desafiador. Após registrar uma queda expressiva de mais de 50% no lucro nos últimos trimestres, a instituição agora sofre novas pressões que podem comprometer o resultado do terceiro trimestre de 2025 (3T25) — e, por consequência, a meta anual de lucro estabelecida para este ano.

Em relatório divulgado nesta semana, o JPMorgan destacou que, além da inadimplência persistente no agronegócio e de um ambiente mais duro em termos de regulação e crédito, o desempenho do Banco Patagônia, subsidiária do BB na Argentina, surge como novo fator de deterioração nos resultados consolidados.

A previsão do banco americano é de queda de 4% no lucro recorrente do Banco do Brasil em relação ao segundo trimestre e 7% abaixo do consenso da Bloomberg, o que eleva o sinal de alerta no mercado.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A pressão da Argentina: Patagônia vira peso no balanço

Banco Patagônia: impacto desproporcional

Embora represente apenas 12% do lucro consolidado no primeiro semestre de 2025, o Banco Patagônia, controlado pelo BB na Argentina, passou a preocupar os analistas diante do cenário econômico e político instável no país vizinho.

A derrota do partido de Javier Milei nas eleições locais, combinada com indicadores econômicos em deterioração — como inflação elevada, fuga de capitais e perda de reservas —, tem gerado pressões sobre as operações bancárias, com destaque para:

  • Aumento no custo de captação em pesos;
  • Redução nas margens financeiras;
  • Maior risco de crédito nas carteiras corporativas e varejistas.

Segundo o JPMorgan, mesmo sendo um ativo periférico na estrutura do BB, a deterioração na Argentina contribui para a revisão negativa no desempenho consolidado do grupo.

JPMorgan corta projeções e coloca guidance em dúvida

Nova estimativa de lucro: R$ 3,6 bilhões no 3T25

O relatório do JPMorgan reduziu a projeção de lucro recorrente do Banco do Brasil para o terceiro trimestre de 2025 em 16%, chegando a R$ 3,6 bilhões. Isso representa:

  • Queda de 4% em relação ao lucro ajustado do 2T25;
  • 7% abaixo da mediana das projeções compiladas pela Bloomberg;
  • Um número bem distante da expectativa de estabilidade demonstrada por parte dos investidores estrangeiros.

Risco no cumprimento da meta anual

O guidance do BB para 2025 prevê um lucro entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões. Com a atual dinâmica, o JPMorgan questiona a capacidade do banco de entregar ao menos o piso da meta:

“Acreditamos que há risco de não cumprimento da meta, considerando o ritmo atual”, afirma o relatório.

Para alcançar R$ 21 bilhões até o fim do ano, o banco teria que registrar um lucro excepcional no 4T25, o que dependeria de melhora simultânea no agro, redução de inadimplência e estabilização do cenário externo.

Agro continua como o grande calcanhar de Aquiles

Inadimplência e risco moral

O agronegócio segue como o maior foco de preocupação. A inadimplência no setor rural, associada à MP 1.314/2025, tem alimentado um ambiente de risco moral entre produtores, que estariam adiando pagamentos na expectativa de renegociação oficial das dívidas.

A Medida Provisória — que ainda não avançou no Congresso Nacional — autoriza a renegociação de dívidas do agro, mas a indefinição tem travado o mercado de crédito, especialmente nas operações de risco moderado.

Migração para estágio 3

Segundo o JPMorgan, o BB deve registrar R$ 16,2 bilhões em provisões para devedores duvidosos (PDD) no trimestre, com a possibilidade de migração de operações do estágio 2 (risco moderado) para o estágio 3 (inadimplência efetiva).

Essa movimentação impacta diretamente o resultado operacional e pressiona a margem financeira, principalmente entre micro e pequenas empresas agrícolas.

BB Seguridade surge como fator de equilíbrio

bb seguridade
Imagem:T. Schneider / Shutterstock.com

Se por um lado o cenário geral é de maior cautela, por outro, a BB Seguridade (BBSE3) pode amenizar os impactos negativos no resultado consolidado.

Boas perspectivas com base em dados da Susep

De acordo com os dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), a BB Seguridade vem mostrando:

  • Crescimento nas receitas de prêmios;
  • Melhora na sinistralidade;
  • Desempenho sólido em previdência e capitalização.

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Esses dados indicam que a seguradora, braço do BB no setor de seguros, deve apresentar um bom trimestre, ajudando a sustentar parte do resultado financeiro e protegendo o banco contra oscilações mais severas nos demais segmentos.

Margem financeira líquida (NIM) também em recuperação

Outro ponto positivo é a recuperação da margem financeira líquida (NIM), que já havia mostrado melhora no segundo trimestre. A continuidade desse movimento pode amortecer parcialmente o efeito do aumento nas provisões e da piora no desempenho das operações internacionais.

Sentimento dos investidores: ceticismo crescente

O relatório do JPMorgan ainda destaca uma divergência entre os investidores estrangeiros e locais quanto às expectativas para o BB.

  • Investidores estrangeiros ainda apostam em estabilidade e resiliência da estatal, mesmo com as adversidades.
  • Já o “buy side” brasileiro mostra maior pessimismo, projetando números mais fracos que os registrados no segundo trimestre.

Essa percepção reflete o impacto de eventos recentes, como:

  • A frustração com o Investor Day do BB, que não apresentou gatilhos claros de crescimento;
  • A teleconferência com analistas, que trouxe mais dúvidas do que convicções sobre o futuro próximo.

Desempenho da ação e perspectivas para BBAS3

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Apesar do cenário desafiador, o JPMorgan mantém recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 24 até dezembro de 2026.

Valuation e múltiplos

  • A ação está sendo negociada a 0,7x o valor patrimonial projetado para 2025;
  • O múltiplo de lucro estimado para 2026 é de 4,3x, o que pode indicar potencial de valorização, caso haja retomada na geração de resultados.

Influência política e eleições de 2026

O banco também destaca que o ciclo político-eleitoral poderá influenciar o desempenho da ação, uma vez que o BB é uma instituição estatal com papel estratégico no governo.

Analistas apontam que, mais perto das eleições de 2026, a ação pode reagir positivamente à expectativa de mudança ou continuidade de diretrizes administrativas, principalmente se houver sinalizações de maior eficiência ou autonomia de gestão.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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