O Banco do Brasil (BBAS3) enfrenta um cenário cada vez mais desafiador. Após registrar uma queda expressiva de mais de 50% no lucro nos últimos trimestres, a instituição agora sofre novas pressões que podem comprometer o resultado do terceiro trimestre de 2025 (3T25) — e, por consequência, a meta anual de lucro estabelecida para este ano.
Banco do Brasil (BBAS3) ‘sangra’ e deve não cumprir meta de lucro, segundo JPMorgan
JPMorgan reduz projeções de lucro do BB no 3T25, aponta riscos com a Argentina e o agro, mas vê alívio via BB Seguridade.
Em relatório divulgado nesta semana, o JPMorgan destacou que, além da inadimplência persistente no agronegócio e de um ambiente mais duro em termos de regulação e crédito, o desempenho do Banco Patagônia, subsidiária do BB na Argentina, surge como novo fator de deterioração nos resultados consolidados.
A previsão do banco americano é de queda de 4% no lucro recorrente do Banco do Brasil em relação ao segundo trimestre e 7% abaixo do consenso da Bloomberg, o que eleva o sinal de alerta no mercado.
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A pressão da Argentina: Patagônia vira peso no balanço
Banco Patagônia: impacto desproporcional
Embora represente apenas 12% do lucro consolidado no primeiro semestre de 2025, o Banco Patagônia, controlado pelo BB na Argentina, passou a preocupar os analistas diante do cenário econômico e político instável no país vizinho.
A derrota do partido de Javier Milei nas eleições locais, combinada com indicadores econômicos em deterioração — como inflação elevada, fuga de capitais e perda de reservas —, tem gerado pressões sobre as operações bancárias, com destaque para:
- Aumento no custo de captação em pesos;
- Redução nas margens financeiras;
- Maior risco de crédito nas carteiras corporativas e varejistas.
Segundo o JPMorgan, mesmo sendo um ativo periférico na estrutura do BB, a deterioração na Argentina contribui para a revisão negativa no desempenho consolidado do grupo.
JPMorgan corta projeções e coloca guidance em dúvida
Nova estimativa de lucro: R$ 3,6 bilhões no 3T25
O relatório do JPMorgan reduziu a projeção de lucro recorrente do Banco do Brasil para o terceiro trimestre de 2025 em 16%, chegando a R$ 3,6 bilhões. Isso representa:
- Queda de 4% em relação ao lucro ajustado do 2T25;
- 7% abaixo da mediana das projeções compiladas pela Bloomberg;
- Um número bem distante da expectativa de estabilidade demonstrada por parte dos investidores estrangeiros.
Risco no cumprimento da meta anual
O guidance do BB para 2025 prevê um lucro entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões. Com a atual dinâmica, o JPMorgan questiona a capacidade do banco de entregar ao menos o piso da meta:
“Acreditamos que há risco de não cumprimento da meta, considerando o ritmo atual”, afirma o relatório.
Para alcançar R$ 21 bilhões até o fim do ano, o banco teria que registrar um lucro excepcional no 4T25, o que dependeria de melhora simultânea no agro, redução de inadimplência e estabilização do cenário externo.
Agro continua como o grande calcanhar de Aquiles
Inadimplência e risco moral
O agronegócio segue como o maior foco de preocupação. A inadimplência no setor rural, associada à MP 1.314/2025, tem alimentado um ambiente de risco moral entre produtores, que estariam adiando pagamentos na expectativa de renegociação oficial das dívidas.
A Medida Provisória — que ainda não avançou no Congresso Nacional — autoriza a renegociação de dívidas do agro, mas a indefinição tem travado o mercado de crédito, especialmente nas operações de risco moderado.
Migração para estágio 3
Segundo o JPMorgan, o BB deve registrar R$ 16,2 bilhões em provisões para devedores duvidosos (PDD) no trimestre, com a possibilidade de migração de operações do estágio 2 (risco moderado) para o estágio 3 (inadimplência efetiva).
Essa movimentação impacta diretamente o resultado operacional e pressiona a margem financeira, principalmente entre micro e pequenas empresas agrícolas.
BB Seguridade surge como fator de equilíbrio

Se por um lado o cenário geral é de maior cautela, por outro, a BB Seguridade (BBSE3) pode amenizar os impactos negativos no resultado consolidado.
Boas perspectivas com base em dados da Susep
De acordo com os dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), a BB Seguridade vem mostrando:
- Crescimento nas receitas de prêmios;
- Melhora na sinistralidade;
- Desempenho sólido em previdência e capitalização.
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Esses dados indicam que a seguradora, braço do BB no setor de seguros, deve apresentar um bom trimestre, ajudando a sustentar parte do resultado financeiro e protegendo o banco contra oscilações mais severas nos demais segmentos.
Margem financeira líquida (NIM) também em recuperação
Outro ponto positivo é a recuperação da margem financeira líquida (NIM), que já havia mostrado melhora no segundo trimestre. A continuidade desse movimento pode amortecer parcialmente o efeito do aumento nas provisões e da piora no desempenho das operações internacionais.
Sentimento dos investidores: ceticismo crescente
O relatório do JPMorgan ainda destaca uma divergência entre os investidores estrangeiros e locais quanto às expectativas para o BB.
- Investidores estrangeiros ainda apostam em estabilidade e resiliência da estatal, mesmo com as adversidades.
- Já o “buy side” brasileiro mostra maior pessimismo, projetando números mais fracos que os registrados no segundo trimestre.
Essa percepção reflete o impacto de eventos recentes, como:
- A frustração com o Investor Day do BB, que não apresentou gatilhos claros de crescimento;
- A teleconferência com analistas, que trouxe mais dúvidas do que convicções sobre o futuro próximo.
Desempenho da ação e perspectivas para BBAS3

Apesar do cenário desafiador, o JPMorgan mantém recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil, com preço-alvo de R$ 24 até dezembro de 2026.
Valuation e múltiplos
- A ação está sendo negociada a 0,7x o valor patrimonial projetado para 2025;
- O múltiplo de lucro estimado para 2026 é de 4,3x, o que pode indicar potencial de valorização, caso haja retomada na geração de resultados.
Influência política e eleições de 2026
O banco também destaca que o ciclo político-eleitoral poderá influenciar o desempenho da ação, uma vez que o BB é uma instituição estatal com papel estratégico no governo.
Analistas apontam que, mais perto das eleições de 2026, a ação pode reagir positivamente à expectativa de mudança ou continuidade de diretrizes administrativas, principalmente se houver sinalizações de maior eficiência ou autonomia de gestão.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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