O Bradesco BBI revisou sua recomendação para as ações da Azul (AZUL4), ajustando-a de outperform para marketperform. Essa mudança indica uma postura mais prudente em relação ao potencial de valorização dos papéis da companhia aérea no curto e médio prazo. A decisão reflete preocupações crescentes sobre a necessidade de uma possível reestruturação financeira da empresa devido aos desafios enfrentados recentemente.
Contexto da reavaliação pelo Bradesco BBI

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Segundo relatório divulgado pelo banco, o cenário para a Azul vem se complicando com atrasos no financiamento governamental esperado e informações sobre negociações da companhia com credores, que visam garantir suporte financeiro caso um processo de recuperação judicial seja necessário. A referência feita é ao modelo americano Chapter 11, que permite a reestruturação de dívidas sob supervisão judicial.
Atrasos no financiamento e negociações com credores
A Azul enfrentou dificuldades para assegurar os recursos prometidos pelo governo, uma linha de crédito que poderia liberar até R$ 2 bilhões para garantir novas dívidas e aliviar a pressão sobre o caixa da companhia. No entanto, a liberação desses fundos vem sofrendo sucessivos adiamentos, aumentando as incertezas quanto à saúde financeira da empresa.
Ao mesmo tempo, surgiram informações sobre conversas entre a Azul e seus credores para viabilizar um eventual suporte financeiro. A companhia nega formalmente que tenha iniciado negociação para um financiamento de US$ 600 milhões, mas admite estar em constante avaliação de alternativas para preservar a liquidez.
Desempenho financeiro recente e impacto no fluxo de caixa
Os resultados do primeiro trimestre de 2025 mostraram um desempenho aquém do esperado, com o EBITDA da Azul apresentando queda de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impactado significativamente pela desvalorização de 18% do real frente ao dólar, além de desafios operacionais que comprometeram as receitas.
Queima de caixa e posição de liquidez
A empresa reportou uma queima de caixa operacional de R$ 313 milhões no trimestre, encerrando o período com um saldo de caixa de R$ 655 milhões, o que representa uma queda de 49% em relação ao trimestre anterior. Essa redução expressiva no caixa aumenta a vulnerabilidade financeira e a dependência de novas fontes de recursos.
A baixa adesão à recente oferta de ações para conversão de US$ 275 milhões em notas com vencimento entre 2029 e 2030 também limitou a capacidade da Azul de transformar outros US$ 100 milhões em dívidas, fator que restringe ainda mais sua flexibilidade financeira.
Projeções e perspectivas para 2025
O Bradesco BBI revisou suas estimativas para o EBITDA da Azul em 2025, ajustando a previsão para R$ 7,1 bilhões, valor alinhado ao consenso do mercado. No entanto, a avaliação geral é de que o fluxo de caixa da empresa permanecerá pressionado ao longo do ano, especialmente até que o governo libere a garantia prometida para novos financiamentos.
Nova meta para o preço das ações
Com base nas condições atuais, o banco revisou a recomendação para marketperform e reduziu a meta para o preço das ações da Azul para R$ 1,30, refletindo a expectativa de que a empresa precise converter cerca de R$ 3 bilhões em dívidas com base nos preços de mercado atuais. Esse processo deverá causar uma diluição significativa para os acionistas atuais.
Impactos para acionistas e mercado

A possível necessidade de uma reestruturação financeira e a conversão expressiva de dívidas indicam que os acionistas da Azul podem enfrentar perdas relacionadas à diluição de suas participações e à desvalorização das ações.
Além disso, o ambiente de negócios para companhias aéreas no Brasil segue desafiador, marcado por custos elevados, volatilidade cambial e incertezas regulatórias, o que reforça a cautela recomendada pelo Bradesco BBI.
FAQ – Perguntas frequentes
O que significa a recomendação marketperform do Bradesco BBI?
Marketperform indica que a ação tem expectativa de desempenho em linha com a média do mercado, sugerindo uma posição neutra em relação à compra ou venda.
Por que o Bradesco BBI cortou a recomendação para as ações da Azul?
O corte ocorreu devido ao aumento do risco de que a Azul precise passar por uma nova reestruturação financeira, causada por atrasos no financiamento governamental e desafios operacionais.
Como o câmbio afetou os resultados da Azul no primeiro trimestre de 2025?
A desvalorização de 18% do real frente ao dólar aumentou os custos operacionais da Azul, pressionando negativamente o EBITDA e o fluxo de caixa.
Quais são as expectativas para a liquidez da Azul?
A liquidez depende da liberação de até R$ 2 bilhões por parte do governo, mas essa liberação tem sido repetidamente adiada, mantendo a situação financeira pressionada.
Considerações finais
A decisão do Bradesco BBI de rebaixar a recomendação das ações da Azul e o alerta para uma possível reestruturação financeira destacam um momento crítico para a empresa. O atraso no financiamento governamental e os desafios operacionais reforçam a necessidade de medidas estratégicas urgentes para garantir a sustentabilidade da companhia.
A atenção dos investidores deverá permanecer voltada para as movimentações da Azul nas próximas semanas, especialmente quanto à liberação dos recursos prometidos pelo governo e o desdobramento das negociações com credores.
