O Banco Central (BC) publicou nesta quinta-feira a Resolução BCB nº 501, que altera a Resolução nº 142/2021 e estabelece novas medidas de combate a fraudes no sistema financeiro.
A partir de agora, todas as instituições financeiras e de pagamento deverão rejeitar transferências destinadas a contas suspeitas de envolvimento em fraudes, independentemente do instrumento de pagamento utilizado.
BC reforça combate a fraudes e exige que bancos rejeitem transações suspeitas
O Banco Central (BC) aprovou norma que obriga instituições financeiras a rejeitarem transferências para contas suspeitas de fraude.
A norma tem vigência imediata, mas os bancos e fintechs terão até 13 de outubro de 2025 para implementar integralmente os ajustes em seus sistemas.
Regras principais da nova norma

Transações bloqueadas em contas suspeitas
As instituições deverão barrar qualquer transferência para contas de depósito à vista, poupança ou pré-pagas quando houver fundada suspeita de fraude. Isso inclui pagamentos via Pix, TED, DOC e cartões.
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Comunicação ao cliente
Em caso de bloqueio, a instituição terá de comunicar o titular da conta, informando os motivos da rejeição.
Fontes de informação
Para identificar contas fraudulentas, os bancos poderão usar:
- Sistemas eletrônicos internos de monitoramento
- Bases de dados públicas e privadas
- Alertas de autoridades e órgãos de segurança
Por que o Banco Central tomou essa decisão
O objetivo é interromper o fluxo de recursos destinados a contas controladas por fraudadores. Segundo o BC, essa é uma das estratégias mais eficazes para reduzir golpes digitais e lavagem de dinheiro.
Impacto esperado
- Dificultar a movimentação de valores ilícitos
- Acelerar a recuperação de recursos desviados
- Facilitar investigações criminais
- Reduzir a capacidade de criminosos de pulverizar dinheiro em várias contas
Conexão com ataques recentes ao sistema financeiro
Nos últimos meses, o BC identificou uma escalada de ataques cibernéticos a instituições financeiras.
Entre os casos mais relevantes estão:
- Monbank: prejuízo de R$ 4,9 milhões
- Sinqia: perdas estimadas em R$ 710 milhões
- C&M Software: prejuízo próximo de R$ 1 bilhão
Embora nem todos os ataques tenham atingido diretamente a infraestrutura do Pix, eles expuseram fragilidades que poderiam ser exploradas pelo crime organizado.
O limite de R$ 15 mil por transação
Além da rejeição de contas suspeitas, o BC anunciou um novo limite de R$ 15 mil para operações de Pix e TED realizadas por instituições não autorizadas diretamente pelo Banco Central.
Quem será afetado
- Fintechs de pequeno porte que utilizam bancos maiores para processar transações
- Cerca de 0,03% das contas do sistema
Motivo da medida
A nova restrição dificulta grandes desvios em uma única operação, obrigando criminosos a realizar várias transações menores — o que facilita o rastreamento e a detecção.
Envolvimento do crime organizado e operações policiais
A resolução também está ligada a investigações recentes sobre a infiltração de facções criminosas no sistema financeiro.
Operação Carbono Oculto
A Polícia Federal revelou que o PCC (Primeiro Comando da Capital) usou postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento em um esquema de fraude e lavagem de dinheiro.
O esquema teria movimentado R$ 52 bilhões em quatro anos.
Ações coordenadas
O BC afirma que a resolução faz parte de um conjunto de medidas anunciadas em setembro de 2025 para reforçar os protocolos de segurança do Sistema Financeiro Nacional.
Igualdade de tratamento para bancos e fintechs
Até recentemente, havia um descompasso regulatório entre bancos tradicionais e fintechs.
Agora, ambas as categorias estão sujeitas às mesmas exigências de prevenção a fraudes.
A Receita Federal também passou a exigir que fintechs informem detalhadamente todas as movimentações financeiras, ampliando o alcance da fiscalização.
Como as instituições financeiras devem se preparar
Ajustes obrigatórios até outubro de 2025
As instituições terão de:
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- Atualizar sistemas de monitoramento de transações
- Integrar bases de dados externas para consultas em tempo real
- Estabelecer protocolos de comunicação com clientes
- Reforçar equipes de compliance e prevenção a fraudes
Desafios para fintechs
As empresas menores terão maior dificuldade em absorver os custos dessas adaptações, podendo levar a um movimento de consolidação do setor.
Impacto para os usuários do sistema financeiro
Para o cliente comum, a norma pode trazer mais segurança, mas também alguns inconvenientes.
Benefícios
- Redução de golpes financeiros
- Maior agilidade na recuperação de valores desviados
- Transparência na comunicação em caso de bloqueios
Possíveis dificuldades
- Rejeição de transferências legítimas por falsos positivos
- Necessidade de contato com a instituição para esclarecimentos
- Ajustes nos limites de operação via fintechs menores
Perspectivas do Banco Central

O BC acredita que, com essas medidas, será possível reduzir drasticamente as brechas exploradas por criminosos digitais.
Além disso, a norma demonstra que a regulação brasileira busca acompanhar a evolução tecnológica do setor financeiro, sem comprometer a inovação.
FAQ – Perguntas frequentes
Quais meios de pagamento estão incluídos?
A regra vale para todos: Pix, TED, DOC, cartões de débito e crédito, além de contas pré-pagas.
Quando a norma entra em vigor?
Ela já está em vigor, mas os sistemas devem estar totalmente adaptados até 13 de outubro de 2025.
O que acontece se minha transferência for bloqueada por engano?
O banco deverá comunicar o titular da conta. O cliente pode entrar em contato para esclarecimentos e contestação.
Qual o novo limite para Pix e TED?
Há um limite de R$ 15 mil por operação quando a transação é feita por instituições não autorizadas diretamente pelo BC.
As fintechs serão mais afetadas?
Sim, especialmente as de pequeno porte, que precisarão investir em tecnologia e compliance para se adequar às exigências.
Considerações finais
Com a adaptação obrigatória até 13 de outubro de 2025, o BC espera reduzir significativamente os riscos associados a transferências digitais e aumentar a confiança dos consumidores em meios de pagamento como Pix e TED. No longo prazo, a medida também deve fortalecer o combate ao crime organizado, alinhando o Brasil às práticas internacionais de segurança financeira.
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