Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Novo sistema de financiamento da casa própria? Entenda os planos do BC

O Banco Central (BC) estuda alterar de forma significativa o modelo de financiamento habitacional no Brasil, com mudanças previstas para entrarem em fase de testes já em 2026. A proposta tem como objetivo modernizar o uso dos recursos da poupança, que hoje representam a principal fonte de crédito para quem deseja comprar a casa própria. […]

Avatar de Juliana Peixoto Juliana Peixoto · · 5 min de leitura
Programa

O Banco Central (BC) estuda alterar de forma significativa o modelo de financiamento habitacional no Brasil, com mudanças previstas para entrarem em fase de testes já em 2026. A proposta tem como objetivo modernizar o uso dos recursos da poupança, que hoje representam a principal fonte de crédito para quem deseja comprar a casa própria.

Embora a iniciativa seja vista como um avanço, o setor da construção civil demonstra cautela e defende um período de transição antes da implementação definitiva, para evitar impactos na disponibilidade de crédito imobiliário.

Leia Mais:

Formalize seu negócio: passo a passo para abrir MEI pelo Portal do Empreendedor


O que muda no financiamento habitacional

imóvel imóveis financiamento imobiliário apartamentos classe média leilão
Imagem: Photomix Company/Pexels

Atualmente, o sistema obriga os bancos a destinarem 65% dos recursos captados pela caderneta de poupança para o crédito imobiliário. Outros 20% ficam retidos no Banco Central como depósito compulsório, e os 15% restantes podem ser aplicados livremente pelas instituições financeiras.

O novo modelo propõe uma lógica diferente:

  • Para cada real concedido em financiamento habitacional, o banco teria acesso ao mesmo valor da poupança para uso livre, válido por cinco anos.
  • Após esse prazo, seria necessário conceder novo crédito habitacional para renovar o acesso aos recursos.

Segundo o BC, a medida permitiria maior flexibilidade ao sistema bancário, sem prejudicar a oferta de crédito habitacional.


Posição do setor da construção civil

Preocupações com os recursos

Representantes da Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC), da Associação de Incorporadoras (Abrainc) e do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) estiveram reunidos com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e com o diretor de Regulação, Gilneu Vivan.

A principal preocupação é que a transição brusca comprometa a oferta de recursos para projetos imobiliários. Por isso, as entidades sugerem um período de testes com 5 pontos percentuais dos compulsórios que ficam retidos no BC, já a partir de janeiro de 2026. Essa parcela seguiria a nova lógica, enquanto o restante continuaria no modelo atual.

Modernização gradual

Para Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, a mudança pode representar uma modernização necessária do crédito imobiliário, mas deve ser feita de forma gradual.

“A expectativa é que haja mais recursos para crédito habitacional a custo menor, mas sem mudanças abruptas. O BC e o setor vão monitorar os efeitos da liberação dos compulsórios”, afirmou Wertheim.

Ele reforçou que os bancos que acessarem os novos recursos estarão obrigados a destiná-los ao financiamento habitacional, como condição essencial do programa.


Condições propostas para os financiamentos

O Ministério das Cidades defende que os novos contratos sigam as mesmas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH):

  • Taxa de juros limitada a 12% ao ano mais a TR;
  • Financiamento restrito a imóveis de até R$ 1,5 milhão.

Além disso, há estudos para que 80% dos recursos liberados sejam destinados a imóveis residenciais, novos ou usados, e os 20% restantes a imóveis comerciais.


Simulações do governo

Bancos BC
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Expansão do crédito disponível

Simulações feitas por técnicos do governo mostram que a exigência de aplicação dos bancos em crédito imobiliário poderia saltar de R$ 90 bilhões para R$ 200 bilhões em dois anos com o novo modelo.

Para o BC, essa transição seria suave e poderia ser concluída em até 10 anos, garantindo estabilidade ao setor financeiro e ao mercado imobiliário.

Correção do limite de financiamento

Durante a reunião, também foi discutida a possibilidade de corrigir o teto de imóveis elegíveis ao SFH, atualmente em R$ 1,5 milhão. O setor considera o valor defasado e defende que ele seja atualizado por algum índice inflacionário.


Próximos passos do Banco Central

Período de testes em 2026

Renato de Sousa Correia, presidente da CBIC, afirmou que o BC sinalizou a possibilidade de iniciar o período de testes em 2026, sem detalhar ainda a operacionalização.

Segundo ele, até 2027 o BC teria dados suficientes para avaliar os resultados e, a partir daí, decidir se o novo modelo será implementado integralmente.

Expectativa do mercado

O setor imobiliário aguarda mais informações oficiais do BC para entender o alcance das mudanças. Se bem-sucedida, a proposta poderá ampliar o crédito disponível para habitação, reduzir custos e modernizar o sistema.

Por outro lado, o desafio será equilibrar a liberdade dos bancos no uso dos recursos com a garantia de que haverá financiamento suficiente para atender à demanda crescente por moradia no país.


Conclusão

O novo modelo de financiamento habitacional em estudo pelo Banco Central representa uma das maiores mudanças no uso da poupança em décadas. Se implementado com sucesso, poderá aumentar significativamente o volume de crédito para aquisição da casa própria, favorecendo milhões de brasileiros.

No entanto, especialistas alertam que a transição precisa ser cuidadosa, evitando riscos à oferta de recursos para projetos imobiliários. O período de testes previsto para 2026 e 2027 será crucial para avaliar os impactos e ajustar o sistema antes da adoção definitiva.

Enquanto isso, construtoras, incorporadoras, bancos e consumidores acompanham de perto as discussões, que podem redefinir o futuro do mercado imobiliário no Brasil.

Imagem: Michael Dechev / Shutterstock.com

Compartilhar
Seu Crédito Digital

Descubra tudo que você tem direito

Benefícios, crédito e dinheiro esquecido: veja as ofertas e ferramentas que separamos para o seu perfil.