A tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) sofreu um revés após o Banco Central do Brasil (BC) rejeitar a operação, mesmo depois de ter sido aprovada por outros órgãos reguladores e pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Banco Master: BRB anuncia rescisão da compra após decisão do Banco Central
Banco Central rejeita compra do Banco Master pelo BRB, alegando riscos na estratégia do banco; operação já tinha aval do Cade e do GDF.
A decisão foi comunicada na noite de quarta-feira (3) pelo BRB, que informou ter solicitado acesso ao teor completo do documento para entender os fundamentos que embasaram a negativa.
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O que motivou a recusa do Banco Central

Segundo analistas do mercado financeiro, o principal ponto de atenção estaria na estratégia de captação de recursos utilizada pelo Banco Master nos últimos anos. A instituição ganhou notoriedade ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rentabilidades muito acima da média praticada por concorrentes, o que atraiu milhares de investidores interessados em retornos elevados e garantidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Esse modelo de captação, considerado agressivo, levantou dúvidas quanto à sustentabilidade do crescimento da instituição e ao risco sistêmico que poderia gerar caso enfrentasse dificuldades de liquidez. Em julho, inclusive, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o próprio Banco Central aprovaram novas regras para o uso do FGC, em parte como resposta a práticas semelhantes.
O acordo entre BRB e Banco Master
Estrutura da negociação
O contrato assinado em março deste ano previa que o BRB adquirisse 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Banco Master. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a operação em junho, sinalizando que não havia riscos concorrenciais significativos.
Apoio político e institucional
Por se tratar de uma instituição controlada majoritariamente pelo governo do Distrito Federal, o BRB precisou também de aval legislativo. Após debates e questionamentos do Ministério Público do DF, a Câmara Legislativa aprovou a operação, posteriormente sancionada pelo governador Ibaneis Rocha. O movimento foi visto como um passo estratégico para fortalecer o banco estatal e ampliar sua presença no mercado nacional.
Expectativas do BRB
Em nota, o BRB ressaltou que a compra representaria “uma oportunidade estratégica de geração de valor para o banco, seus clientes, o Distrito Federal e o Sistema Financeiro Nacional”. A instituição ainda avalia alternativas jurídicas e administrativas para recorrer da decisão do Banco Central.
A reação do Banco Master
O Banco Master também se manifestou após a decisão do BC, declarando que aguarda acesso ao documento completo para entender os motivos da recusa. Em comunicado, a instituição reforçou confiança em sua estratégia e destacou o desempenho recente em um mercado altamente concentrado. O banco defende que seu crescimento demonstra a viabilidade de seu modelo de negócios, ainda que este tenha sido classificado como arriscado por especialistas.
Impactos no setor financeiro

Repercussão entre analistas
A rejeição da compra pelo Banco Central repercutiu de forma imediata no mercado. Especialistas avaliam que a decisão sinaliza uma postura mais rigorosa da autarquia em relação a modelos de captação considerados excessivamente arriscados, mesmo quando há garantias formais como as do FGC.
Reflexos sobre o BRB
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Para o BRB, a negativa representa um entrave em sua estratégia de expansão. A instituição, que vem crescendo nos últimos anos e ampliando sua atuação para além do Distrito Federal, via na aquisição do Master uma oportunidade de diversificação de portfólio e fortalecimento de sua base de clientes.
O papel do FGC nas decisões regulatórias
O Fundo Garantidor de Créditos, criado para proteger investidores em caso de falência de instituições financeiras, tem sido alvo de atenção após práticas de bancos médios e pequenos que oferecem taxas muito acima do mercado. Com a nova regulamentação, o BC e o CMN buscam reduzir riscos de desequilíbrio no sistema.
Perspectivas para o futuro da negociação
Caminhos possíveis
Ainda não está claro se o BRB poderá recorrer da decisão ou apresentar ajustes na proposta para tentar uma nova aprovação. A depender da fundamentação do Banco Central, o caso pode se encerrar ou seguir para disputas administrativas e judiciais.
Desafios para o Banco Master
Sem a venda, o Banco Master permanece independente e terá de enfrentar o desafio de sustentar seu modelo de negócios em meio às novas regras impostas ao setor. A instituição precisará buscar alternativas de captação e manter a confiança de seus investidores em um cenário de maior vigilância regulatória.
Impacto político e institucional
A decisão também coloca em xeque a articulação política que envolveu o governo do Distrito Federal, a Câmara Legislativa e o próprio governador Ibaneis Rocha. O episódio reforça a autonomia do Banco Central como regulador do sistema financeiro, mesmo diante de apoios políticos e aval de outros órgãos.

