Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Banco central anuncia fim do Drex, e confirma nova versão da moeda digital

Banco Central desativa o Drex após falhas em blockchain e inicia nova fase de desenvolvimento digital. Entenda os motivos e o futuro do projeto.

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
DREX

O Banco Central do Brasil (BC) decidiu encerrar oficialmente o projeto Drex, a moeda digital que vinha sendo desenvolvida desde 2021, e dará início à criação de uma nova infraestrutura tecnológica.

A decisão, que será formalizada na próxima segunda-feira (10), representa uma mudança profunda na estratégia de digitalização do sistema financeiro nacional.

Segundo informações do portal especializado Blocknews, o BC concluiu que a tecnologia blockchain Hyperledger Besu, usada no projeto, não atendeu aos padrões de privacidade e segurança exigidos para transações financeiras em larga escala.

A partir dessa constatação, a autoridade monetária decidiu desligar a atual plataforma e reiniciar o projeto do zero, com foco em novas tecnologias e casos de uso mais compatíveis com a realidade do mercado brasileiro.

Leia mais:

O perigo real do Drex (real digital) para as finanças brasileiras


O fim do Drex: o que motivou a decisão do Banco Central

drex
Imagem: Reprodução/Canva.com

O Drex foi lançado com a promessa de modernizar a economia digital brasileira, atuando como uma versão digital do real (CBDC – Central Bank Digital Currency). Contudo, após quatro anos de testes e duas fases de pilotos, o BC concluiu que a infraestrutura escolhida não garantiu a privacidade e o sigilo das transações financeiras.

Durante os testes, a equipe técnica identificou vulnerabilidades críticas no sistema de rastreamento e anonimização de dados. Embora o modelo baseado em blockchain tenha oferecido transparência e rastreabilidade, ele também expôs informações sensíveis dos usuários e das instituições participantes.

De acordo com fontes ouvidas pelo Blocknews, o Hyperledger Besu não se mostrou adequado para um sistema financeiro que exige sigilo bancário absoluto, o que inviabilizou o avanço do Drex na forma como foi concebido.

“O Banco Central pretende agora recomeçar do zero, priorizando a segurança e a privacidade desde o início do desenvolvimento”, relatou uma das fontes que participou das reuniões internas do BC.


Mudança de rota e nova liderança no BC

A descontinuação do Drex também simboliza uma mudança de orientação política e tecnológica no Banco Central. O projeto havia sido criado e impulsionado durante a gestão de Roberto Campos Neto, que via na moeda digital um dos pilares da modernização financeira brasileira, ao lado do Pix e do Open Finance.

Com a chegada de Gabriel Galípolo à presidência do BC, a prioridade mudou. Fontes da autarquia afirmam que Galípolo vem reavaliando todos os projetos estruturantes herdados da gestão anterior, buscando eficiência operacional e sustentabilidade tecnológica.

Segundo o Broadcast, agência de notícias do Grupo Estado, o Drex vinha perdendo protagonismo desde o início do segundo semestre de 2025, com cortes orçamentários e deslocamento de técnicos para outras frentes, como inteligência artificial e integração do Pix com o Open Finance.


O papel de Roberto Campos Neto e as críticas ao novo rumo

Mesmo fora do comando do Banco Central, o agora vice-chairman do Nubank, Roberto Campos Neto, continua acompanhando os desdobramentos do Drex. Em recente evento do Lide, realizado em 31 de outubro, ele afirmou que o projeto não deveria se limitar a gravames (registros de garantias), defendendo uma abordagem mais ampla e inovadora.

“O projeto não pode se limitar a um projeto de gravames. A gente está tentando trabalhar numa solução e ajudar o Banco Central a encontrar um novo caminho tecnológico”, afirmou Campos Neto, ao lado de Fábio Araújo, coordenador do Drex no BC.

As declarações foram interpretadas como uma tentativa de preservar o legado do Drex, que simbolizava o esforço de Campos Neto para posicionar o Brasil como líder em finanças digitais na América Latina.


Como será o novo projeto digital do Banco Central

De acordo com informações obtidas pelo Blocknews, a nova estratégia do Banco Central não envolverá, num primeiro momento, a definição de uma tecnologia específica. O BC pretende identificar casos de uso concretos antes de construir a nova infraestrutura.

Possíveis áreas de aplicação

Entre as áreas que devem ser priorizadas estão:

  • Open Finance — para integração de dados financeiros de forma segura;
  • Pix e pagamentos instantâneos, com foco em liquidação e interoperabilidade;
  • Tokenização de ativos, incluindo títulos públicos e privados;
  • Infraestrutura de dados financeiros, com padrões de privacidade reforçados.

O objetivo é desenvolver um ecossistema digital de finanças públicas e privadas, mais eficiente e flexível que o modelo blockchain testado anteriormente.


O impacto da decisão para o mercado financeiro e as empresas parceiras

O desligamento do Drex causou forte repercussão entre as instituições e fintechs que participaram das fases de teste do projeto. Empresas como Itaú, BTG Pactual, Santander, Microsoft, Visa e Vortx haviam investido recursos e equipes para adaptar suas soluções à plataforma do Banco Central.

Enquanto algumas empresas indicaram que continuarão a investir em tokenização e inovação financeira, aproveitando os aprendizados do Drex, outras decidiram reduzir investimentos e realocar recursos para projetos em inteligência artificial (IA) e análise preditiva de dados financeiros.

“O Drex foi uma experiência importante, mas mostrou que a tecnologia precisa ser repensada do ponto de vista de segurança e privacidade”, comentou um executivo de uma das instituições participantes.


O histórico do Drex: do Real Digital à reformulação total

drex
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

Criação e conceito

Apresentado oficialmente em agosto de 2023, o Drex surgiu como a versão digital do real, alinhada ao movimento global das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

O nome “Drex” foi criado para representar modernidade e inovação:

  • As letras “d” e “r” referiam-se a “Real Digital”;
  • O “e” simbolizava o eletrônico;
  • O “x” representava a conectividade tecnológica.

O projeto tinha como metas principais aumentar a eficiência nas transações financeiras, reduzir custos bancários e ampliar a inclusão digital no Brasil.


Fase piloto e limitações técnicas

Em 2023, o BC iniciou a fase piloto do Drex, testando tokenização de títulos públicos e liquidação de transações digitais. Nessa etapa, participaram 15 instituições financeiras, incluindo bancos e empresas de tecnologia.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Durante 2024, o projeto avançou para a segunda fase, que buscava aprimorar mecanismos de privacidade e interoperabilidade. No entanto, os relatórios técnicos mostraram que a tecnologia ainda não atingia o nível de maturidade necessário.

As principais falhas apontadas incluíam:

  • Riscos de rastreamento indevido de dados sensíveis;
  • Dificuldade em escalar a rede com segurança e eficiência;
  • Custos elevados de manutenção e infraestrutura;
  • Baixa performance em transações simultâneas.

Essas limitações levaram o BC a adiar o lançamento ao público, originalmente previsto para o fim de 2024.


Um novo futuro para o real digital

Com o fim da atual versão do Drex, o Banco Central planeja repensar completamente a abordagem da moeda digital brasileira.

Segundo técnicos da instituição, o novo modelo deverá preservar os princípios de digitalização e interoperabilidade, mas com foco redobrado em proteção de dados, sustentabilidade e integração com o sistema financeiro já existente.

A expectativa é que a nova iniciativa não receba o mesmo nome e seja lançada em formato experimental em 2026, já sob uma estrutura tecnológica distinta da blockchain atual.


Repercussão no cenário internacional

drex
Imagem: Freepik e Canva

O encerramento do Drex ocorre em um momento em que diversos bancos centrais do mundo revisam seus projetos de moedas digitais.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve ainda estuda o Digital Dollar; na União Europeia, o Euro Digital passa por consulta pública; e a China segue avançando com o e-CNY, o iuan digital.

O caso brasileiro mostra como os desafios de privacidade, governança e interoperabilidade continuam sendo barreiras significativas para a adoção de CBDCs em larga escala.


Conclusão: um recomeço para a inovação financeira no Brasil

O desligamento do Drex marca o fim de uma era experimental e o início de uma nova etapa de aprendizado e reconstrução tecnológica no Banco Central.

Embora a decisão represente um retrocesso momentâneo, especialistas consideram que ela é necessária para preservar a confiança do sistema financeiro e assegurar que futuras soluções digitais atendam aos padrões de privacidade e segurança exigidos por lei.

O BC agora terá o desafio de equilibrar inovação e prudência, buscando uma infraestrutura que seja eficiente, segura e inclusiva, sem repetir os erros do passado.

O novo projeto digital promete integrar o Pix, o Open Finance e a tokenização de ativos, consolidando o Brasil como um referencial global de modernização financeira sustentável.

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

Topicos relacionados