O Banco Central (BC) anunciou na sexta-feira (5) uma limitação de R$ 15 mil para operações via TED e Pix realizadas por instituições de pagamento não autorizadas e por aquelas que acessam a Rede do Sistema Financeiro Nacional por meio de Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI).
Banco Central limita valor do Pix e Ted em R$ 15 mil
Banco Central limita TED e Pix a R$ 15 mil para instituições de pagamento não autorizadas. Medida visa reforçar a segurança do sistema financeiro.
A decisão, de vigência imediata, busca reforçar a segurança do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em meio a uma onda de ataques cibernéticos ligados ao crime organizado.
Leia mais:
Cashback previsto na reforma tributária funcionará como o Pix; entenda
Por que o Banco Central adotou essa limitação?

Segundo o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, os ataques hackers recentes a instituições financeiras não são casos isolados, mas sim ações orquestradas pelo crime organizado.
“Antigamente, quando tinha assalto a um carro forte ou a um banco, você via fisicamente. Agora, como a coisa ficou virtual, ficou mais opaca e leva a esse receio. O tema da segurança não há margem para tolerância”, afirmou.
Ele também destacou que tanto grandes bancos tradicionais quanto as fintechs foram alvos dessas organizações criminosas.
Principais pontos da nova norma
Limite de R$ 15 mil
- O teto vale para transações via Pix e TED em instituições não autorizadas.
- A restrição pode ser removida caso o participante e o PSTI adotem processos de controle de segurança definidos pelo BC.
- Há possibilidade de dispensa temporária por até 90 dias se for comprovada a adoção de medidas de segurança adequadas.
Antecipação do prazo de autorização
- Nenhuma instituição de pagamento poderá operar sem prévia autorização.
- O prazo para regularização foi antecipado de dezembro de 2029 para maio de 2026.
Controles adicionais no Pix
- Apenas instituições dos segmentos S1, S2, S3 e S4, que não sejam cooperativas, poderão atuar como responsáveis pelo Pix em instituições não autorizadas.
- Contratos já firmados devem ser ajustados em até 180 dias.
Exigência de certificação técnica
- O BC poderá exigir avaliações independentes que atestem o cumprimento dos requisitos autorizativos.
- Empresas que tiverem o pedido de autorização negado deverão encerrar suas atividades em até 30 dias.
Reforço nas regras para PSTI
Os Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTI), que oferecem soluções de processamento de dados a instituições financeiras, também foram alvo das mudanças.
Exigência de capital mínimo
- Agora, PSTIs precisam comprovar capital social mínimo de R$ 15 milhões.
- O objetivo é garantir maior solidez financeira e capacidade de resposta a ataques cibernéticos.
Punições em caso de descumprimento
- O BC poderá aplicar medidas cautelares ou até mesmo descredenciar empresas que não cumprirem as regras.
- As mudanças entram em vigor imediatamente, mas os PSTIs já em operação têm até quatro meses para se adequar.
Empresas já afetadas
Nas últimas semanas, C&M Software e Sinqia estiveram no centro de ataques hackers, expondo fragilidades do sistema. A nova regulamentação busca justamente evitar que falhas semelhantes se repitam.
Impactos no setor financeiro e nas fintechs
Segurança em primeiro lugar
A decisão aumenta a camada de proteção contra fraudes e invasões digitais, que se tornaram cada vez mais sofisticadas.
Pressão sobre fintechs
As startups financeiras, que cresceram com base em agilidade e inovação, terão que investir mais em infraestrutura de segurança para continuar operando.
Bancos tradicionais também são afetados
Embora já sujeitos a regras rígidas, os bancos terão que revisar parcerias e contratos com instituições de pagamento e PSTIs para se enquadrar na nova regulamentação.
O que muda para os usuários?
Limite de transações
Para clientes de instituições não autorizadas, o teto de R$ 15 mil por TED ou Pix pode representar restrição em operações de alto valor.
Continuidade do serviço
Instituições que não conseguirem autorização do BC terão que encerrar operações rapidamente, o que pode afetar consumidores que utilizam suas plataformas.
Benefícios indiretos
Apesar das restrições, usuários terão mais segurança nas transações, reduzindo riscos de fraudes e perdas financeiras.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Declarações do Banco Central
Em nota, o BC destacou que as medidas foram tomadas “à luz do envolvimento do crime organizado nos recentes eventos de ataques a instituições financeiras e de pagamentos”.
Segundo a autarquia, o movimento já era esperado e faz parte de um esforço contínuo para manter a credibilidade e a robustez do sistema financeiro nacional.
Contexto: a evolução da segurança no SFN
Nos últimos anos, o Brasil se tornou referência em inovação financeira com a criação do Pix, o avanço das fintechs e a digitalização de serviços bancários.
No entanto, esse progresso também trouxe novos desafios:
- Ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas.
- Dependência crescente de serviços digitais.
- Necessidade de atualização regulatória constante.
As medidas anunciadas reforçam o papel do BC como guardião da estabilidade financeira e da segurança digital no país.
Reações do mercado

Fintechs
Algumas fintechs demonstraram preocupação com o aumento de custos de adequação, mas reconhecem que a medida pode fortalecer a confiança do consumidor.
Bancos tradicionais
As grandes instituições apoiam o movimento, pois acreditam que regras mais rígidas ajudam a nivelar a concorrência e reduzir vulnerabilidades.
Especialistas
Analistas do setor avaliam que o endurecimento da regulação é inevitável diante do aumento dos ataques, mas ressaltam que a execução deve ser feita com cuidado para não inibir a inovação.
Considerações finais
O Banco Central deu um passo decisivo ao limitar em R$ 15 mil as operações de TED e Pix em instituições não autorizadas, antecipar o prazo de regularização e impor novas exigências de capital e governança.
A medida, embora restritiva em curto prazo, visa proteger o sistema financeiro brasileiro de ameaças cibernéticas e preservar a confiança da população em serviços digitais.
Para o usuário final, o impacto imediato pode ser pequeno, mas os efeitos de longo prazo devem se traduzir em um ambiente mais seguro, confiável e sustentável para a inovação financeira no Brasil.
Pode ser do seu interesse:
