O Banco Central (BC) divulgou, no relatório de política monetária do terceiro trimestre, uma estimativa de crescimento econômico para o Brasil em 2026 de apenas 1,5%. A projeção marca a primeira divulgação de perspectiva para o ano eleitoral e sinaliza uma desaceleração em relação aos resultados recentes. Para 2025, o banco também revisou sua estimativa, reduzindo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% para 2%.
BC estima expansão tímida de 1,5% para o PIB em 2026, ano eleitoral
BC estima expansão de 1,5% para o PIB em 2026, cenário de juros altos e ano eleitoral. Entenda impactos, inflação e mais.
Em 2024, segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira apresentou expansão de 3,4%, resultado ainda superior ao projetado para os próximos anos. A desaceleração prevista para 2026 reflete fatores internos e externos, incluindo juros elevados, baixo nível de ociosidade da economia e a ausência do impulso do setor agropecuário observado em 2025.
Histórico de crescimento do PIB

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A trajetória do PIB brasileiro nos últimos anos apresenta forte variação:
- 2020: -3,3%
- 2021: 4,76%
- 2022: 3,2%
- 2023: 3,4%
- 2024: 3,4%
- 2025 (projeção BC): 2%
- 2026 (projeção BC): 1,5%
O crescimento projetado para 2026, se confirmado, será o menor desde 2020, ano marcado pela retração de 3,3% devido à pandemia de Covid-19.
Política monetária e juros elevados
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano pela segunda vez consecutiva em setembro, o maior patamar em quase 20 anos. A manutenção do juro alto tem como objetivo conter pressões inflacionárias, mantendo a inflação dentro da meta estabelecida pelo sistema de metas do banco.
O Banco Central observa o chamado “hiato do produto”, indicador que mostra se a economia opera acima ou abaixo de seu potencial. Atualmente, o hiato continua positivo, o que significa que a atividade econômica está acima do seu nível sustentável sem gerar pressões inflacionárias adicionais.
Impactos da taxa de juros elevada
Os juros altos têm efeitos diretos sobre o crescimento econômico:
- Redução do consumo das famílias, especialmente em crédito e financiamentos.
- Diminuição de investimentos por parte das empresas, retardando expansão de produção e geração de empregos.
- Pressão sobre arrecadação de impostos e receitas públicas.
O mercado projeta que os cortes na Selic só devem ocorrer em 2026, considerando que a taxa demora de seis a 18 meses para gerar efeito pleno sobre a economia.
Inflação e metas do Banco Central
O Banco Central também revisou a projeção da inflação oficial (IPCA) para 2025, de 4,9% para 4,8%. Apesar da redução, a estimativa ainda indica que o índice permanecerá acima do teto da meta (4,5%). Desde o início de 2025, o objetivo é manter a inflação próxima de 3%, sendo considerado dentro da meta qualquer variação entre 1,5% e 4,5%.
O descumprimento do teto por seis meses consecutivos exigiu uma carta pública do presidente do Banco Central, explicando os fatores que mantêm a inflação elevada, incluindo:
- Atividade econômica aquecida
- Oscilações cambiais
- Aumento do custo da energia elétrica
- Eventos climáticos atípicos
Perspectivas do governo e impacto eleitoral
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, manifestou posição favorável à redução da taxa de juros, destacando que o patamar de 15% ao ano poderia ser revisado. A equipe econômica busca uma expansão do PIB acima de 3% ao ano, mas a desaceleração projetada preocupa o governo, principalmente pelo efeito sobre emprego e renda em um ano eleitoral.
A desaceleração econômica também gera riscos orçamentários, pois pode reduzir a arrecadação de impostos e contribuições federais. Dados da Receita Federal mostram que a arrecadação em agosto apresentou queda real de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactada pela diminuição do consumo e da produção industrial.
Efeitos no orçamento público
Se a expansão do PIB em 2026 ficar em 1,5%, abaixo da estimativa inicial do governo de 2,44%, será necessário um ajuste fiscal mais rígido. Os efeitos incluem:
- Redução de receitas tributárias
- Necessidade de bloqueio de despesas públicas
- Desafios para cumprimento da meta de superávit fiscal em um ano eleitoral
Cenário internacional e desafios externos

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Além dos fatores internos, o Banco Central considera que a economia global deverá desacelerar em 2026, contribuindo para o crescimento mais tímido do Brasil. A ausência do impulso do setor agropecuário, tradicionalmente relevante para a economia brasileira, reforça a perspectiva de expansão menor.
O contexto internacional, com pressões sobre commodities e incertezas nos mercados financeiros, também influencia decisões do banco sobre política monetária e projeções de PIB.
FAQ – Perguntas frequentes
Qual a estimativa de crescimento do PIB em 2026?
O Banco Central projeta expansão de 1,5% para o PIB brasileiro em 2026.
Por que o crescimento econômico deve ser menor em 2026?
Fatores incluem juros elevados, baixo nível de ociosidade da economia, desaceleração global e ausência do impulso agropecuário observado em 2025.
Qual a taxa Selic atualmente?
A Selic está em 15% ao ano, mantida pelo Copom para conter a inflação.
Como a inflação influencia o PIB?
Inflação elevada leva o Banco Central a manter juros altos, o que reduz consumo e investimento, desacelerando o crescimento econômico.
Quais os riscos para o orçamento público?
O crescimento menor reduz a arrecadação de impostos e pode exigir bloqueios de despesas, afetando o cumprimento da meta fiscal.
Quando os juros devem começar a cair?
O mercado projeta cortes na Selic apenas em 2026, dependendo do cumprimento das metas de inflação.
Considerações finais
O Banco Central projeta uma expansão econômica de apenas 1,5% para 2026, refletindo a manutenção de juros elevados, menor dinamismo do setor agropecuário e perspectiva de desaceleração global. O cenário traz desafios para a inflação, orçamento público e contexto eleitoral, exigindo atenção da equipe econômica do governo.
A desaceleração projetada reforça a necessidade de políticas coordenadas para estimular crescimento sustentável, sem comprometer o controle da inflação, e evidencia o equilíbrio delicado entre desenvolvimento econômico e estabilidade monetária.
