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BC aperta o cerco: pagamentos suspeitos serão barrados automaticamente pelos bancos

O BC determinou que bancos e instituições financeiras rejeitem pagamentos suspeitos de fraude, reforçando a segurança nas operações com Pix e transferências digitais.

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
Selic BC Banco Central

O Banco Central do Brasil (BC) iniciou, nesta segunda-feira (13), a aplicação de uma nova norma que obriga bancos e instituições financeiras a rejeitar pagamentos e transferências com indícios de fraude. A medida integra o conjunto de políticas de prevenção e combate a golpes digitais, especialmente os realizados por meio do Pix e de plataformas bancárias online.

Segundo o BC, as instituições deverão analisar o comportamento das transações em tempo real e impedir automaticamente operações consideradas suspeitas. O cliente deverá ser informado da decisão e terá direito à contestação.

A medida representa um avanço na segurança bancária, reforçando a confiabilidade do sistema financeiro nacional e a proteção de milhões de consumidores que utilizam meios digitais para realizar transferências e pagamentos.

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Banco Central bc
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A resolução determina que todas as instituições financeiras e de pagamento reguladas pelo BC adotem mecanismos de análise preventiva para identificar e bloquear transações fora do padrão.

A mudança é uma resposta direta ao aumento expressivo de fraudes e golpes digitais, incluindo casos de:

  • Roubo de contas bancárias;
  • Transferências indevidas via Pix;
  • Movimentação de recursos de origem ilícita;
  • Uso de contas “laranjas” para recebimento de valores.

Objetivo da medida

O principal propósito da nova regra é impedir que transações fraudulentas sejam concluídas, protegendo tanto o cliente quanto o próprio sistema financeiro.

Além de prevenir prejuízos, a norma busca aumentar a confiança do público no uso de ferramentas como o Pix, que se tornou o principal meio de pagamento no Brasil, com mais de 170 milhões de usuários e R$ 17 trilhões movimentados apenas em 2024, segundo dados do Banco Central.


Critérios de identificação de transações suspeitas

Cada banco poderá estabelecer seus próprios critérios técnicos para definir o que é considerado comportamento suspeito.

Esses parâmetros deverão levar em conta aspectos como:

Perfil do pagador e recebedor

Análise do histórico de movimentações, frequência de transações e perfil de gastos. Contas com comportamento fora do padrão poderão gerar alertas automáticos.

Horário e recorrência

Movimentações realizadas em horários incomuns — como durante a madrugada — e transações repetidas em curto intervalo serão avaliadas com mais rigor.

Valor das operações

Pagamentos e transferências de valores muito superiores à média do usuário podem ser bloqueados preventivamente até que o titular confirme a legitimidade.

Destino dos recursos

Transferências para contas recém-criadas, sem histórico ou já associadas a fraudes, também serão consideradas de risco elevado.

Com base nessa análise, o sistema bancário poderá rejeitar automaticamente o pagamento e notificar o usuário sobre a suspeita.


Direito de contestação do cliente

O Banco Central enfatizou que o cliente não ficará desamparado em caso de bloqueio indevido.

Como funciona o processo de contestação

Quando uma operação for rejeitada, o banco deve avisar o titular imediatamente, informando o motivo da recusa e os meios para recorrer.

O usuário poderá solicitar uma reavaliação da transação, comprovando que se trata de uma operação legítima.

A comunicação deverá ocorrer pelo aplicativo bancário, chat de atendimento, telefone ou e-mail cadastrado, garantindo transparência e agilidade no processo.

Essa etapa é fundamental para equilibrar segurança e liberdade de movimentação financeira, evitando abusos por parte das instituições.


Contexto: aumento dos golpes digitais no Brasil

A nova norma surge em meio a uma onda crescente de fraudes eletrônicas.

Nos últimos dois anos, o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) registraram aumento superior a 80% nas tentativas de golpes envolvendo Pix e aplicativos bancários.

Entre os crimes mais comuns estão:

  • Golpes de engenharia social, em que criminosos se passam por funcionários de bancos;
  • Clonagem de contas e sequestro de perfis em redes sociais;
  • Transferências forçadas durante assaltos;
  • Esquemas de “investimentos falsos”.

Diante disso, o BC reforçou a necessidade de ações preventivas e integração entre bancos e autoridades, buscando dificultar o fluxo de recursos obtidos por meios ilícitos.


A integração da nova norma com o ecossistema Pix

Pix
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O Pix, lançado em 2020, se consolidou como o principal meio de pagamento do país, superando cartões e boletos.
Por ser instantâneo e irreversível, ele se tornou também alvo preferencial de fraudadores.

A nova regra complementa outras medidas de segurança implementadas anteriormente pelo BC, como:

Limite noturno de transferências

Durante a madrugada, o valor máximo das operações é reduzido, dificultando golpes em horários de vulnerabilidade.

Bloqueio cautelar

Instituições podem reter valores temporariamente quando há suspeita de fraude, até que a situação seja esclarecida.

Mecanismo Especial de Devolução (MED)

Permite recuperar recursos transferidos indevidamente, mediante análise e autorização do banco recebedor.

Com a nova norma, as instituições passam a ter obrigação formal de rejeitar transações que apresentem risco, sem depender de denúncia prévia ou solicitação de outro cliente.


Autonomia dos bancos e papel do Banco Central

Segundo o BC, a norma não interfere diretamente nas decisões internas das instituições financeiras.
Cada banco tem autonomia para definir seus modelos de análise de risco, desde que respeite as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A responsabilidade, portanto, é exclusiva da instituição que identificar a irregularidade.

“Cada instituição poderá definir os critérios para determinar se uma transação é suspeita — como avaliar o perfil de quem paga e de quem recebe, o horário e o valor da operação”, reforçou o Banco Central em nota oficial.

O BC atuará como órgão fiscalizador, acompanhando relatórios periódicos sobre bloqueios, contestações e índices de sucesso das medidas preventivas.


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Impactos esperados para o sistema financeiro

A obrigatoriedade de rejeitar operações suspeitas deve aumentar o nível de segurança digital e reduzir os prejuízos causados por golpes.

Entre os principais impactos positivos esperados, estão:

  • Redução de fraudes em transferências via Pix e TED;
  • Menor exposição de consumidores a golpes online;
  • Aumento da confiabilidade do sistema financeiro;
  • Melhor rastreabilidade de recursos e combate à lavagem de dinheiro.

A longo prazo, a expectativa é que a medida diminua a vulnerabilidade de usuários idosos e novatos, que são as principais vítimas de fraudes bancárias.


O que muda para os usuários de Pix e bancos digitais

Com a nova regra, o público pode notar mudanças sutis no comportamento dos aplicativos bancários.

Se o sistema detectar uma movimentação atípica:

  1. O pagamento será bloqueado automaticamente;
  2. O usuário será avisado com uma justificativa clara;
  3. Haverá a opção de contestar e confirmar a transação.

Essas medidas, segundo o BC, não pretendem restringir operações legítimas, mas impedir o uso indevido de contas e dificultar que criminosos movimentem recursos roubados.

A recomendação é que o cliente mantenha seus dados atualizados e confirme informações do destinatário antes de realizar qualquer pagamento.


Monitoramento contínuo e avaliação do Banco Central

O Banco Central afirmou que acompanhará de perto os efeitos da nova regulamentação.

Entre os indicadores que serão observados estão:

  • Quantidade de transações rejeitadas por suspeita de fraude;
  • Percentual de contestações de clientes;
  • Efetividade das medidas no combate a golpes digitais.

Caso o órgão identifique excessos ou falhas nos procedimentos bancários, poderá propor ajustes complementares na regulamentação.


Um novo patamar de segurança para o sistema financeiro brasileiro

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Imagem: Jo Galvao / Shutterstock.com

A implementação da nova regra representa um marco na evolução da segurança bancária no Brasil.

Com a digitalização acelerada dos serviços financeiros, o país enfrenta o desafio de equilibrar agilidade, conveniência e proteção.

O Banco Central acredita que o sucesso da norma depende da colaboração entre instituições e clientes, reforçando práticas como:

  • Dupla autenticação de transações;
  • Confirmação visual de destinatário no Pix;
  • Educação financeira e digital para o público.

“A meta é fortalecer a confiança no sistema financeiro e impedir que o crime se aproveite da tecnologia para enganar usuários”, concluiu o BC.


Considerações finais

A nova norma do Banco Central do Brasil que obriga bancos a rejeitar pagamentos e transferências suspeitas de fraude marca um passo decisivo no combate a golpes digitais.

Ao combinar monitoramento em tempo real, autonomia bancária e direito de contestação, a medida reforça a segurança e a transparência do sistema financeiro nacional.

Com o Pix consolidado como o principal meio de pagamento do país, a proteção do usuário se torna prioridade absoluta.
O resultado esperado é um ecossistema financeiro mais confiável, moderno e resistente a fraudes, em que tecnologia e segurança caminham lado a lado.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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