O Banco Central (BC) estuda adotar medidas mais rígidas para reforçar a segurança do Pix, um dos meios de pagamento mais utilizados pelos brasileiros. A proposta prevê restringir a participação de bancos e fintechs que não atendam aos requisitos mínimos de segurança cibernética exigidos pelo regulador.
A iniciativa surge em meio ao aumento de ataques virtuais contra instituições financeiras e após registros de desvios bilionários relacionados a fraudes. O objetivo é elevar o nível de proteção do sistema financeiro, reduzir riscos para usuários e incentivar investimentos em tecnologia e cibersegurança.
Caso a medida avance, instituições que apresentarem falhas na proteção de seus sistemas poderão sofrer limitações para operar com o Pix até que regularizem suas estruturas.
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Nos últimos anos, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento instantâneo do país, movimentando bilhões de reais diariamente entre pessoas físicas, empresas e órgãos públicos.
Esse crescimento também chamou a atenção de criminosos especializados em ataques cibernéticos.
Segundo informações divulgadas pelo mercado financeiro, ataques contra instituições financeiras resultaram em desvios superiores a R$ 1,5 bilhão nos últimos 12 meses, aumentando a preocupação do Banco Central com a segurança do ecossistema.
Diante desse cenário, o regulador passou a avaliar mecanismos que permitam identificar instituições mais vulneráveis e exigir padrões mínimos de proteção.
O que pode mudar para bancos e fintechs?
A principal mudança em estudo é a possibilidade de restringir o acesso ao Pix para instituições que não cumpram as exigências de segurança cibernética.
Na prática, o Banco Central pretende:
- mapear os controles de segurança adotados por cada instituição;
- verificar o cumprimento das normas já existentes;
- identificar riscos operacionais;
- aplicar medidas corretivas quando necessário;
- restringir ou limitar operações em casos considerados críticos.
A proposta busca aumentar a responsabilidade das instituições participantes do sistema.
O usuário comum será afetado?
A princípio, não.
As medidas são direcionadas às instituições financeiras, e não aos clientes.
Para quem utiliza o Pix no dia a dia, a expectativa é justamente o contrário: aumentar a segurança das transações e reduzir o risco de fraudes.
O funcionamento do sistema para consumidores não deverá sofrer alterações caso a proposta seja implementada.
Ataques cibernéticos preocupam o regulador
O crescimento das tentativas de fraude tem levado o Banco Central a reforçar a supervisão das instituições participantes.
Entre os crimes mais frequentes estão:
- invasão de sistemas;
- roubo de credenciais;
- engenharia social;
- fraudes em contas bancárias;
- ataques contra provedores de tecnologia.
Além dos prejuízos financeiros, esses incidentes podem comprometer a confiança dos usuários nos meios de pagamento digitais.
Banco Central já havia reforçado regras anteriormente
Essa não é a primeira iniciativa voltada ao aumento da segurança do Pix.
Nos últimos anos, o Banco Central implementou diversas medidas para reduzir riscos.
Entre elas estão:
Limites para determinadas operações
Em 2025, o regulador estabeleceu um limite de R$ 15 mil para operações de TED e Pix realizadas por determinadas instituições de pagamento não autorizadas e por participantes conectados ao Sistema Financeiro Nacional por meio de Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs).
A medida buscou reduzir a exposição a ataques em instituições com estruturas consideradas mais vulneráveis.
Comunicação obrigatória de incidentes
Outra exigência recente determina que bancos e instituições financeiras informem ao Banco Central todos os episódios relevantes envolvendo ataques cibernéticos.
Essa comunicação permite ao órgão acompanhar ameaças em tempo real e orientar medidas preventivas.
O que motivou a nova proposta?
Mesmo após o endurecimento das regras, o número de fraudes continua elevado.
Dados divulgados pela imprensa apontam que, entre os casos de desvio de recursos registrados até maio deste ano, grande parte estava relacionada a fraudes cibernéticas.
Esse cenário levou o Banco Central a ampliar o monitoramento das instituições participantes do sistema Pix.
Além das regras obrigatórias, o regulador também avalia quais controles adicionais cada banco adota para proteger seus clientes.
Investimentos em tecnologia devem aumentar
A preocupação com ataques digitais também está impulsionando novos investimentos no setor financeiro.
Levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que os investimentos em tecnologia devem crescer neste ano.
Grande parte desses recursos será destinada a áreas como:
- cibersegurança;
- inteligência artificial aplicada à prevenção de fraudes;
- monitoramento de operações suspeitas;
- autenticação de usuários;
- proteção contra ataques digitais.
O objetivo é fortalecer a infraestrutura tecnológica e reduzir vulnerabilidades exploradas por criminosos.
Como o consumidor pode aumentar sua segurança no Pix?
Embora boa parte da proteção dependa das instituições financeiras, alguns cuidados ajudam a reduzir riscos.
Nunca compartilhe senhas
Bancos não solicitam senhas, códigos de autenticação ou tokens por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens.
Ative a autenticação em dois fatores
Esse recurso adiciona uma camada extra de proteção ao acesso das contas.
Mantenha aplicativos atualizados
As atualizações frequentemente corrigem falhas de segurança exploradas por criminosos.
Desconfie de mensagens urgentes
Golpistas costumam utilizar falsas promoções, bloqueios de conta ou supostos problemas no Pix para convencer a vítima a fornecer informações pessoais.
Confira sempre os dados antes de confirmar uma transferência
Verifique o nome do destinatário, CPF ou CNPJ e o valor da operação antes de concluir qualquer pagamento.
O futuro do Pix passa pela segurança

Desde seu lançamento, o Pix revolucionou a forma como brasileiros realizam pagamentos, transferências e compras. Com milhões de operações processadas diariamente, manter um ambiente seguro tornou-se uma prioridade para o Banco Central.
A possível restrição a bancos e fintechs que não cumpram requisitos mínimos de segurança representa mais um passo na evolução do sistema. A medida busca incentivar investimentos em proteção digital, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a confiança dos usuários.
Enquanto a proposta ainda está em estudo, especialistas avaliam que o reforço da segurança será cada vez mais importante diante do aumento das tentativas de fraude e da crescente digitalização dos serviços financeiros no Brasil.
