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Quem recebe Bolsa Família ou BPC não poderá mais apostar online: entenda a medida

SPA proíbe beneficiários do Bolsa Família e BPC de apostar online para proteger recursos sociais e garantir cumprimento de normas do STF e TCU.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa5 min de leitura
Bolsa Família

Para aumentar o controle sobre o uso dos recursos destinados a programas sociais, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda publicou, ontem, uma portaria que impede que os beneficiários cadastrados no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no Bolsa Família apostem em bets. A medida atende a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e a recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU).

Além da portaria, foi publicada uma instrução normativa que estabelece os processos que os sites que operam com aposta de quota fixa devem observar para impedir o acesso de beneficiários. De acordo com a norma, as bets devem realizar consultas em um sistema público na abertura de cadastro e no primeiro acesso por login do dia.

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Base de dados unificada para consulta

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Imagem: Freepik e Canva

Uma base de dados com os beneficiários de ambos os programas foi criada para servir de consulta pelos operadores de apostas. Para verificar se o usuário está inserido na base de dados do BPC e Bolsa Família, as empresas devem consultar periodicamente o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), utilizando o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para identificar os possíveis apostadores.

“Para viabilizar o cumprimento da decisão do Supremo, foi preciso desenvolver uma ferramenta técnica robusta, com cuidado para que a medida garantisse a proteção dos direitos envolvidos. Proteger as pessoas e seus direitos é sempre o objetivo do Governo do Brasil”, destacou o secretário de Prêmios e Apostas do MF, Regis Dudena.

Benefícios não podem ser suspensos

De acordo com as medidas, os beneficiários dos programas sociais não terão seus benefícios suspensos, sob nenhuma hipótese. Isso indica que a obrigação de não permitir o acesso desse grupo aos sites de apostas é, exclusivamente, das empresas que controlam os jogos. As medidas já entram em vigor hoje e as bets têm até 30 dias para implementar os procedimentos obrigatórios.

Especialistas acreditam que a medida deve trazer mais segurança jurídica ao tema, embora considerem que há pontos que poderiam ser aprimorados.

Impactos jurídicos e sociais

Na visão de Elimar Mello, advogado especialista em direito previdenciário e sócio do escritório Badaró Almeida & Advogados Associados, qualquer desvio da finalidade dos benefícios pode comprometer sua função estruturante, de ser um auxílio contra a miséria no país.

“A canalização desses valores para apostas, atividade associada ao risco elevado de superendividamento e impactos psicológicos, revela-se incompatível com a natureza protetiva da política pública. Por essa razão, a vedação ao cadastro e ao uso do sistema de apostas constitui medida eficaz de tutela cautelar do interesse público”, avalia o advogado.

Necessidade de fiscalização contínua

Mello destaca, porém, que as medidas carecem de mecanismos de auditoria independentes e fiscalização robusta. “A ausência de monitoramento sistemático do cumprimento das obrigações pode tornar o sistema extremamente vulnerável a subnotificações, inércia operacional ou interpretações minimalistas por parte das bets. Nesse sentido, trata-se de um modelo normativo que combina rigor procedimental com funcionalidade técnica, mas diante de mitigações evidentes em sua efetividade, pois depende de uma atuação firme e permanente do Estado como agente regulador e fiscalizador da política pública”.

Pedro Simões, advogado e sócio coordenador da prática de Jogos e Apostas do Veirano Advogados, também aponta limitações. Ele questiona a proibição apenas para a modalidade lotérica de quota fixa, mantendo a possibilidade desigual de beneficiários dos programas apostarem em casas lotéricas.

“Outro problema é a crítica de teor paternalista/social que questiona se, dentro do valor recebido a título de repasse de renda, o beneficiário não teria autonomia para dedicar uma parte da sua renda a essa modalidade de entretenimento. Porém, o maior risco é o direcionamento desse público para operadores ilegais (bets ilegais), que operam na clandestinidade e sem a adoção dos controles obrigatórios”, destaca Simões.

Posicionamento do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável

Bolsa Família
Imagem: Freepick

Em nota, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) defende as medidas restritivas, afirmando que recursos destinados à subsistência “jamais devem ser utilizados” para a prática de apostas. “Programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) têm a função de garantir necessidades básicas, e não podem ser confundidos com recursos para lazer”, pontua.

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O IBJR também ressalta a importância de intensificar o combate às plataformas clandestinas, que operam à margem da lei e sem qualquer mecanismo de proteção ao consumidor. “Independentemente de medidas restritivas, no mercado ilegal o jogador estará sempre mais exposto e vulnerável, o que reforça a necessidade de fortalecer a regulamentação e a fiscalização”, acrescenta.

Benefícios do novo sistema de controle

O Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) permitirá às empresas de aposta verificar em tempo real se o usuário pertence aos programas sociais, reduzindo riscos de fraudes e desvios de finalidade. A medida visa garantir que os recursos destinados à proteção social não sejam desviados para atividades de alto risco financeiro e psicológico.

Procedimentos obrigatórios para as empresas

  • Consultas diárias ao Sigap com base no CPF do usuário;
  • Bloqueio automático de cadastro de beneficiários do Bolsa Família e BPC;
  • Atualização periódica da base de dados;
  • Relatórios de auditoria interna para comprovar o cumprimento da norma;
  • Prazo de até 30 dias para implementação completa.

Riscos caso as normas não sejam seguidas

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Imagem: Sidney de Almeida / shutterstock.com

Especialistas alertam que a não observância das regras pode gerar sanções administrativas às empresas de apostas, além de comprometer a credibilidade do setor e expor beneficiários a riscos de exploração financeira.

Considerações finais

A proibição de apostas online para beneficiários do Bolsa Família e BPC representa um esforço do governo brasileiro para proteger recursos sociais e cumprir decisões judiciais. Apesar de algumas limitações apontadas por especialistas, a medida reforça a importância de um modelo regulatório eficiente, aliado a fiscalização contínua e combate às plataformas ilegais.

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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