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Aposentados com valores acima do mínimo vão perder poder de compra em 2026

Aposentados que recebem acima do salário mínimo terão perda real em 2026, pois reajuste segue o INPC, inferior ao IPCA e sem ganho real.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Os benefícios do INSS com valor acima do salário mínimo terão reajuste menor do que a inflação. Diferentemente de quem recebe um salário mínimo, reajustado pelo INPC mais o crescimento do PIB de dois anos antes, quem ganha acima desse valor tem seu benefício corrigido apenas pelo INPC, que, em 2025, ficou abaixo do IPCA, índice que mede oficialmente a inflação no país.

Na prática, ao contrário daqueles que recebem o menor valor possível entre os benefícios previdenciários, os que ganham acima de um salário mínimo verão seu orçamento diminuir, em termos reais, ao longo de 2026. O motivo da defasagem é o fato de as duas faixas de valor serem corrigidas com índices diferentes, o que gera um descolamento na evolução do poder de compra dos aposentados e pensionistas.

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Como funciona o reajuste do salário mínimo

Os benefícios equivalentes a um salário mínimo são reajustados pelas regras da nova política de valorização do piso nacional. Esse modelo leva em consideração:

  • O crescimento do PIB de dois anos antes
  • A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)

Nessa fórmula, a expectativa é garantir ganho real sempre que o PIB registre crescimento. Assim, quem recebe o mínimo assegura uma reposição não apenas da inflação passada, mas também um aumento adicional ligado ao desempenho econômico.

Reajuste para quem ganha acima do mínimo

Já os que recebem acima do piso ganham apenas a reposição do INPC. Isso significa que:

  • Não há ganho real vinculado ao PIB
  • O poder de compra avança apenas na medida da inflação medida pelo INPC
  • Quando o INPC fica abaixo de outro índice mais amplo, como o IPCA, há perda real

Para 2026, o cenário é justamente esse. Como o INPC ficou abaixo do IPCA, a correção aplicada sobre benefícios acima do mínimo não compensará a inflação oficial. Consequentemente, o aposentado verá seu orçamento encolher.

IPCA x INPC: qual a diferença entre os índices

IPCA é a inflação oficial do país

Há dois principais índices de preços acompanhados pelo governo e pelo mercado, ambos medidos pelo IBGE: o IPCA e o INPC. Apesar de o IPCA ser considerado oficialmente o indicador de inflação no Brasil, ele não é utilizado para todos os cálculos de reajuste.

O IPCA abrange o consumo de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, sendo mais amplo e representativo da economia.

INPC é o índice usado para reajustar o INSS

Por sua vez, o INPC considera famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, sendo historicamente voltado ao consumo popular. A legislação determina que tanto o salário mínimo quanto os benefícios previdenciários acima do piso sejam reajustados pelo INPC.

O problema surge quando os índices divergem

Sempre que o INPC for menor do que o IPCA, aqueles que recebem acima do piso previdenciário sentirão uma perda de poder aquisitivo. Esse fenômeno ocorre porque:

  • Os preços monitorados pelo IPCA podem subir mais rapidamente
  • O INPC, com menor variação, limita o reajuste
  • O aposentado não consegue recompor toda a inflação oficial

Em 2025, essa diferença foi de 0,36 ponto percentual, gerando impacto direto no bolso em 2026.

Impacto prático no bolso dos aposentados

Perdas acumuladas ao longo dos anos

Quando essa defasagem se repete por vários anos, ocorre o chamado achatamento previdenciário. Essa redução progressiva foi destacada por parlamentares e especialistas em previdência.

O senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, chama atenção para o efeito cumulativo:

(Senador Paulo Paim) “Que aquele aposentado, pensionista que ganha mais que um salário mínimo, digamos que ele ganha 1,5 salário mínimo, ele não ganha o aumento integral da inflação mais PIB. E com isso a ampla maioria, com os anos vão passando a ganhar um salário mínimo. Pode falar com qualquer aposentado que tenha se aposentado há alguns anos. Ele vai dizer: ‘Eu ganhava cinco, tô ganhando três’.”

Projeto de recomposição aguarda votação na Câmara

Paim lamentou ainda que um projeto de sua autoria, que busca corrigir o problema, esteja parado na Câmara dos Deputados após aprovação no Senado.

(Senador Paulo Paim) “A recomposição do benefício dos aposentados já foi aprovada pelo Senado, está na Câmara de Deputados. Estabelece um índice de correção previdenciária a ser aplicado de forma progressiva para ir recuperando. Ninguém quer que seja tudo num dia só ou num mês só ou mesmo num ano só. A ideia é que em 5 anos os benefícios previdenciários voltem a ter valores equivalentes àqueles do período inicial dos aposentados e pensionistas.”

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Quanto os aposentados estão perdendo

A diferença entre o aumento dos benefícios e a inflação oficial foi de 0,36 ponto percentual. Pode parecer pequena no curto prazo, mas representa um prejuízo concreto.

Exemplo com o teto do INSS

Para quem recebe o teto do INSS, a perda acumulada em poder de compra neste ano é estimada em aproximadamente R$ 350. Com o passar dos anos, esses valores se ampliam e reduzem a renda real.

Consequências macroeconômicas e sociais do achatamento

Redução do consumo

Com a perda real, aposentados tendem a consumir menos, o que afeta:

  • Setores de serviços
  • Farmácias
  • Supermercados
  • Pequenos comércios locais

Esse público é historicamente relevante na economia, sobretudo em cidades pequenas.

Crescimento da judicialização

Outra consequência observada é o aumento de ações judiciais buscando revisão ou recomposição de benefícios. A tendência é que esse movimento se intensifique caso não haja mudança legislativa.

Pressão política por revisão de regras

Entidades representativas de aposentados também ampliam pressão por:

  • Correção que considere PIB
  • Redução da defasagem entre IPCA e INPC
  • Valorização previdenciária semelhante ao salário mínimo

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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