Os benefícios corporativos há muito deixaram de ser apenas complementos ao salário. Em 2025, eles se consolidaram como ferramentas estratégicas para atração e retenção de talentos. No entanto, um levantamento recente da consultoria Robert Half mostra que existe um descompasso entre o que as empresas oferecem e o que os trabalhadores realmente valorizam.
O que os trabalhadores realmente querem? Veja os benefícios mais procurados
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A pesquisa, realizada com 1.400 profissionais com ensino superior, revelou que 76% dos trabalhadores gostariam de mudanças nos pacotes de benefícios. O dado confirma uma tendência já observada em 2024, quando 77% responderam da mesma forma.
Além disso, 84% dos entrevistados afirmaram que gostariam de personalizar seus benefícios, mas apenas 21% têm essa possibilidade atualmente. Esse dado indica que a flexibilidade pode se tornar um diferencial competitivo para empregadores.
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O que os trabalhadores mais valorizam

Ranking dos benefícios mais desejados
De acordo com a pesquisa, os dez benefícios mais valorizados pelos trabalhadores em 2025 são:
- Bônus acordado (anual, trimestral ou mensal) – 83,72%;
- Plano de saúde privado – 77,52%;
- Vale-refeição – 74,42%;
- Plano de previdência privada – 57,75%;
- Plano odontológico – 53,49%;
- Incentivo ou reembolso para educação – 43,80%;
- Auxílio-combustível – 36,43%;
- Seguro de vida e contra acidentes – 36,43%;
- Carro da empresa ou ajuda de custo para veículo – 31,01%;
- Celular corporativo ou reembolso de plano móvel – 30,23%.
Destaques do levantamento
- O bônus acordado é o benefício mais valorizado, mas ocupa apenas a quinta posição entre os mais oferecidos.
- Incentivos relacionados à educação estão entre os mais desejados, mas ainda não são prioridade para grande parte das empresas.
- Auxílios voltados à mobilidade, como combustível e carro da empresa, também aparecem como relevantes, embora não sejam amplamente disponibilizados.
O que as empresas mais oferecem
Ranking dos benefícios mais oferecidos
Por outro lado, o levantamento mostra quais benefícios aparecem com maior frequência nos pacotes corporativos:
- Vale-refeição – 80,23%;
- Plano de saúde privado – 80,23%;
- Plano odontológico – 71,32%;
- Seguro de vida e contra acidentes – 59,30%;
- Bônus acordado – 57,36%;
- Vale-transporte – 48,84%;
- Convênio com academias – 48,06%;
- Celular corporativo – 46,90%;
- Plano de previdência privada – 34,88%;
- Auxílio-creche – 31,01%.
Diferença entre oferta e demanda
O estudo aponta uma clara diferença entre o que é valorizado e o que é oferecido. Por exemplo:
- O plano odontológico está entre os mais oferecidos (71,32%), mas apenas 53,49% o consideram essencial.
- O bônus acordado, altamente valorizado pelos trabalhadores (83,72%), aparece em apenas 57,36% das empresas.
- Incentivos à educação, fundamentais para muitos profissionais, não figuram entre os dez mais oferecidos.
Personalização: a nova fronteira dos benefícios
Desejo de escolha
A pesquisa evidencia que a personalização é um ponto central. Quase 9 em cada 10 profissionais gostariam de poder escolher seus benefícios de acordo com suas necessidades pessoais e familiares.
Exemplos práticos
- Jovens profissionais podem priorizar educação e capacitação.
- Trabalhadores com filhos pequenos podem dar preferência a auxílio-creche.
- Profissionais em fase de planejamento financeiro para aposentadoria podem valorizar mais a previdência privada.
A personalização dos pacotes não só aumenta a satisfação dos colaboradores, como também reduz custos para as empresas ao evitar gastos com benefícios pouco utilizados.
Impacto dos benefícios na retenção de talentos
Influência direta
A pesquisa revela que 53% dos trabalhadores afirmam que os benefícios têm influência direta em sua permanência na empresa. Esse índice mostra que a questão vai além da remuneração: o pacote de benefícios pode determinar a permanência ou saída de um talento estratégico.
Desempregados e novas oportunidades
Entre os profissionais em busca de recolocação, 50% afirmaram que levam os benefícios em conta ao avaliar propostas. Caso o pacote não contemple o que consideram essencial, a alternativa é negociar um salário maior.
Desafio para as empresas
Descompasso identificado
O gerente da Robert Half, Leonardo Berto, destacou que os dados mostram um descompasso entre oferta e demanda. Para ele, é essencial que as organizações busquem soluções que conciliem suas possibilidades financeiras com as reais expectativas dos colaboradores.
Caminhos possíveis
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- Flexibilidade: permitir que o trabalhador escolha entre diferentes auxílios.
- Benefícios digitais: plataformas que concentram diversas opções e permitem trocas.
- Foco no bem-estar: pacotes voltados à saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Tendências para o futuro dos benefícios corporativos

Ascensão dos benefícios flexíveis
Especialistas apontam que, nos próximos anos, o modelo tradicional de pacote fixo tende a dar lugar a sistemas flexíveis.
Plataformas digitais
Empresas já testam ferramentas que oferecem um “saldo de benefícios” para que o trabalhador distribua como preferir entre saúde, educação, mobilidade ou lazer.
Benefícios voltados ao bem-estar
Além de saúde física, cresce a demanda por iniciativas de saúde mental, como acesso a psicólogos online, programas de mindfulness e incentivo à prática esportiva.
Educação e qualificação contínua
Com o avanço da transformação digital, os trabalhadores buscam cada vez mais apoio para desenvolvimento profissional. Incentivos como bolsas de estudo, reembolso de cursos e parcerias com universidades devem ganhar protagonismo.
Importância do equilíbrio
Outro ponto que deve ganhar relevância é o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Benefícios como home office, jornadas flexíveis e auxílio home office já aparecem no radar de muitas companhias.
Conclusão
A pesquisa da Robert Half mostra que os trabalhadores brasileiros estão cada vez mais atentos ao valor dos benefícios corporativos. O bônus acordado, o plano de saúde e o vale-refeição lideram o ranking de prioridades, mas a grande tendência é a flexibilidade na escolha.
Para as empresas, adaptar-se a essa realidade não é apenas uma questão de competitividade, mas uma estratégia essencial para reter talentos em um mercado cada vez mais dinâmico.
Imagem: Johnnie David / vecteezy.com
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