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Binance informa que 70% dos saques foram para carteiras pessoais após medidas na Europa

Binance perde licença para operar na União Europeia. Entenda o que mudou, por que clientes estão retirando criptomoedas e se isso afeta brasileiros.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
binance

A maior corretora de criptomoedas do mundo enfrenta um dos momentos mais delicados de sua operação na Europa. Após não conseguir autorização para atuar sob as novas regras do mercado europeu, a Binance deixou de oferecer diversos serviços no bloco, levando muitos clientes a sacar seus ativos.

Segundo a própria empresa, cerca de 70% desses recursos estão sendo transferidos para carteiras pessoais, conhecidas como carteiras de autocustódia. O movimento reacendeu um debate importante sobre segurança, regulamentação e controle das criptomoedas.

Mas afinal, por que a Binance foi barrada? O que mudou na Europa? E essa situação pode afetar investidores brasileiros? A seguir, entenda todos os detalhes.

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O que aconteceu com a Binance na Europa?

Pessoa segurando um celular com a logo da Binance na tela
Imagem: Iryna Budanova / shutterstock.com

A Binance deixou de operar normalmente em diversos países da União Europeia após não obter a licença exigida pelas novas regras do bloco para empresas de criptomoedas.

Desde 1º de julho, apenas corretoras autorizadas podem oferecer serviços completos aos investidores europeus.

Sem essa autorização, a empresa passou a restringir diversas operações.

Entre as mudanças estão:

  • suspensão da abertura de novas contas;
  • interrupção de depósitos;
  • fim das negociações para clientes afetados;
  • encerramento de produtos de rendimento, como aplicações remuneradas.

Os clientes ainda podem retirar seus recursos e encerrar posições abertas.

O que é o MiCA e por que ele mudou o mercado?

A mudança ocorre por causa do MiCA (Markets in Crypto-Assets), regulamento criado pela União Europeia para organizar o mercado de criptoativos.

Antes da nova legislação, cada país europeu possuía regras próprias para exchanges e prestadores de serviços com criptomoedas.

Isso criava diferenças regulatórias e aumentava a dificuldade de fiscalização.

O MiCA surgiu justamente para estabelecer um padrão único em toda a União Europeia.

Entre seus principais objetivos estão:

  • aumentar a proteção dos investidores;
  • combater fraudes;
  • dificultar a lavagem de dinheiro;
  • criar regras comuns para empresas do setor;
  • oferecer maior segurança jurídica ao mercado.

Na prática, somente empresas licenciadas podem continuar oferecendo determinados serviços dentro do bloco europeu.

Por que a Binance não conseguiu a licença?

A Binance chegou a solicitar autorização em alguns países europeus, incluindo a Grécia.

Entretanto, antes da conclusão do processo, decidiu retirar o pedido e informou que tentará obter uma licença futuramente por meio da França.

Segundo informações divulgadas pelo Wall Street Journal, a Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) teria orientado reguladores nacionais a rejeitar o pedido da empresa devido a preocupações relacionadas ao histórico de combate à lavagem de dinheiro.

A Binance contesta essa interpretação e afirma continuar comprometida com o mercado europeu.

O que significa “carteira de autocustódia”?

Esse é um dos conceitos mais importantes para entender a notícia.

Uma carteira de autocustódia é aquela em que o próprio investidor guarda as chaves privadas das criptomoedas.

Em outras palavras, ele passa a controlar diretamente seus ativos, sem depender de uma corretora.

É semelhante à diferença entre:

  • deixar dinheiro guardado em um banco;
  • manter dinheiro em um cofre dentro de casa.

No primeiro caso, existe uma instituição intermediando a operação.

No segundo, toda a responsabilidade passa a ser do proprietário.

Por que tantos usuários estão retirando os ativos?

Segundo a Binance, aproximadamente 70% dos saques realizados recentemente na Europa foram enviados para carteiras pessoais.

Na visão da empresa, isso mostra que restringir uma corretora não elimina o uso de criptomoedas.

Em vez disso, parte dos investidores opta por administrar seus ativos diretamente.

A exchange argumenta que plataformas reguladas oferecem vantagens como:

  • monitoramento de operações suspeitas;
  • suporte ao cliente;
  • mecanismos de recuperação de contas;
  • cooperação com autoridades em investigações.

Já nas carteiras de autocustódia, toda a responsabilidade pela segurança fica com o usuário.

Caso ele perca a chave privada, normalmente não existe uma empresa capaz de recuperar os recursos.

Quais são os riscos da autocustódia?

Apesar de oferecer maior independência, a autocustódia também exige mais cuidados.

Entre os principais riscos estão:

  • perda definitiva das chaves de acesso;
  • golpes envolvendo falsas carteiras digitais;
  • ataques de hackers;
  • erros durante transferências;
  • dificuldade para recuperar ativos perdidos.

Por outro lado, muitos investidores preferem esse modelo justamente porque não dependem de uma empresa para acessar seus recursos.

O histórico da Binance influenciou a decisão?

A empresa já enfrentou processos regulatórios em diferentes países.

Em 2023, a Binance fechou um acordo com autoridades dos Estados Unidos envolvendo acusações relacionadas ao descumprimento de regras de combate à lavagem de dinheiro e sanções econômicas.

O acordo resultou no pagamento de aproximadamente US$ 4,3 bilhões.

Além disso, o fundador da empresa, Changpeng Zhao, chegou a cumprir pena de prisão.

Na França, a exchange também responde a uma investigação envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro.

A companhia nega irregularidades nas operações atuais e afirma colaborar com as autoridades.

O Brasil também está aumentando a fiscalização?

Sim.

O mercado brasileiro segue um caminho semelhante ao observado na Europa, embora com regras diferentes.

O Banco Central vem implementando uma estrutura regulatória para empresas que atuam com criptomoedas no país.

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Entre as medidas anunciadas estão:

  • obrigatoriedade de autorização para funcionamento das corretoras;
  • novas regras para operações envolvendo stablecoins;
  • maior fiscalização sobre operações internacionais;
  • estudos para ampliar o controle sobre transferências de valores elevados.

A intenção é reduzir riscos relacionados à lavagem de dinheiro, fraudes e financiamento de atividades ilícitas.

Isso afeta quem investe em criptomoedas no Brasil?

Neste momento, a situação envolvendo a Binance na Europa não altera diretamente as contas de clientes brasileiros.

Entretanto, o caso serve como exemplo de uma tendência global.

Cada vez mais países estão criando regras específicas para o mercado de criptoativos.

Para investidores, isso pode significar:

  • maior proteção regulatória;
  • exigências mais rígidas para as corretoras;
  • adaptações nas plataformas;
  • mudanças em alguns produtos financeiros.

Ao mesmo tempo, parte do mercado teme que regulamentações excessivamente rígidas incentivem investidores a migrar para soluções menos supervisionadas.

O que o investidor deve observar antes de escolher onde guardar suas criptomoedas?

Independentemente da plataforma escolhida, alguns cuidados são fundamentais:

  • verificar se a empresa segue regras regulatórias;
  • utilizar autenticação em dois fatores;
  • manter senhas seguras;
  • conhecer as diferenças entre corretoras e carteiras pessoais;
  • estudar os riscos antes de optar pela autocustódia.

Cada alternativa possui vantagens e desafios, e a escolha depende do perfil e do conhecimento de cada investidor.

Considerações finais

Binance
Imagem: Freepik e Canva

O bloqueio da Binance no mercado europeu representa mais um capítulo do avanço da regulamentação das criptomoedas no mundo.

Enquanto autoridades defendem regras mais rígidas para aumentar a segurança dos investidores e combater crimes financeiros, empresas do setor alertam que restrições excessivas podem incentivar usuários a migrar para soluções fora do ambiente regulado.

Para quem investe em ativos digitais, acompanhar essas mudanças tornou-se tão importante quanto acompanhar a valorização das criptomoedas.

Perguntas frequentes

Por que a Binance foi barrada na Europa?

Porque não obteve a licença exigida pelo regulamento europeu MiCA para continuar oferecendo determinados serviços no bloco.

O que é uma carteira de autocustódia?

É uma carteira em que o próprio usuário controla as chaves de acesso às criptomoedas, sem depender de uma corretora.

A Binance encerrou totalmente suas atividades na Europa?

Não. A empresa restringiu diversos serviços, mas os clientes ainda conseguem sacar seus ativos e encerrar posições.

O caso afeta investidores brasileiros?

Não diretamente. No entanto, o Brasil também está implementando novas regras para o mercado de criptomoedas.

O que é o MiCA?

É o regulamento da União Europeia criado para padronizar e supervisionar o mercado de criptoativos.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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