A partir de 21 de novembro de 2025, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) exigirá o cadastro biométrico como condição para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A medida, prevista em decreto publicado em julho, tem como objetivo reduzir fraudes, garantir maior segurança e modernizar o sistema assistencial.
Cadastro biométrico será obrigatório para o BPC a partir de novembro
A partir de novembro de 2025, o cadastro biométrico será obrigatório para quem solicitar o BPC. Entenda como funciona, prazos e quem precisa fazer.
O novo procedimento será obrigatório para todos os novos requerimentos e passará a ser gradualmente estendido a outros benefícios sociais, como aposentadorias e o Bolsa Família, de acordo com o cronograma do governo federal.
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O que é o BPC e quem tem direito
O BPC, também conhecido como Benefício de Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), garante o pagamento mensal de um salário mínimo (R$ 1.518 em 2025) a dois grupos específicos:
- Idosos com 65 anos ou mais que não possuam meios de se sustentar;
- Pessoas com deficiência que comprovem impedimentos de longo prazo e condição de baixa renda.
Para receber o benefício, a renda familiar por pessoa não pode ultrapassar ¼ do salário mínimo. Diferente da aposentadoria, o BPC não exige contribuição prévia ao INSS, mas requer inscrição e atualização no Cadastro Único (CadÚnico).
Por que o cadastro biométrico se tornou obrigatório
A nova exigência surgiu após uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificar irregularidades em pagamentos feitos pelo INSS. O levantamento apontou cerca de R$ 5 bilhões pagos a pessoas que não tinham direito ao benefício.
O cadastro biométrico tem como objetivo garantir a identificação correta do beneficiário, evitando fraudes, duplicidade de registros e uso indevido de documentos.
Além disso, a biometria faz parte da estratégia de integração com a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) e o Cadastro Nacional de Identificação Civil, permitindo que diferentes órgãos públicos compartilhem dados de forma segura e unificada.
Quando a nova regra começa a valer
A obrigatoriedade do cadastro biométrico entra em vigor em 21 de novembro de 2025. A partir dessa data, quem fizer novos pedidos de BPC precisará passar pelo registro biométrico para ter o benefício analisado e concedido.
O processo será implementado gradualmente, permitindo que os beneficiários tenham tempo para se adequar. Aqueles que já possuem biometria cadastrada em documentos oficiais — como CNH, título de eleitor ou CIN — estarão dispensados de refazer o procedimento.
Como será feito o cadastro biométrico
O processo será simples e gratuito. O requerente poderá realizar o cadastro em unidades do INSS, postos de identificação estaduais ou locais credenciados, conforme orientação local.
Durante o procedimento, serão coletadas impressões digitais e reconhecimento facial, garantindo maior segurança no reconhecimento da identidade do beneficiário.
Documentos necessários
Para realizar o cadastro biométrico, será preciso apresentar:
- Documento de identidade com foto (RG, CNH ou CIN);
- CPF;
- Comprovante de residência atualizado;
- Protocolo do requerimento do benefício (quando aplicável).
Quem precisa fazer o cadastro biométrico

A obrigatoriedade se aplica a diferentes perfis de beneficiários e requerentes:
1. Novos solicitantes do BPC
Todos os que entrarem com pedido de BPC a partir de 21 de novembro de 2025 precisarão realizar a coleta biométrica.
2. Beneficiários que atualizarem o cadastro
Quem já recebe o BPC poderá ser convocado para realizar a biometria, especialmente se houver atualização de dados no CadÚnico, troca de banco pagador ou inconsistências cadastrais.
3. Pessoas sem biometria válida
Quem nunca fez biometria em documentos oficiais precisará comparecer presencialmente para coletar os dados.
4. Dispensa do procedimento
Estão dispensados aqueles que já possuem biometria registrada e validada nos bancos de dados do governo federal, como no Denatran (CNH), Justiça Eleitoral (título de eleitor) ou Secretarias Estaduais de Segurança Pública (CIN).
Impactos para os beneficiários
A medida trará mudanças importantes no processo de concessão e manutenção do BPC:
- Mais segurança: o sistema reduz fraudes e garante que o benefício seja pago à pessoa certa;
- Agilidade: integração entre sistemas públicos deve acelerar análises e concessões;
- Transparência: os dados biométricos permitirão auditorias mais precisas;
- Digitalização: parte dos atendimentos será feita de forma automatizada, reduzindo filas e tempo de espera.
Contudo, quem não realizar o cadastro quando convocado poderá enfrentar bloqueio temporário ou suspensão do benefício, até a regularização dos dados.
Como verificar se sua biometria já está válida
O INSS orienta os beneficiários a verificar se já possuem biometria ativa antes de comparecer a um posto. Isso pode ser feito pelos seguintes meios:
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- Aplicativo Meu INSS: o beneficiário pode consultar pendências cadastrais e eventuais convocações.
- Portal Gov.br: a conta digital exibe informações sobre biometria registrada e documentos validados.
- Banco pagador: algumas instituições financeiras integram os dados biométricos ao sistema do INSS e informam automaticamente a validação.
Beneficiários com dificuldade de locomoção
Pessoas com deficiência grave, idosos acamados ou com mobilidade reduzida terão atendimento prioritário e adaptado. O INSS permitirá a biometria domiciliar, mediante agendamento, garantindo o acesso sem deslocamento.
Em situações excepcionais, será possível solicitar dispensa temporária, desde que comprovadas as condições médicas e sociais do beneficiário.
Relação com o Bolsa Família e outros benefícios
A biometria para o BPC faz parte de um projeto nacional de unificação cadastral, que também engloba programas como o Bolsa Família, o Auxílio Gás e o Pé-de-Meia.
O objetivo é criar um sistema único de identificação social, com dados compartilhados entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e o INSS, garantindo mais eficiência na gestão dos recursos públicos.
Como será o cronograma de implementação
O cronograma inicial prevê:
- Novembro de 2025: início da exigência para novos requerimentos de BPC;
- Janeiro de 2026: expansão gradual para todos os benefícios assistenciais;
- Segundo semestre de 2026: integração total com a Carteira de Identidade Nacional (CIN).
Durante 2026, o governo federal também deverá disponibilizar um portal unificado de verificação biométrica, onde os cidadãos poderão consultar se sua biometria está regularizada.
O que fazer se o benefício for bloqueado

Caso o benefício seja bloqueado por ausência de biometria, o titular deve:
- Agendar atendimento pelo Meu INSS ou pelo telefone 135;
- Comparecer à unidade indicada com documentos pessoais;
- Realizar o cadastro biométrico;
- Aguardar a atualização no sistema, que reativará o benefício automaticamente.
Os pagamentos retroativos são garantidos desde que o beneficiário cumpra o procedimento dentro do prazo estipulado.
Cuidados e orientações importantes
- O cadastro é gratuito: nenhum órgão ou representante pode cobrar taxas;
- Evite intermediários: o procedimento deve ser feito diretamente pelo beneficiário ou seu representante legal;
- Mantenha os dados do CadÚnico atualizados: é essencial para evitar bloqueios indevidos;
- Verifique periodicamente o aplicativo Meu INSS: ele informará eventuais pendências.
A obrigatoriedade do cadastro biométrico no BPC/LOAS representa uma evolução na forma como o governo administra os programas sociais. A medida traz mais segurança, transparência e eficiência, mas também exige atenção dos beneficiários.
Quem solicitar o benefício a partir de 21 de novembro de 2025 deve se preparar para cumprir a nova etapa e manter seus dados atualizados. Assim, evita bloqueios e garante a continuidade do auxílio que é essencial para milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade.
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