A transformação digital revolucionou a forma como os brasileiros movimentam dinheiro. Transferências instantâneas via Pix, abertura de contas online e pagamentos pelo celular tornaram a rotina financeira mais prática, mas também ampliaram as oportunidades para criminosos especializados em golpes digitais.
Além da senha: como biometria multimodal e IA combatem fraudes bancárias
Meta descrição: Entenda como biometria multimodal, inteligência artificial e prova de vida ajudam bancos a combater fraudes, golpes do Pix e deep fakes.
Nesse cenário, apenas utilizar uma senha deixou de ser suficiente para proteger contas bancárias. As instituições financeiras passaram a investir em tecnologias avançadas de autenticação, como biometria facial, biometria multimodal e inteligência artificial (IA), capazes de verificar a identidade do cliente com muito mais precisão e identificar comportamentos suspeitos em tempo real.
Durante a Febraban Tech 2026, especialistas reforçaram que a biometria representa hoje uma das principais ferramentas no combate às fraudes financeiras. A tendência é que os bancos utilizem cada vez mais diferentes camadas de autenticação, combinando tecnologia, análise comportamental e criptografia para proteger os clientes.
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Por que as senhas já não são suficientes?

Durante muitos anos, senhas foram a principal forma de proteger contas bancárias. No entanto, o aumento dos ataques virtuais mostrou que esse modelo possui diversas limitações.
Entre os principais problemas estão:
- vazamento de senhas em ataques cibernéticos;
- reutilização da mesma senha em vários serviços;
- golpes de phishing;
- engenharia social;
- roubo de celulares já desbloqueados.
Mesmo usuários cuidadosos podem acabar tendo suas credenciais comprometidas sem perceber.
É justamente nesse cenário que a biometria surge como uma camada adicional de proteção praticamente impossível de ser compartilhada, esquecida ou copiada com facilidade.
O que é biometria facial?
A biometria facial é uma tecnologia que identifica uma pessoa analisando características únicas do seu rosto.
O sistema não compara apenas uma fotografia. Ele mapeia dezenas ou até centenas de pontos faciais, como:
- distância entre os olhos;
- formato do nariz;
- posição da boca;
- contorno do rosto;
- profundidade da face.
Esses dados são convertidos em um código matemático único, conhecido como template biométrico, utilizado para validar a identidade do usuário.
Como a biometria ajuda a impedir golpes do Pix
Um dos golpes mais preocupantes atualmente ocorre quando criminosos conseguem acesso ao celular da vítima.
Mesmo com o aparelho desbloqueado, muitos bancos exigem uma nova autenticação biométrica para concluir operações consideradas sensíveis, como:
- transferências de alto valor;
- inclusão de novos favorecidos;
- alteração de limites;
- mudança de senha;
- cadastro em outro aparelho.
Na prática, isso cria uma barreira adicional que pode impedir que criminosos consigam movimentar grandes quantias após roubar um smartphone.
Além disso, alguns bancos utilizam análise de risco para decidir quando solicitar uma nova validação facial, levando em consideração fatores como:
- horário incomum;
- valor acima do padrão;
- localização diferente;
- dispositivo desconhecido.
Inteligência artificial identifica comportamentos suspeitos
A inteligência artificial deixou de atuar apenas no reconhecimento facial.
Hoje ela acompanha praticamente toda a jornada digital do cliente.
Os sistemas conseguem analisar milhares de sinais simultaneamente, incluindo:
Localização do dispositivo
Se um cliente costuma acessar sua conta sempre em determinada cidade e, de repente, surge uma tentativa de login em outro estado ou país, o sistema pode exigir autenticação adicional.
Padrão de uso
A IA aprende o comportamento normal do usuário.
Ela observa, por exemplo:
- velocidade de digitação;
- forma de segurar o celular;
- frequência de acesso;
- horários mais comuns;
- tipo de operação realizada.
Quando ocorre um comportamento muito diferente do habitual, o risco aumenta automaticamente.
Valor das transações
Uma transferência muito superior ao histórico daquele cliente também pode gerar novas verificações antes da autorização do Pix.
O desafio dos deep fakes
Outro problema crescente envolve os chamados deep fakes.
Com auxílio da inteligência artificial, criminosos conseguem criar vídeos extremamente realistas utilizando imagens públicas das vítimas.
Em alguns casos, também conseguem reproduzir a voz.
Esse tipo de fraude representa um grande desafio para sistemas tradicionais de reconhecimento facial.
Por isso, os bancos passaram a investir em tecnologias conhecidas como Liveness Detection, ou prova de vida.
O que é a prova de vida digital?
A prova de vida digital verifica se existe uma pessoa real diante da câmera naquele momento.
O sistema consegue identificar diversos sinais impossíveis de reproduzir apenas com uma fotografia.
Dependendo do banco, podem ser solicitados movimentos como:
- piscar os olhos;
- virar o rosto;
- sorrir;
- acompanhar um ponto na tela.
Alguns sistemas ainda analisam aspectos invisíveis ao usuário, como textura da pele, profundidade da imagem e reflexos naturais da iluminação.
Isso reduz significativamente a eficácia de tentativas utilizando fotos impressas, vídeos gravados ou imagens geradas por inteligência artificial.
O que é biometria multimodal?
A tendência mais recente é a adoção da chamada biometria multimodal.
Em vez de depender apenas da face, diversos fatores passam a ser analisados simultaneamente.
Entre eles:
- reconhecimento facial;
- localização aproximada;
- dispositivo utilizado;
- comportamento de navegação;
- histórico de acessos;
- padrão das transações;
- informações de risco obtidas em tempo real.
Quanto mais elementos forem compatíveis com o perfil do cliente, maior a confiança da autenticação.
Esse modelo aumenta a segurança sem tornar o acesso mais complicado.
Criptografia protege os dados biométricos
Uma dúvida comum é se os bancos armazenam fotografias dos clientes.
Na prática, isso normalmente não acontece.
A imagem capturada durante o cadastro passa por um processo de transformação em um código matemático criptografado.
Esse código não permite reconstruir a fotografia original.
Assim, mesmo que criminosos consigam acessar os bancos de dados, não conseguem recuperar a imagem da face utilizada na autenticação.
Essa prática segue princípios previstos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que estabelece regras para tratamento e proteção de dados pessoais sensíveis, incluindo informações biométricas.
Em quais situações a biometria costuma ser exigida?
Embora cada instituição utilize regras próprias, normalmente a autenticação biométrica é solicitada em momentos considerados críticos.
Entre eles:
- abertura de conta;
- primeiro acesso;
- cadastro de novo celular;
- redefinição de senha;
- aumento de limite;
- transferências elevadas;
- alteração de dados cadastrais;
- contratação de produtos financeiros.
Essa estratégia reduz significativamente o risco de invasões.
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Como aumentar sua segurança bancária
Mesmo utilizando tecnologias avançadas, parte da segurança continua dependendo do próprio usuário.
Algumas práticas fazem grande diferença.
Ative a biometria em todas as operações
Sempre que possível, utilize biometria também para:
- pagamentos;
- Pix;
- alterações cadastrais;
- contratação de serviços.
Cadastre sua face corretamente
Escolha um ambiente:
- bem iluminado;
- sem contraluz;
- com câmera limpa;
- mantendo o rosto totalmente visível.
Um cadastro de qualidade melhora o desempenho do reconhecimento facial.
Nunca valide uma biometria inesperada
Se surgir um pedido de reconhecimento facial sem que você tenha iniciado uma operação no aplicativo do banco, desconfie.
Nesse caso:
- não conclua a validação;
- feche o aplicativo;
- entre em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais.
Proteja o próprio celular
Também é importante:
- manter o sistema operacional atualizado;
- usar bloqueio por biometria ou senha forte;
- evitar instalar aplicativos desconhecidos;
- ativar autenticação em duas etapas quando disponível.
O futuro da segurança bancária
A tendência é que a autenticação se torne praticamente invisível para o usuário.
Em vez de solicitar confirmações frequentes, os sistemas passarão a analisar continuamente diversos sinais de segurança durante toda a navegação.
A inteligência artificial será responsável por verificar, em tempo real, se aquele comportamento continua compatível com o histórico do cliente.
Caso seja identificado algum risco, novas validações poderão ser solicitadas imediatamente.
Esse modelo reduz atritos para quem utiliza o aplicativo normalmente, ao mesmo tempo em que dificulta a ação de criminosos.
Perguntas frequentes
O banco guarda a foto do meu rosto?
Normalmente não. A imagem é convertida em um código matemático criptografado (template biométrico), utilizado apenas para confirmar sua identidade.
A biometria facial é mais segura que senha?
Ela oferece uma camada extra de proteção porque utiliza características físicas únicas do usuário, reduzindo riscos associados ao roubo ou vazamento de senhas.
O que acontece se alguém roubar meu celular?
Mesmo com o aparelho desbloqueado, muitos bancos exigem uma nova autenticação biométrica para operações consideradas críticas, dificultando o acesso de criminosos.
Deep fake consegue enganar a biometria?
Os bancos utilizam tecnologias como a prova de vida (Liveness Detection), que verificam se existe uma pessoa real diante da câmera, reduzindo significativamente esse tipo de fraude.
O que significa biometria multimodal?

É a combinação de diferentes fatores de autenticação, como reconhecimento facial, comportamento do usuário, localização do dispositivo e inteligência artificial, tornando a validação muito mais segura do que depender apenas de uma senha ou de um único método de identificação.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
