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BitChat: rival do WhatsApp funciona sem internet e é lançado por criador do Twitter

BitChat, novo app de Jack Dorsey, envia mensagens criptografadas sem internet, usando Bluetooth e sem exigir número de celular.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
BitChat: rival do WhatsApp funciona sem internet e é lançado por criador do Twitter

Em um cenário digital marcado por preocupações com privacidade, segurança de dados e crescente vigilância, um novo aplicativo de mensagens promete revolucionar a forma como nos comunicamos. O BitChat, lançado em fase beta pelo empresário Jack Dorsey — cofundador do Twitter (atual X) —, surge como uma alternativa descentralizada ao WhatsApp, funcionando sem internet e sem a necessidade de criação de contas.

Com funcionamento baseado em redes mesh via Bluetooth Low Energy (BLE), o BitChat já está disponível para testes no iOS e macOS, mas com acesso limitado a apenas 10 mil usuários. O conceito é ousado: permitir que pessoas troquem mensagens de forma segura, anônima e completamente offline, usando apenas conexões de curto alcance com dispositivos próximos.

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A proposta do BitChat: comunicação descentralizada e criptografada

Bitchat
Imagem: Crypto News Australia

App funciona mesmo em áreas sem cobertura de rede

A principal inovação do BitChat é o uso de uma rede mesh baseada em Bluetooth. Em vez de depender de servidores centralizados ou conexões móveis, o aplicativo permite que mensagens “saltem” de um dispositivo para outro até chegarem ao destinatário final. Ou seja, cada celular com o aplicativo instalado pode atuar como um ponto de retransmissão, aumentando o alcance da rede.

Embora o número de “saltos” seja limitado — o que restringe a distância entre remetente e receptor —, o sistema permite a comunicação em locais sem acesso à internet ou rede de telefonia, como em protestos, zonas de desastre, áreas rurais ou até mesmo dentro de ambientes fechados com pouca conectividade.

Zero conta, zero número de telefone

Outro diferencial relevante é que o BitChat não exige login, nem número de celular, nem e-mail. O usuário pode escolher um apelido (username), útil para identificar-se em salas de bate-papo, mas não é obrigatório. Todas as mensagens são armazenadas localmente no dispositivo e são automaticamente apagadas quando o aplicativo é encerrado, reforçando o caráter efêmero e privado das comunicações.

Segundo Dorsey, o aplicativo reflete sua visão de uma internet mais livre, menos controlada por grandes corporações e mais focada nos direitos digitais. A abordagem está em linha com outras iniciativas suas, como a rede social descentralizada Bluesky, da qual foi um dos idealizadores até 2024.

O apelo crescente por privacidade nas comunicações

Críticas ao WhatsApp impulsionam buscas por alternativas

O WhatsApp ainda é o aplicativo de mensagens mais popular do planeta, com bilhões de usuários ativos. No entanto, a confiança no serviço vem sendo abalada por algumas decisões recentes da Meta (dona do WhatsApp), como a integração com outras plataformas, coleta de metadados e a introdução de anúncios em status.

Apesar de o app oferecer criptografia de ponta a ponta, essas mudanças têm gerado críticas entre os usuários mais preocupados com privacidade. É nesse contexto que o BitChat, assim como o Signal, ganham relevância por apostarem em um modelo de comunicação mais seguro e sem exploração de dados pessoais.

Dorsey reforça que seu objetivo com o BitChat é proporcionar liberdade de expressão, segurança e descentralização da comunicação. “A internet deveria servir às pessoas, e não às empresas que a exploram comercialmente”, afirmou em entrevistas anteriores.

Como funciona a rede mesh do BitChat?

bitchat app
Imagem: Canva

Tecnologia permite que mensagens viajem de celular em celular

A rede mesh do BitChat utiliza Bluetooth Low Energy, um protocolo que consome menos energia e é ideal para dispositivos móveis. Funciona da seguinte forma: quando um usuário envia uma mensagem, seu celular procura outros dispositivos com BitChat nas proximidades. A mensagem, então, é transmitida de um para outro, em uma espécie de “corrente”, até alcançar o destinatário.

Esse processo garante anonimato, descentralização e criptografia ponta a ponta, sem depender de torres de celular, Wi-Fi ou roteadores. No entanto, por ser baseado em proximidade física, o BitChat ainda é limitado a áreas onde há uma densidade razoável de usuários do aplicativo — um desafio natural em fases iniciais de adoção.

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Lançamento limitado e expectativas para o futuro

Disponível em versão beta para iOS e macOS

Neste primeiro momento, o BitChat está acessível apenas para um grupo fechado de até 10 mil usuários, conforme informado pelo site 9to5Mac. A versão beta está restrita aos sistemas iOS e macOS, e ainda não há previsão para lançamento em Android ou para o público geral.

Especialistas apontam que, embora o conceito seja promissor, a adesão em larga escala será um dos principais obstáculos. Aplicativos baseados em redes mesh exigem um número mínimo de dispositivos ativos nas proximidades para garantir a eficácia da comunicação. Além disso, a limitação a usuários Apple pode dificultar a expansão inicial da base de usuários.

Ainda assim, a proposta é vista com bons olhos por entusiastas da tecnologia descentralizada e por defensores da privacidade digital. Caso consiga atrair usuários suficientes, o BitChat pode se tornar uma alternativa viável — ou ao menos inspirar outras plataformas a adotar modelos mais voltados à liberdade e segurança.

O futuro da comunicação segura e offline

O BitChat chega em um momento oportuno, onde o debate sobre controle de dados, vigilância e liberdade digital ganha força em diversas partes do mundo. O uso de tecnologias peer-to-peer (P2P), como redes mesh, é cada vez mais estudado como forma de empoderar usuários e resistir à censura e monitoramento.

Se conseguirá substituir ou competir diretamente com gigantes como WhatsApp, ainda é cedo para afirmar. Mas é inegável que o BitChat já cumpre um papel importante ao colocar em pauta a necessidade de repensar a forma como nos comunicamos — especialmente em um mundo hiperconectado, mas cada vez menos privado.

Imagem: TechJuice

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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