O Bitcoin iniciou esta segunda-feira (16) em alta, refletindo a instabilidade global provocada pelos recentes confrontos entre Israel e Irã. Às 9h (horário de Brasília), a maior criptomoeda do mundo acumulava valorização de 1,84% nas últimas 24 horas, negociada a US$ 106,9 mil, segundo a plataforma CoinMarketCap.
Conflito Israel-Irã impulsiona alta do Bitcoin nesta segunda-feira
Bitcoin sobe 1,84% com conflitos no Oriente Médio e expectativa de corte de juros nos EUA; analistas avaliam impacto da geopolítica e política monetária.
A escalada militar no Oriente Médio somou mais um ingrediente ao cenário já volátil do mercado global, influenciado pelas decisões monetárias dos Estados Unidos. Especialistas apontam que, mesmo diante de conflitos e aversão ao risco, o Bitcoin continua mostrando resiliência, sustentado por fluxos institucionais e fundamentos técnicos.
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Investidores buscam proteção diante do conflito Israel-Irã
Segundo André Franco, analista cripto e CEO da Boost Research, a valorização recente do Bitcoin reflete a percepção de que o ativo digital se consolidou como uma alternativa de proteção em tempos de incerteza. “O fôlego do BTC é resultado da sua resiliência diante das tensões geopolíticas, ancorado por fundamentos técnicos e pelo crescente interesse institucional”, destaca.
Embora tradicionalmente os ativos de risco, como as criptomoedas, sofram em cenários de guerra, o Bitcoin vem se descolando desse padrão. A aversão ao risco que costuma impulsionar o dólar também tem provocado um movimento de proteção por parte de investidores que buscam refúgios alternativos — entre eles, o BTC.
Dólar forte limita apetite, mas não trava avanço
Mesmo com o fortalecimento do dólar pressionando ativos como o Bitcoin, o desempenho do criptoativo se mantém firme. “O impacto no curto prazo é neutro a levemente negativo”, observa Franco. “A valorização do dólar reduz o apetite ao risco, mas não chega a provocar uma fuga intensa do BTC como vimos em ciclos anteriores.”
O receio de uma guerra em larga escala entre Israel e Irã leva os mercados tradicionais a operar com maior cautela. No entanto, o Bitcoin tem se comportado de forma mais estável, com volatilidade moderada e suporte técnico forte nos níveis atuais.
Expectativa de corte de juros impulsiona criptoativos
Reunião do Fed concentra atenções nesta semana
A semana também será decisiva para os rumos do mercado financeiro global. O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, se reúne para avaliar os próximos passos da política monetária. A expectativa majoritária é de manutenção da taxa básica de juros no intervalo entre 4,25% e 4,5% ao ano.
Contudo, indicadores recentes têm alimentado a esperança de que o Fed possa iniciar um ciclo de cortes ainda em 2025. O principal deles foi o índice de preços ao consumidor (CPI), divulgado na última quarta-feira (11), que subiu 0,1% em maio — abaixo da projeção de 0,2%. Em 12 meses, a inflação foi de 2,4%, também inferior ao consenso de 2,5%.
Liquidez mais ampla favorece o Bitcoin
Para Luísa Pires, fundadora da LP Crypto e especialista em análise de criptoativos, a perspectiva de queda nos juros é um dos principais fatores que favorecem a retomada do Bitcoin. “A dúvida não é mais se os juros vão cair, mas sim quando e em qual velocidade”, explica.
Ela acrescenta que momentos de expansão da liquidez global favorecem ativos com alto potencial de valorização, como o BTC. “Foi assim nos ciclos de alta anteriores, principalmente entre 2020 e 2021, quando o Bitcoin disparou com a injeção de capital nos mercados provocada pela pandemia”, lembra Pires.
Fundamentos técnicos e institucionais reforçam alta

Volume e suporte consolidam tendência positiva
Além do contexto macroeconômico, fatores técnicos também têm sustentado a trajetória de valorização do Bitcoin. O ativo tem mantido suporte firme acima dos US$ 100 mil, com aumento consistente de volume de negociações e interesse institucional.
“Estamos vendo grandes fundos e empresas retomando a exposição ao Bitcoin em seus portfólios, tanto como proteção quanto como aposta de longo prazo”, afirma André Franco. Esse movimento tende a reduzir a volatilidade e reforçar o papel da criptomoeda como reserva de valor alternativa.
ETFs de criptoativos ganham tração nos EUA
Outro fator que tem dado fôlego ao Bitcoin são os ETFs de criptoativos aprovados nos Estados Unidos. Desde que a SEC (Securities and Exchange Commission) deu sinal verde para os fundos de índice baseados em Bitcoin, o fluxo de capital institucional aumentou consideravelmente, abrindo as portas para uma nova classe de investidores.
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A demanda constante por esses produtos também colabora para que o BTC se mantenha valorizado mesmo em períodos de turbulência.
Olhar para o médio e longo prazo segue otimista
BTC deve se beneficiar da queda do custo de capital
Se os juros nos EUA de fato começarem a cair nos próximos trimestres, o Bitcoin pode entrar em mais um ciclo de valorização robusto. “Quanto menor o custo do capital, maior o apetite por ativos de alto crescimento. Isso favorece diretamente o Bitcoin e outras criptomoedas”, resume Luísa Pires.
Analistas destacam que, com os fundamentos técnicos sólidos e a macroeconomia tendendo à flexibilização monetária, o BTC pode ultrapassar novas resistências e atingir patamares inéditos ainda em 2025.
Guerra ainda é fator de risco
Por outro lado, os conflitos entre Israel e Irã ainda representam um fator de risco. Uma escalada militar com impacto direto sobre o petróleo, por exemplo, pode reverter o cenário de queda da inflação global e empurrar os bancos centrais a adiar cortes de juros.
“Caso a guerra se intensifique e afete o fornecimento de energia, podemos ver uma nova onda inflacionária que colocaria pressão sobre o Fed e outros bancos centrais”, adverte André Franco. Nesse caso, o desempenho do Bitcoin poderia ser afetado negativamente, ao menos no curto prazo.
Conclusão: Bitcoin entre dois mundos
O momento do Bitcoin é de equilíbrio entre dois vetores poderosos: de um lado, o medo da guerra e a consequente aversão ao risco; do outro, a perspectiva de queda de juros e o aumento da liquidez global. No meio disso, a maior criptomoeda do planeta segue avançando, testando resistências e consolidando seu papel no cenário macroeconômico.
Para os investidores, o recado é de cautela, mas também de atenção às oportunidades. O Bitcoin mostra que, mesmo em tempos difíceis, pode continuar sendo uma peça-chave em estratégias de diversificação e proteção patrimonial.
