O Banco Central reduziu novamente a taxa básica de juros do Brasil. Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16).
Foi a quinta redução consecutiva de 0,25 ponto percentual desde março de 2026. Ao todo, a taxa caiu 1,25 ponto percentual durante esse período, mas continua em um patamar elevado.
Para o consumidor, a decisão pode abrir espaço para uma queda gradual nos juros de empréstimos e financiamentos. Isso, porém, não significa que as taxas cobradas pelos bancos cairão imediatamente ou na mesma proporção do corte anunciado pelo Banco Central.
A Selic também influencia o rendimento de aplicações financeiras, a cotação do dólar, o consumo das famílias, os investimentos das empresas e o comportamento da inflação. Por isso, mesmo uma alteração aparentemente pequena pode produzir efeitos em diferentes áreas da economia.
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Por que o Banco Central reduziu a Selic?

A redução foi possível principalmente por causa da desaceleração recente da inflação e da perda de força de alguns setores da economia.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,32% em agosto. Deflação significa que, na média, os preços pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram menores do que no mês anterior.
Em julho, o IPCA havia avançado 0,06%. Em junho, a alta foi de 0,16%. Com esses resultados, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,22% em agosto.
Esse percentual ficou abaixo do limite superior do intervalo de tolerância da meta de inflação, que é de 4,5%. Ainda assim, permanece acima do centro da meta, fixado em 3%.
Além dos preços, o Copom observou uma moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis ao crédito e aos juros. Quando famílias e empresas reduzem o consumo e os investimentos, a pressão sobre os preços tende a diminuir.
Segundo o comunicado do Copom, a inflação cheia e as medidas subjacentes — indicadores que procuram identificar a tendência dos preços, retirando oscilações muito específicas — perderam força. O cenário deu espaço para mais um corte, embora o Banco Central tenha mantido um discurso de cautela.
Como funciona a taxa Selic?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela serve como referência para diversas operações realizadas por bancos, empresas, governo e consumidores.
Na prática, o Banco Central utiliza a Selic como uma ferramenta para controlar a inflação.
Quando os preços sobem rapidamente, o Copom pode aumentar os juros. O crédito fica mais caro, as pessoas consomem menos e as empresas tendem a adiar investimentos. Com uma procura menor por produtos e serviços, a inflação pode perder força.
Quando a inflação diminui e a economia desacelera, o Banco Central pode reduzir a taxa. A intenção é tornar o crédito menos restritivo e favorecer uma retomada gradual do consumo e dos investimentos.
Esse efeito não acontece de um dia para o outro. As mudanças na Selic podem levar meses para chegar plenamente à economia, pois dependem das decisões dos bancos, das condições fiscais, do risco de inadimplência e das expectativas para a inflação.
O que muda nos empréstimos e financiamentos?
A redução da Selic pode contribuir para a queda dos juros cobrados em algumas linhas de crédito. Entretanto, o consumidor não deve esperar uma diminuição imediata e generalizada.
A taxa de um empréstimo não depende apenas da Selic. Os bancos também consideram:
- o risco de o cliente não pagar;
- os custos administrativos da operação;
- os impostos;
- o prazo do contrato;
- as garantias oferecidas;
- a margem de lucro da instituição;
- o histórico financeiro do consumidor.
Por isso, uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic não significa que os juros do cartão, do cheque especial ou do crédito pessoal cairão na mesma proporção.
Crédito pessoal pode ficar mais barato?
O crédito pessoal pode apresentar alguma redução ao longo dos próximos meses, principalmente se o ciclo de cortes continuar. Ainda assim, as taxas variam bastante entre os bancos.
Antes de contratar, o consumidor deve comparar o Custo Efetivo Total (CET). Esse indicador reúne juros, tarifas, impostos e demais despesas do contrato. Ele mostra quanto o crédito realmente custará.
Uma instituição pode divulgar juros aparentemente menores, mas cobrar tarifas que tornam a operação mais cara. Por isso, olhar apenas a taxa mensal pode levar a uma escolha ruim.
Financiamentos de veículos serão afetados?
Os financiamentos de veículos também podem ficar um pouco mais acessíveis, mas o resultado depende do prazo, da entrada, do perfil do cliente e das condições oferecidas pela instituição.
Uma entrada maior costuma reduzir o valor financiado e, consequentemente, os juros pagos até o fim do contrato. Mesmo com a Selic em queda, comparar propostas continua sendo indispensável.
Financiamento imobiliário cai imediatamente?
Não necessariamente. Parte dos financiamentos imobiliários utiliza taxas definidas de acordo com o custo de captação dos bancos, a poupança, a Taxa Referencial (TR), a inflação ou outros índices.
A Selic influencia esse mercado, mas a transmissão costuma ser gradual. Para quem pretende comprar um imóvel, pode valer a pena acompanhar as condições oferecidas por diferentes instituições e verificar a possibilidade de portabilidade no futuro.
A portabilidade permite transferir uma dívida para outro banco que ofereça condições melhores, sem a necessidade de iniciar um novo financiamento do zero.
Cartão de crédito e cheque especial vão ficar mais baratos?
A redução da Selic, isoladamente, não garante uma queda relevante nas taxas do cartão de crédito rotativo e do cheque especial.
Essas modalidades possuem juros elevados porque envolvem risco maior de inadimplência e pouca garantia de pagamento. Também contam com regras específicas, além de custos próprios das instituições financeiras.
Quem possui uma dívida no rotativo não deve esperar novos cortes da Selic para agir. A recomendação é procurar o banco, verificar propostas de parcelamento e comparar alternativas com juros menores, como um empréstimo pessoal ou consignado, quando disponível.
A troca só é vantajosa se o novo contrato realmente apresentar um CET menor e parcelas compatíveis com o orçamento.
O que acontece com os investimentos?
A Selic em 13,75% ao ano mantém a renda fixa atrativa. Apesar do corte, a taxa continua elevada e favorece aplicações que acompanham o CDI ou a própria Selic.
Entre os investimentos influenciados estão:
- Tesouro Selic;
- CDBs pós-fixados;
- fundos DI;
- contas remuneradas;
- Letras de Crédito Imobiliário (LCI);
- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
O CDI costuma ficar muito próximo da Selic. Portanto, aplicações que rendem 100% do CDI tendem a acompanhar a trajetória da taxa básica.
Com a redução, esses investimentos passam a render um pouco menos do que rendiam antes. A mudança, porém, é pequena e não elimina a atratividade dos títulos pós-fixados.
Quanto rende um investimento com Selic de 13,75%?
Um investimento de R$ 10 mil que acompanhasse integralmente uma taxa de 13,75% ao ano teria um rendimento bruto teórico de aproximadamente R$ 1.375 em 12 meses.
Esse cálculo é apenas uma referência. O valor líquido dependerá de fatores como:
- Imposto de Renda;
- taxa de administração;
- percentual do CDI oferecido;
- prazo da aplicação;
- dias úteis considerados no rendimento;
- eventual cobrança de IOF em resgates realizados nos primeiros 30 dias.
No Tesouro Direto e nos CDBs, por exemplo, o Imposto de Renda segue uma tabela regressiva. A alíquota começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e pode cair para 15% após 720 dias.
A poupança muda com o corte?
Não. Enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a regra da poupança continua a mesma: rendimento de 0,5% ao mês, acrescido da Taxa Referencial.
Portanto, o corte para 13,75% não altera diretamente a fórmula.
Apesar da isenção de Imposto de Renda e da simplicidade, a poupança pode oferecer retorno inferior ao de outros produtos conservadores. A comparação deve considerar rendimento líquido, segurança e facilidade de resgate.
É hora de trocar a renda fixa pela Bolsa?
Não existe uma resposta válida para todos os investidores. A decisão depende do objetivo, do prazo e da tolerância ao risco.
A queda dos juros pode beneficiar a Bolsa porque reduz o custo financeiro das empresas e torna investimentos de maior risco relativamente mais interessantes. No entanto, a Selic ainda permanece alta, e o cenário econômico apresenta incertezas.
O mais prudente é evitar mudanças bruscas motivadas por uma única decisão do Copom. Diversificação e reserva de emergência continuam sendo mais importantes do que tentar adivinhar o próximo movimento do mercado.
O corte ajuda a controlar ou aumenta a inflação?
A redução dos juros pode estimular o consumo, o crédito e a atividade econômica. Se esse estímulo for excessivo, poderá aumentar a procura por produtos e serviços e dificultar a queda da inflação.
Por isso, o Banco Central não reduz a Selic apenas porque um único mês apresentou deflação. O Copom analisa a tendência dos preços e as projeções para os próximos trimestres.
A meta oficial de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Na prática, o limite vai de 1,5% a 4,5%.
Embora o IPCA acumulado em 12 meses até agosto tenha ficado em 4,22%, o Banco Central passou a projetar inflação de 5,2% para o fechamento de 2026 e de 3,9% para 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para as decisões atuais, a projeção permaneceu em 3,2%.
Os números não são contraditórios. A taxa de 4,22% considera os 12 meses terminados em agosto, enquanto a projeção de 5,2% considera o IPCA acumulado entre janeiro e dezembro de 2026.
Por que o Copom não prometeu novos cortes?
O Banco Central afirmou que a extensão do atual ciclo de redução dependerá das informações divulgadas daqui para frente. Isso significa que um novo corte não está garantido.
Entre os riscos acompanhados pelo Copom estão:
- comportamento da inflação de serviços;
- expectativas de inflação acima da meta;
- aumento dos gastos públicos;
- crescimento da dívida pública;
- variações do dólar;
- preços internacionais do petróleo;
- tensões no Oriente Médio;
- possíveis efeitos climáticos sobre os alimentos;
- cenário eleitoral brasileiro;
- juros elevados nos Estados Unidos.
A elevação dos juros norte-americanos para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano também aumenta a cautela. Taxas maiores nos Estados Unidos podem atrair recursos de outros países, pressionar moedas de economias emergentes e encarecer produtos importados.
Se o dólar subir, combustíveis, medicamentos, fertilizantes, equipamentos e matérias-primas importadas podem ficar mais caros. Parte desse aumento chega ao consumidor e pressiona a inflação.
Este foi o último corte da Selic em 2026?
Não necessariamente. A expressão “último corte antes da eleição” significa apenas que esta foi a última reunião do Copom realizada antes da votação marcada para outubro.
A próxima reunião ocorrerá no início de novembro, depois das eleições. O Banco Central poderá cortar, manter ou até aumentar a Selic, dependendo do comportamento da inflação, do dólar, da atividade econômica e das expectativas do mercado.
A decisão de setembro não representa uma promessa de pausa. Também não garante a continuidade dos cortes de 0,25 ponto percentual.
Por que a situação das contas públicas influencia os juros?
Quando o mercado percebe risco de crescimento descontrolado dos gastos e da dívida pública, investidores podem exigir juros maiores para emprestar dinheiro ao governo.
Esse movimento também pode afetar o dólar e as expectativas de inflação. Se as empresas acreditarem que os preços continuarão subindo, poderão reajustar contratos, salários e produtos antecipadamente.
O Banco Central pode precisar manter a Selic elevada por mais tempo para impedir que essas expectativas se transformem em inflação real.
Por isso, política monetária e política fiscal estão conectadas. A primeira envolve decisões sobre juros e circulação de dinheiro. A segunda trata da arrecadação, dos gastos e da dívida do governo.
Quando o consumidor sentirá os efeitos?
Algumas taxas de mercado podem reagir rapidamente, mas o efeito mais amplo da Selic costuma aparecer aos poucos.
Bancos precisam reavaliar seus custos, o risco dos clientes e as condições econômicas antes de alterar produtos. Contratos já assinados com juros fixos também não mudam automaticamente.
Quem já possui um financiamento deve verificar se o contrato permite portabilidade ou renegociação. Quem pretende contratar crédito pode acompanhar as ofertas, aumentar a entrada e reduzir o prazo para diminuir o custo final.
Para o investidor, o impacto pode ser percebido antes. Aplicações pós-fixadas passam a acompanhar a nova taxa, enquanto títulos prefixados e vinculados à inflação podem oscilar conforme as expectativas do mercado.
O que fazer depois da queda da Selic?
O corte não exige uma mudança imediata na vida financeira. O melhor caminho depende da situação de cada pessoa.
Quem está endividado deve priorizar a troca de dívidas caras por alternativas mais baratas, sem esperar que a Selic resolva o problema sozinha.
Quem pretende contratar um financiamento deve comparar o CET, negociar a entrada e evitar comprometer uma parcela excessiva da renda.
Já quem investe deve revisar os objetivos antes de alterar a carteira. A renda fixa continua oferecendo retornos elevados, enquanto ativos de maior risco exigem planejamento e capacidade de suportar oscilações.
A Selic caiu para 13,75%, mas permanece em um nível restritivo. Isso significa que o Banco Central começou a aliviar os juros, porém continua tentando impedir que a inflação se afaste da meta.
Perguntas frequentes

Qual é a taxa Selic atual?
A taxa Selic está em 13,75% ao ano após a redução de 0,25 ponto percentual aprovada pelo Copom em 16 de setembro de 2026.
A redução da Selic diminui a parcela do financiamento?
Contratos com juros fixos não têm a parcela reduzida automaticamente. Em financiamentos com taxa variável, o efeito dependerá do índice previsto no contrato. Também pode ser possível buscar renegociação ou portabilidade.
O cartão de crédito ficará mais barato?
Não necessariamente. Os juros do cartão dependem da Selic, mas também são influenciados pelo risco de inadimplência, pelos custos das instituições e pelas regras da modalidade.
A renda fixa ainda vale a pena com a Selic em 13,75%?
Sim. Tesouro Selic, CDBs e outros investimentos pós-fixados continuam oferecendo retornos elevados. A escolha precisa considerar prazo, impostos, liquidez e risco do emissor.
A poupança passou a render menos?
A fórmula não mudou. Como a Selic continua acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial.
O Banco Central vai cortar os juros novamente?
Não há garantia. O Copom informou que as próximas decisões dependerão dos dados de inflação, da atividade econômica, das contas públicas e do cenário internacional.
A deflação de agosto significa que todos os preços caíram?
Não. A deflação representa uma queda média do conjunto de preços pesquisados pelo IBGE. Alguns produtos podem ter ficado mais baratos, enquanto outros continuaram subindo.
Por que a Selic continua alta se a inflação caiu?
A inflação acumulada ainda está acima do centro da meta de 3%, e existem riscos fiscais, cambiais, climáticos e internacionais. O Banco Central procura evitar que uma redução rápida dos juros volte a pressionar os preços.
