Nesta segunda‑feira (9 de junho de 2025), o Bitcoin (BTC) valorizou cerca de 2,07% e foi negociado a US$ 108 521,88, impulsionado pela retomada das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China, que ocorre em Londres, com o objetivo de expandir o acordo preliminar firmado em maio em Genebra. O Ethereum (ETH) também subiu 2%, cotado a US$ 2.583,29, reforçando o fortalecimento do mercado cripto .
Bitcoin dispara com rodada de negociações EUA–China em Londres e mira US$ 110 000
Bitcoin avança cerca de 2% após nova rodada de negociações EUA–China em Londres. Ethereum acompanha alta, e IPO da Circle com USDC impulsiona confiança institucional
O clima de otimismo global, alimentado pelo telefonema entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping na última quinta-feira e pela nova rodada de diálogos em Londres, tem elevado o apetite por ativos de risco — entre eles, o Bitcoin — e reacendido a expectativa de que a criptomoeda possa romper a barreira dos US$ 110 000.
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Contexto das negociações entre EUA e China
A guerra comercial entre Washington e Pequim vem desde 2018, com tarifações crescentes, restrições tecnológicas e retaliações mútuas, gerando tensão nos mercados globais.
Em 11 de maio, uma trégua de 90 dias foi acordada, com cortes tarifários relevantes: de 145% para 30% nos EUA e de 125% para 10% na China. O resultado foi um salto do Bitcoin acima dos US$ 105 000, com valores testando os US$ 106 000.
Acordo de Genebra e rodada em Londres
O encontro em Genebra, em maio, abriu caminho para futuras discussões comerciais. Agora, a delegação dos EUA (incluindo o representante comercial e Dan Bessent) se reúne em Londres com autoridades chinesas para discutir ampliação do acordo, com foco em tecnologia, tarifas e comércio bilateral. Esse tipo de sinal político favorece o sentimento de risco nos mercados.
Desempenho do Bitcoin e Ethereum nesta segunda-feira
Bitcoin: +2,07%
Por volta das 16h (Brasília), o Bitcoin registrava valorização de 2,07%, chegando a US$ 108 521,88 . Esse salto expressivo se dá num cenário de rebote técnico após quedas moderadas — resultado de realização de lucros — que não alteram a tendência geral de alta.
Ethereum acompanha com +2%

O Ethereum, segunda maior criptomoeda por capitalização, também subiu 2%, cotado a US$ 2.583,29, sinalizando que a onda de otimismo atingiu o mercado cripto de forma ampla.
Interpretação de analistas
Konstantinos Chrysikos (Kudotrade)
Chrysikos destaca que o desfecho das negociações EUA–China será determinante para os mercados de risco global, incluindo criptomoedas:
“O resultado das negociações entre EUA e China pode influenciar o apetite por risco nos mercados globais.”
John Isige (FXStreet)
Isige aponta que o MACD e o SuperTrend sinalizam continuidade de alta para o BTC, com potencial de rompimento acima de US$ 110 000 . Contudo, ele alerta:
“Condições de sobrecompra, realização de lucros e mudanças macroeconômicas podem provocar reversão, com suporte estimado em cerca de US$ 100 000.”
Análise técnica do Bitcoin
Indicadores de compra em destaque
- MACD: recente cross bullish aponta entrada firme de compradores.
- SuperTrend: permanece abaixo do preço, sinal de tendência altista.
- RSI (Índice de Força Relativa): se aproxima da zona de sobrecompra, mas sem sinais de exaustão.
Pontos-chave de suporte e resistência
- Suporte principal: US$ 100 000, nivelado como piso técnico ao testar a média móvel de 50 dias.
- Resistência imediata: US$ 110 000 — rompê-la com volume pode abrir caminho para US$ 115 000.
- Próximas metas: US$ 120 000 e até US$ 150 000, se o fluxo de notícias e os indicadores acompanharem .
Ambiente macroeconômico: juros, inflação e Fed
O avanço das negociações comerciais cria um ambiente de apetite ao risco. Paralelamente, o Federal Reserve se prepara para possíveis cortes de juros, especialmente com dados de inflação e emprego abaixo do esperado, o que favorece ativos de maior risco, como cripto e ações.
Reduzir a taxa básica deixa o custo de oportunidade de investimentos em renda fixa menos atrativo, fortalecendo fluxos para criptomoedas — já que títulos do Tesouro pagam menos juros.
Expo institucional e a estreia da Circle na NYSE
A Circle Internet Group, emissora do stablecoin USDC, estreou na NYSE (ticker CRCL) na quinta‑feira (5 de junho), precificando suas ações a US$ 31. A oferta foi ampliada para 34 milhões de ações e captou aproximadamente US$ 1,05 bilhão, valendo a empresa em cerca de US$ 6,9 bilhões.
Na abertura, as ações dispararam para US$ 69 (+123%), chegando a até US$ 108 em determinadas sessões — valorização de aproximadamente 250–345% em poucos dias, refletindo demanda institucional e entusiasmo com stablecoins.
Implicações para o mercado cripto
- Validação institucional: investidores querem exposição cripto por meio de veículos regulados.
- Confiança regulatória: IPO aprovado pela SEC/NYSE sinaliza ambiente mais amigável.
- Futuro dos stablecoins: USDC, atualmente com cerca de US$ 61 bilhões em circulação, solidifica seu papel como ponte entre cripto e finanças tradicionais.
O panorama das stablecoins e o papel disruptivo da USDC
Em 2025, o USDC cresceu de US$ 43,7 bilhões para US$ 61,5 bilhões, mantendo-se a segunda maior stablecoin depois da Tether (USDT).
Embora ainda exista insegurança regulatória, o IPO da Circle destaca a tendência de clareza legal — especialmente com projetos como o GENIUS Act prevendo requisitos de reservas, auditoria e governança, o que pode reduzir o risco para investidores institucionais.
Correlação mercado cripto e trade risk
Após o pacto de Genebra, o Bitcoin subiu até US$ 106 000. O anúncio de negociações em Londres manteve o impulso, validando a hipótese de que notícias comerciais positivas favorecem o rali cripto.
Eventos como falhas nos acordos ou surpresas inflacionárias podem provocar retomada da aversão ao risco. O suporte em US$ 100 000 se torna então crucial como “zona de contenção” para eventuais correções.
Previsões de mercado
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Analistas como os do Cointelegraph apontam que, caso o ciclo de cortes de juros se consolide e o ambiente comercial permaneça saudável, o Bitcoin pode atingir US$ 150 000; um padrão conhecido como “bull flag” semanal respaldaria esse movimento.
Caso o mercado sofra correções, o nível de US$ 100 000 provavelmente será testado — com eventuais repiques nesse suporte promovendo renovação de fluxo comprador.
Impacto dos fluxos institucionais
A forte entrada institucional via ETFs ficou evidente; paralelamente à admissão pública da Circle, aumentam os investimentos em produtos que expõem ao Bitcoin sem necessidade de custodiar diretamente a criptomoeda.
Empresas públicas seguem adquirindo BTC para seus balanços — movimento iniciado pela MicroStrategy e agora permeando outros players corporativos — reduzindo a liquidez disponível e subindo o preço em picos de demanda.
Riscos à vista
O histórico do Bitcoin mostra ciclos de alta seguidos por ondas de correção de até 30% em meses, especialmente quando há realização de lucros por grandes players.
A continuidade ou falha do acordo EUA–China, casos emergentes de conflito ou mudanças abruptas na política internacional podem iniciar saídas de capitais de ativos como o BTC.
Surpresas desfavoráveis nos dados de inflação, desemprego ou produção industrial podem limitar a disposição de investidores a manter posições em ativos de risco.
Perspectivas estruturais para o mercado cripto

O sucesso da Circle em aderir ao mercado de capitais reforça a narrativa de que criptomoedas já fazem parte da alocação institucional global — uma tendência que deve se fortalecer ainda mais nos próximos anos.
A coexistência de stablecoins e blockchains com pagamento instantâneo sugere a evolução do sistema financeiro tradicional — com movimentos como o da Visa, adotando USDC em parcerias com Solana, sendo apenas o início.
Considerações finais

A valorização do Bitcoin para mais de US$ 108 500, junto à estabilidade do Ethereum e o entusiasmo recorde com o IPO da Circle, ilustra o momento robusto do mercado cripto.
A combinação de fatores políticos (negociações comerciais EUA–China), macroeconômicos (expectativa de cortes de juros), e institucionais (entrada de fundos e listagem de empresas cripto em bolsa) está sustentando o rally atual.
Eventos-chave à frente:
- Resultados finais das negociações em Londres.
- Novos dados de inflação e emprego nos EUA.
- Decisões regulatórias ou legislativas envolvendo stablecoins.
- Acompanhamento de fluxos institucionais e balanços trimestrais das empresas de cripto.
A depender do desfecho desses eventos, o Bitcoin pode romper US$ 110 000 e vislumbrar US$ 120 000 a US$ 150 000, ou sofrer correção até a marca de US$ 100 000. Para investidores, permanece crucial monitorar não apenas os gráficos, mas também a evolução do panorama global — e ajustar estratégias conforme ruídos macro e microeconômicos.
