Na noite da quarta-feira (13), o bitcoin (BTC) atingiu um marco histórico ao ultrapassar a casa dos US$ 124 mil (equivalente a R$ 670,1 mil), consolidando-se como o ativo mais valorizado entre os criptoativos. A marca é a maior já registrada desde a criação da criptomoeda, em 2009.
Bitcoin em alta histórica: fatores por trás do recorde e tendências imediatas
Bitcoin atinge novo recorde de US$ 124 mil impulsionado por ETFs nos EUA, fluxo institucional e cenário macroeconômico favorável. Veja análises e perspectivas.
Contudo, após essa disparada, o preço recuou ligeiramente, fechando em torno de US$ 117.600 nas sessões de quinta (14) e sexta-feira (15), influenciado por um movimento de realização de lucros por parte dos investidores.
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O que está por trás da alta recorde do bitcoin?

A força dos ETFs de bitcoin nos EUA
Segundo André Portilho, diretor de ativos digitais do BTG Pactual, quatro fatores principais explicam a alta explosiva do BTC. O primeiro e mais relevante é o forte fluxo de capital institucional que vem sendo direcionado aos ETFs à vista de bitcoin nos Estados Unidos.
Desde que esses produtos foram aprovados, em janeiro de 2024, grandes gestoras de recursos e fundos de investimento passaram a acessar o mercado de criptoativos de forma regulada.
Hoje, esses ETFs somam cerca de US$ 158,64 bilhões em ativos sob gestão, o equivalente a 6,48% de todo o valor de mercado do bitcoin, segundo dados da plataforma SoSoValue. O movimento tem provocado uma demanda constante e previsível pela criptomoeda, fortalecendo sua cotação.
Adoção por empresas e tesourarias
O segundo fator mencionado por Portilho é o crescimento das chamadas “bitcoin treasuries companies” — empresas que mantêm bitcoin em seus caixas como forma de diversificação de patrimônio e proteção contra inflação. Até julho de 2025, cerca de 150 companhias figuravam na lista de detentores institucionais de bitcoin.
Entre os exemplos está a startup brasileira Méliuz, que detém 596 unidades da criptomoeda em sua tesouraria. Esse tipo de movimento fortalece a legitimidade do BTC como reserva de valor e acelera sua institucionalização.
Ambiente regulatório favorável nos EUA
A evolução das regras nos Estados Unidos também contribui para o bom momento do mercado. Em julho, o Congresso americano aprovou o Genius Act, uma legislação que esclarece as regras para emissão, negociação e custódia de ativos digitais, trazendo mais segurança jurídica para investidores e empresas do setor.
Essa clareza regulatória tem atraído capital institucional e reduzido as barreiras de entrada para novos participantes, gerando maior liquidez e confiança.
Cenário macroeconômico internacional
O quarto e último pilar da recente valorização do bitcoin é o ambiente macroeconômico global. A combinação de um dólar em queda, expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve e tensões geopolíticas tem aumentado a procura por ativos alternativos como o ouro e o bitcoin.
Projeções e volatilidade no curto prazo
Análise técnica indica novos alvos
Para Ana de Mattos, analista técnica e parceira da plataforma Ripio, o BTC pode testar novas resistências nos patamares de US$ 130 mil e US$ 135 mil, caso o preço se mantenha acima de regiões consideradas fortes em termos de volume comprador. Ela alerta, no entanto, que caso haja quebra dessas estruturas por realizações institucionais, os suportes mais prováveis estão nas faixas de US$ 119 mil e US$ 116.980.
Expectativas com corte de juros
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+311 mil seguidores
André Franco, CEO da Boost Research, destaca que a expectativa de cortes nos juros americanos é fator determinante para a manutenção da tendência de alta. “A combinação entre dólar fraco, perspectiva de afrouxamento monetário e performance positiva nas bolsas favorece o apetite por ativos de risco como os criptoativos”, diz Franco.
Possíveis riscos no horizonte
Apesar do otimismo, André Portilho alerta para fatores que podem impactar negativamente o preço do bitcoin no curto prazo, como:
- Decisões inesperadas de política monetária;
- Mudanças repentinas na regulação de criptoativos;
- Movimentações atípicas de grandes detentores (conhecidos como “baleias”).
Bitcoin como proteção e ativo estratégico
Com o novo recorde, o bitcoin se consolida não apenas como uma aposta de curto prazo, mas como uma peça estratégica nas carteiras institucionais. Sua escassez programada — limitada a 21 milhões de unidades — e a adoção crescente por grandes empresas elevam seu status de reserva de valor.
Para os investidores de varejo, o momento também é propício, embora a volatilidade natural do ativo exija cautela, diversificação e foco no longo prazo.
Considerações finais
O recorde histórico de US$ 124 mil alcançado pelo bitcoin em agosto de 2025 marca um capítulo importante na trajetória da criptomoeda. Impulsionado por fatores regulatórios, institucionais e macroeconômicos, o ativo digital reafirma seu papel central no mercado financeiro global.
Se o ritmo de adoção continuar, especialistas apontam que não será surpresa se novos recordes forem registrados nos próximos meses, consolidando o bitcoin como protagonista do novo sistema financeiro descentralizado.
