Nesta sexta-feira, 2 de maio de 2025, o mercado de criptomoedas amanheceu com um marco relevante: o preço do Bitcoin (BTC) voltou a superar a faixa dos US$ 97 mil, nível que não era alcançado desde fevereiro.
Bitcoin supera US$ 97 mil e mercado observa: nova máxima histórica ou correção à vista?
Bitcoin inicia maio com alta e ultrapassa US$ 97 mil. Analistas avaliam se o movimento aponta para nova máxima histórica ou uma correção iminente. Entenda o cenário técnico e institucional por trás da alta.
A valorização consolida a performance positiva da moeda em abril e acende o debate sobre o que esperar para os próximos dias — uma nova máxima histórica ou uma correção técnica.
Segundo dados da plataforma CoinMarketCap, o Bitcoin apresenta alta de 0,7% nas últimas 24 horas, com cotação em torno de US$ 97.081. No acumulado dos últimos sete dias, o avanço é de aproximadamente 2,6%, refletindo otimismo institucional e resiliência frente ao clima macroeconômico desafiador.
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A sequência de alta do BTC em abril

Em meio ao aumento das tensões globais, sobretudo após o novo pacote tarifário imposto pelos EUA sob a gestão de Donald Trump, o Bitcoin contrariou o movimento das principais bolsas. Enquanto o S&P 500 e o Nasdaq entraram em território de bear market no mês anterior, o BTC encerrou abril com valorização de 14%, superando inclusive o desempenho do ouro, que subiu 5% no período.
Para Matheus Parizotto, analista da Mynt, plataforma cripto do BTG Pactual, a força do Bitcoin reflete não apenas a sua narrativa de reserva de valor em tempos de instabilidade, mas também o crescente interesse institucional.
“Mesmo com o VIX acima de 60 e os mercados tradicionais sinalizando recessão, o Bitcoin entregou retorno superior, o que reforça sua atratividade em ciclos de tensão”, explica.
O papel das instituições na valorização do Bitcoin
Um dos catalisadores da atual fase de valorização é a movimentação de grandes empresas em torno do Bitcoin. A MicroStrategy, por exemplo, anunciou que dobrará seu plano de aquisições, com previsão de investimentos que podem ultrapassar US$ 84 bilhões em BTC nos próximos meses.
O anúncio serviu como sinal verde para outras empresas que mantêm reservas em caixa e buscam diversificação frente ao risco inflacionário e à desvalorização cambial.
Além disso, fundos institucionais e ETFs de Bitcoin à vista continuam atraindo fluxo positivo. O cenário reforça a percepção de que o ativo digital vem ganhando legitimidade como uma classe de investimento consolidada, quebrando barreiras regulatórias e ganhando espaço nas estratégias de alocação de patrimônio.
Análise técnica: momento decisivo entre resistência e suporte
A movimentação recente do BTC colocou os analistas em alerta. De acordo com Ana de Mattos, analista técnica parceira da corretora Ripio, o mercado está se aproximando de zonas cruciais de decisão.
“Caso o movimento de alta se mantenha, os próximos níveis de resistência estão localizados em US$ 98.800 e, posteriormente, em US$ 105.140, que representa a barreira psicológica de três dígitos”, afirma.
No entanto, o mercado não descarta a possibilidade de realização de lucros. “Se houver entrada de força vendedora, os suportes estão posicionados em US$ 93.400 e, mais abaixo, em US$ 84.500”, completa.
RSI em sobrecompra: alerta ou confirmação de força?
Já Guilherme Prado, country manager da Bitget, aponta para um importante indicador técnico: o Índice de Força Relativa (RSI). Atualmente, o RSI do BTC está em 71, indicando uma situação de sobrecompra. Isso, segundo Prado, pode sinalizar uma correção técnica no curto prazo.
“Por outro lado, se o RSI se mantiver acima de 70 e o volume continuar crescente, a tendência de alta pode se intensificar e levar o BTC até os US$ 100 mil, possivelmente ainda neste semestre”, avalia.
Os fatores por trás da nova onda de valorização
A escalada tarifária promovida pela nova gestão de Trump nos EUA trouxe de volta o temor de uma guerra comercial global. Com impacto direto sobre o comércio internacional e os índices acionários, os investidores voltaram a buscar refúgios alternativos, como o próprio BTC e o ouro.
Apesar do clima adverso, o Bitcoin demonstrou robustez. O mercado parece ter absorvido bem os riscos associados, sinalizando que a criptomoeda está sendo percebida não mais como um ativo puramente especulativo, mas como proteção sistêmica diante das disfunções dos mercados tradicionais.
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Com a recente ocorrência do halving do Bitcoin em abril de 2025, que reduziu pela metade a recompensa por bloco minerado, a oferta de novos bitcoins caiu. Em mercados com alta demanda, isso tende a pressionar positivamente o preço.
O fenômeno, combinado ao aumento do apetite institucional, criou uma tempestade perfeita para impulsionar os preços do BTC neste novo ciclo.
Comparativo: Bitcoin versus altcoins em 2025
Enquanto o BTC avança, outras criptomoedas de grande capitalização não acompanham o mesmo ritmo. A dominância do Bitcoin — percentual de participação no valor total do mercado cripto — voltou a crescer, evidenciando a falta de força das chamadas altcoins.
Veja o desempenho recente das 10 maiores criptomoedas:
| Nome | Preço (USD) | 24h (%) | 7d (%) | YTD (%) |
|---|---|---|---|---|
| Bitcoin (BTC) | 97.081 | +0,7% | +2,6% | +4,1% |
| Ethereum (ETH) | 1.831,24 | -1,06% | +2,08% | -45,03% |
| XRP | 2,21 | -1,21% | +0,12% | +6,36% |
| BNB | 597,69 | -0,98% | -1,58% | -14,74% |
| Solana (SOL) | 150,23 | -0,86% | -3,21% | -20,61% |
| Dogecoin (DOGE) | 0,1808 | +0,84% | -1,69% | -42,72% |
| Cardano (ADA) | 0,7049 | -0,26% | -2,76% | -16,45% |
| TRON (TRX) | 0,2457 | -1,23% | +0,77% | -3,31% |
O índice de Temporada de Altcoins, mantido pelo CoinMarketCap, confirma o distanciamento entre o desempenho do BTC e o das demais criptomoedas. Das 100 maiores altcoins, apenas 12 apresentam lucro significativo nos últimos 90 dias. O restante amarga perdas que, em alguns casos, superam os 60%.
Perspectivas para maio: novo topo histórico no horizonte?
O número US$ 100.000 tem um peso simbólico para o mercado cripto. É visto como um gatilho psicológico que pode impulsionar uma nova fase de valorização, atraindo ainda mais capitais institucionais e investidores de varejo.
Se o BTC conseguir consolidar-se acima de US$ 98 mil e manter o ritmo de entrada de recursos, analistas acreditam que o rompimento da máxima histórica pode ocorrer nas próximas semanas. No entanto, sinais de sobrecompra e o risco de novas pressões macroeconômicas continuam sendo obstáculos relevantes.
Conclusão: Bitcoin em encruzilhada decisiva

O Bitcoin inicia maio com força, rompendo resistências e consolidando seu papel de ativo estratégico. Contudo, o mercado se encontra em um momento decisivo: a continuidade do movimento altista depende tanto de fatores técnicos — como volume e força do RSI — quanto de elementos estruturais, como o comportamento institucional e o cenário macroeconômico global.
Com o halving ainda fresco e o interesse corporativo em alta, o BTC parece ter fôlego para buscar os US$ 100 mil. Ainda assim, uma correção de curto prazo não está descartada. O mercado, como sempre, observa — e o Bitcoin, mais uma vez, dita o ritmo.
