O Bitcoin protagonizou uma das recuperações mais fortes dos últimos anos. Depois de começar a semana perto de US$ 63 mil, a maior criptomoeda do mercado chegou a se aproximar de US$ 80 mil na sexta-feira, 21 de agosto.
A valorização superou 20% na semana encerrada na sexta, mesmo após o Bitcoin perder parte dos ganhos intradiários. Neste domingo, 23 de agosto, a moeda digital continuava próxima de US$ 77,4 mil, ainda muito acima do nível registrado no começo da semana.
A disparada foi alimentada por uma combinação incomum: mudança no programa de recompra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, queda dos juros de longo prazo, enfraquecimento do dólar, liquidação de apostas baixistas e retorno de recursos aos ETFs de Bitcoin.
O ambiente político norte-americano também contribuiu. Sinais de apoio do governo Donald Trump à regulamentação de criptoativos melhoraram o humor dos investidores.
Nada disso, porém, elimina o principal risco. Parte relevante da alta foi provocada pela compra forçada de Bitcoin por operadores que haviam apostado em uma queda. Quando esse impulso técnico perde força, o preço pode voltar a oscilar rapidamente.
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Quanto o Bitcoin subiu?

O Bitcoin chegou a superar US$ 79 mil durante as negociações de 21 de agosto, depois de ter começado a semana próximo de US$ 62,8 mil.
No ponto mais alto, a valorização acumulada se aproximou de 25%. Após uma acomodação, o ganho semanal ficou acima de 20%, segundo diferentes referências de mercado.
A diferença entre os percentuais divulgados ocorre porque as criptomoedas são negociadas 24 horas por dia. O resultado muda conforme a corretora, o horário e o preço usado para definir o início e o encerramento da semana.
O mercado de ações possui um horário oficial de fechamento. No Bitcoin, não existe um único pregão centralizado, o que pode gerar números ligeiramente diferentes.
Mesmo com essa variação, a conclusão é a mesma: foi uma das melhores semanas do Bitcoin desde 2024.
A alta também se espalhou para outros ativos ligados ao setor, como Ethereum, ações de corretoras de criptomoedas e empresas que mantêm grandes quantidades de Bitcoin em seus balanços.
Por que uma decisão do Tesouro dos EUA ajudou o Bitcoin?
O principal gatilho apareceu em 19 de agosto. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que aumentará o tamanho de suas operações de recompra de títulos públicos de vencimento mais longo.
O limite das operações para determinados títulos de dez a 30 anos passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões. A mudança começa em 9 de setembro, conforme o comunicado oficial do Tesouro norte-americano.
A recompra funciona de maneira semelhante a uma empresa que compra de volta parte de suas ações. Nesse caso, o governo adquire títulos públicos que já estão circulando no mercado.
O objetivo declarado é melhorar a liquidez. Em termos simples, a medida busca facilitar a negociação de títulos antigos e reduzir problemas em partes menos movimentadas do mercado. O Tesouro confirmou que o valor máximo por operação será pelo menos duplicado.
Recompra de títulos não é impressão de dinheiro
A medida não deve ser confundida automaticamente com uma nova rodada de afrouxamento quantitativo, conhecida pela sigla QE.
No QE, o banco central cria reservas para comprar títulos em grande escala, buscando reduzir juros e estimular a economia. A recompra anunciada pelo Tesouro é uma operação de administração da dívida e de suporte à liquidez.
Mesmo assim, a notícia afetou os preços. Os rendimentos de títulos longos recuaram e o dólar perdeu força, criando um ambiente mais favorável a ativos de risco.
Quando os juros dos títulos públicos diminuem, investimentos considerados seguros ficam relativamente menos atraentes. Uma parte do dinheiro pode buscar ações, ouro e criptomoedas em busca de maior retorno.
O que foi o short squeeze que acelerou a alta?
A reação inicial do Bitcoin se transformou em uma disparada por causa de um fenômeno chamado short squeeze.
Uma posição vendida, também conhecida como short, é uma aposta na queda do preço. No mercado futuro, o operador pode lucrar se o Bitcoin cair, mas perde se a cotação subir.
Muitos investidores fazem essas operações com alavancagem. Isso significa movimentar uma posição superior ao dinheiro depositado como garantia.
Se o preço sobe rapidamente, a corretora pode encerrar automaticamente a operação para impedir que o prejuízo ultrapasse a garantia. Esse processo é chamado de liquidação.
Para fechar uma posição vendida, o sistema precisa executar uma compra. Quando milhares de posições são liquidadas ao mesmo tempo, essas compras forçadas empurram o preço ainda mais para cima.
Forma-se um ciclo:
- O Bitcoin começa a subir.
- Apostadores na queda acumulam prejuízos.
- As corretoras liquidam posições alavancadas.
- As liquidações geram novas ordens de compra.
- O preço sobe mais e alcança outros operadores.
Estimativas citadas pelo mercado apontam bilhões de dólares em posições baixistas liquidadas entre 19 e 21 de agosto. O valor varia conforme a plataforma e a seleção de criptoativos considerada.
Isso ajuda a explicar por que o Bitcoin percorreu milhares de dólares em pouco tempo. Não foram apenas compradores otimistas entrando espontaneamente; muitos operadores foram obrigados a comprar para encerrar perdas.
Os ETFs também ajudaram na recuperação?
Sim. Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos voltaram a receber recursos depois de um período de menor interesse.
ETF é um fundo negociado em bolsa. No caso dos produtos à vista, o gestor compra Bitcoin para acompanhar o preço da criptomoeda e oferece cotas aos investidores no mercado tradicional.
Essa estrutura permite exposição ao ativo sem a necessidade de abrir conta em uma corretora de criptomoedas ou cuidar diretamente de chaves digitais.
Os ETFs norte-americanos receberam aproximadamente US$ 1,6 bilhão entre segunda e quinta-feira daquela semana, segundo levantamentos do mercado. Somente na quinta-feira, 20 de agosto, as entradas líquidas ficaram próximas de US$ 606 milhões.
As captações foram interpretadas como sinal de retorno dos investidores institucionais. BlackRock, Fidelity, Bitwise, ARK Invest e outras gestoras administram produtos desse tipo.
Entradas positivas não garantem que a valorização continuará. Os fundos também podem registrar retiradas, obrigando os gestores a vender parte dos ativos mantidos.
O apoio político nos Estados Unidos influenciou?
O cenário político ajudou a reforçar o otimismo, embora não tenha sido o único responsável pela alta.
Donald Trump reuniu representantes da indústria de criptomoedas e voltou a defender a aprovação de regras para o mercado. A administração norte-americana mantém uma postura mais favorável aos ativos digitais e afirma que pretende fortalecer a liderança dos Estados Unidos no setor.
O governo já havia criado uma reserva estratégica de Bitcoin formada por ativos confiscados em processos federais. Também apoiou iniciativas destinadas a estabelecer regras para stablecoins e outros criptoativos.
Um dos projetos acompanhados pelo mercado é o Clarity Act, voltado à definição da estrutura regulatória do setor. A proposta tenta estabelecer com mais precisão quais ativos e atividades serão supervisionados pelos diferentes órgãos norte-americanos.
A definição interessa a corretoras, gestores e empresas porque reduz dúvidas sobre registro, negociação e fiscalização. Ainda assim, o texto enfrenta divergências políticas e precisa cumprir todas as etapas legislativas antes de produzir efeitos.
A sinalização positiva do governo melhora as expectativas, mas não equivale à aprovação imediata da lei.
Por que o dólar mais fraco beneficia o Bitcoin?
O Bitcoin é cotado internacionalmente em dólar. Quando a moeda norte-americana enfraquece, ativos escassos ou negociados globalmente podem ganhar atratividade.
O efeito também foi observado no ouro, que subiu durante a semana. O metal, porém, não recebeu o mesmo impulso das liquidações de posições vendidas que aceleraram o Bitcoin.
Por esse motivo, alguns analistas consideraram o ouro um sinal mais direto da reação macroeconômica. A valorização do Bitcoin refletiu tanto a mudança nos juros e no dólar quanto a estrutura alavancada do mercado de derivativos.
Essa diferença é importante. Um movimento impulsionado por compras forçadas pode ser mais intenso, mas também perder força rapidamente depois que as liquidações terminam.
A alta significa que o mercado de baixa acabou?
Ainda é cedo para afirmar.
O Bitcoin continua muito abaixo do recorde superior a US$ 126 mil registrado em outubro de 2025. Antes da recuperação, a criptomoeda havia caído para aproximadamente US$ 58,6 mil no fim de junho.
Uma subida da faixa de US$ 60 mil para perto de US$ 80 mil representa uma recuperação expressiva. Contudo, ainda não apaga completamente a perda acumulada desde o topo.
Para confirmar uma mudança mais duradoura, analistas costumam observar:
- permanência do preço acima dos níveis rompidos;
- continuidade das entradas nos ETFs;
- redução da alavancagem excessiva;
- aumento do volume de compras no mercado à vista;
- comportamento dos juros e do dólar;
- evolução da regulamentação;
- ausência de novas crises de liquidez.
Se a demanda continuar mesmo depois do encerramento do short squeeze, a recuperação ganha uma base mais sólida. Se as compras desaparecerem, parte da alta pode ser devolvida.
O Bitcoin pode voltar ao recorde?
A volta ao recorde é possível, mas não pode ser prevista com segurança.
Para alcançar novamente US$ 126 mil a partir da região de US$ 77 mil, o Bitcoin precisaria subir mais de 60%. Esse cálculo mostra que ainda existe uma distância considerável até a máxima histórica.
O caminho pode ser favorecido por juros menores, entradas institucionais e regulamentação mais clara. No sentido contrário, juros elevados, fortalecimento do dólar, saídas dos ETFs e redução do apetite por risco podem pressionar a cotação.
Criptomoedas também estão sujeitas a falhas em plataformas, ataques cibernéticos, mudanças regulatórias e movimentos de grandes detentores, conhecidos como baleias.
Segundo dados atribuídos à CryptoQuant, grandes investidores adicionaram cerca de US$ 2,75 bilhões em Bitcoin durante os 60 dias anteriores à alta. A acumulação pode reduzir a oferta disponível, mas não impede que essas mesmas carteiras vendam no futuro.
É um bom momento para comprar Bitcoin?
Não existe uma resposta válida para todos. Comprar depois de uma valorização superior a 20% em poucos dias exige cuidado redobrado, porque o entusiasmo pode levar a decisões impulsivas.
O investidor precisa avaliar se suporta uma queda forte logo depois da compra. Oscilações diárias de vários pontos percentuais são comuns no mercado de criptomoedas.
Um exemplo hipotético mostra o risco. Quem investe R$ 10 mil e enfrenta uma queda de 20% passa a ter R$ 8 mil. Para voltar aos R$ 10 mil, será necessária uma valorização de 25%, e não apenas de 20%.
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Antes de investir, é recomendável:
- manter uma reserva de emergência;
- não usar dinheiro necessário para contas;
- evitar empréstimos para comprar criptomoedas;
- não operar com alavancagem sem compreender os riscos;
- limitar a exposição a uma parcela compatível com o perfil;
- desconfiar de promessas de lucro garantido;
- utilizar plataformas conhecidas e ativar autenticação em duas etapas;
- considerar os efeitos tributários das operações.
A disparada passada não garante valorização futura. O preço pode continuar subindo, andar de lado ou recuar sem aviso.
Como declarar e pagar imposto sobre Bitcoin no Brasil?
A valorização do ativo, sozinha, não gera imposto enquanto não houver uma operação tributável. Obrigações podem surgir quando o investidor vende, troca ou utiliza criptomoedas em determinadas condições.
A Receita Federal exige que criptoativos sejam informados na declaração anual quando atendidos os critérios aplicáveis. Ganhos de capital podem ser tributados conforme o valor das alienações realizadas no mês e as regras vigentes.
Operações feitas em corretoras estrangeiras ou fora de exchanges brasileiras também podem exigir prestação de informações. As normas mudam conforme o tipo e o valor da operação.
Por isso, o investidor deve guardar:
- comprovantes de compra e venda;
- taxas cobradas;
- datas das operações;
- cotações em reais;
- transferências entre carteiras;
- relatórios das corretoras.
Em caso de dúvida, vale consultar as orientações atualizadas da Receita Federal ou um profissional de contabilidade com experiência em ativos digitais.
O que acompanhar depois da disparada?
O primeiro indicador é a sustentação da região de preço alcançada. Permanecer perto de US$ 77 mil mesmo após as liquidações sugere que compradores reais continuam no mercado.
Os fluxos dos ETFs também merecem atenção. Entradas constantes indicam procura institucional; retiradas fortes podem aumentar a pressão vendedora.
Outro ponto é o mercado de derivativos. Se a alavancagem voltar a crescer rapidamente, aumenta a possibilidade de novas liquidações — desta vez em posições compradas.
Por fim, juros, dólar e decisões políticas nos Estados Unidos continuarão influenciando o mercado. O Bitcoin funciona 24 horas por dia, mas continua sensível ao sistema financeiro tradicional.
Alta impressiona, mas risco continua elevado
O Bitcoin teve uma de suas melhores semanas dos últimos anos e voltou à região de US$ 77 mil. A recompra de títulos anunciada pelo Tesouro dos Estados Unidos foi o gatilho macroeconômico, enquanto o short squeeze ampliou a velocidade do movimento.
Entradas nos ETFs e sinais políticos favoráveis ajudaram a sustentar o otimismo. Mesmo assim, a alta não representa garantia de retorno ao recorde nem prova definitiva de que o período de queda terminou.
Para quem já investe, o momento exige revisão do risco e da exposição. Para quem pensa em entrar, a cautela é ainda mais importante: comprar depois de uma disparada pode significar aceitar oscilações intensas no curto prazo.
Perguntas frequentes

Quanto o Bitcoin subiu na semana?
O Bitcoin acumulou valorização superior a 20% na semana encerrada em 21 de agosto, depois de sair da região de US$ 63 mil e se aproximar de US$ 80 mil.
Por que o Bitcoin subiu tanto?
A alta foi provocada pela recompra de títulos anunciada pelo Tesouro dos EUA, queda dos juros longos, dólar mais fraco, liquidação de posições vendidas e entradas nos ETFs.
O que é short squeeze no Bitcoin?
É uma alta acelerada pela liquidação de investidores que apostavam na queda. Para encerrar essas posições, as plataformas realizam compras, empurrando o preço ainda mais para cima.
O Bitcoin voltou ao recorde histórico?
Não. Apesar da recuperação, a criptomoeda continua abaixo do recorde superior a US$ 126 mil registrado em outubro de 2025.
A alta do Bitcoin vai continuar?
Não é possível garantir. A continuidade dependerá da demanda à vista, dos ETFs, dos juros, do dólar, da regulamentação e do nível de alavancagem.
Vale a pena comprar Bitcoin depois da alta?
A decisão depende do perfil e da capacidade de suportar perdas. Comprar após uma disparada aumenta o risco de entrar perto de um pico de curto prazo.
É possível perder todo o dinheiro investido?
O Bitcoin pode sofrer quedas muito fortes. Embora uma perda total seja diferente de uma oscilação de mercado, o investidor também pode perder recursos em golpes, falências de plataformas ou erros na guarda das chaves.
Bitcoin precisa ser declarado no Imposto de Renda?
Criptoativos devem ser informados à Receita Federal quando atendidos os critérios aplicáveis. Vendas e outras operações também podem gerar imposto e obrigações de informação.



