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Bancários pressionam bancos por aumento real após paralisação nacional

A paralisação nacional dos bancários realizada em 20 de agosto colocou a negociação salarial da categoria em uma fase decisiva. Trabalhadores de bancos públicos

Bruna MachadoPor Bruna Machado··14 min de leitura
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A paralisação nacional dos bancários realizada em 20 de agosto colocou a negociação salarial da categoria em uma fase decisiva. Trabalhadores de bancos públicos e privados interromperam as atividades por 24 horas para cobrar uma proposta econômica da Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban.

A mobilização ocorreu depois de oito rodadas de negociação sem a apresentação de um índice para o reajuste dos salários e das demais verbas. Os bancários reivindicam reposição da inflação, aumento real de 5% e valorização da Participação nos Lucros e Resultados, a PLR, do piso salarial, do vale-refeição e do vale-alimentação.

A paralisação não representou o início automático de uma greve por tempo indeterminado. Funcionou como uma advertência para pressionar os bancos antes do encerramento da atual Convenção Coletiva de Trabalho, em 31 de agosto de 2026.

Uma nova rodada está prevista para segunda-feira, 24 de agosto. A expectativa é que a Fenaban apresente uma proposta global capaz de destravar a Campanha Nacional dos Bancários.

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Por que os bancários fizeram uma paralisação?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A mobilização foi motivada pela falta de uma proposta econômica considerada concreta pelo Comando Nacional dos Bancários.

A pauta da categoria foi entregue em junho, depois de ser aprovada na 28ª Conferência Nacional dos Bancários. Desde então, representantes dos trabalhadores e dos bancos passaram a negociar salários, benefícios, condições de trabalho, empregos e renovação de direitos.

Na sétima rodada, realizada em 13 de agosto, a Fenaban não apresentou o índice de reajuste esperado pelos sindicatos. Em vez disso, colocou em discussão um modelo de correção diferente conforme a faixa salarial.

Na prática, trabalhadores com remunerações diferentes poderiam receber percentuais distintos. Também foi discutido o congelamento do piso de ingresso, valor mínimo recebido por quem começa a trabalhar no setor.

As propostas foram rejeitadas nas assembleias. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 97,66% dos participantes votaram contra o texto apresentado, enquanto 89,34% aprovaram a paralisação de 20 de agosto.

Na rodada seguinte, a Fenaban retirou a proposta de reajuste por faixas. O recuo foi considerado um avanço pelos representantes dos trabalhadores, mas não resolveu o principal impasse: até aquele momento, não havia um percentual definido para os salários, a PLR e os benefícios. A retirada da proposta foi comunicada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo.

O que significa aumento real de salário?

Aumento real é o reajuste concedido acima da inflação. Seu objetivo não é apenas repor a perda provocada pelo aumento dos preços, mas ampliar efetivamente o poder de compra do trabalhador.

Imagine um salário de R$ 5 mil e uma inflação acumulada de 4%. Se o reajuste for exatamente de 4%, a remuneração passará para R$ 5.200.

Nesse exemplo, houve uma correção nominal, mas não necessariamente um ganho real. O salário aumentou porque os preços também ficaram mais altos.

Se o acordo conceder reposição da inflação mais 5% de aumento real, os dois percentuais deverão ser aplicados conforme a fórmula negociada. O resultado não é necessariamente obtido pela soma simples, porque o ganho real pode incidir sobre o valor já corrigido.

Qual índice é usado pelos bancários?

As negociações da categoria costumam utilizar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC. Calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, ele acompanha a variação de preços para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos.

O INPC é diferente do IPCA, embora os dois meçam a inflação. O IPCA alcança uma faixa de renda mais ampla e é o índice oficial utilizado no sistema de metas de inflação do país.

Em julho de 2026, o INPC teve variação negativa de 0,01% e acumulava 4,33% em 12 meses, segundo o IBGE. O percentual definitivo da data-base dos bancários dependerá do resultado de agosto.

A data-base é o momento anual em que salários e condições coletivas são revistos. Para os bancários, ela ocorre em 1º de setembro.

Quanto a categoria está reivindicando?

A pauta aprovada pelos bancários prevê reposição integral do INPC mais 5% de aumento real nos salários e nas demais verbas econômicas.

A proposta alcança:

  • salários;
  • pisos de entrada;
  • Participação nos Lucros e Resultados;
  • vale-refeição;
  • vale-alimentação;
  • auxílio-creche e auxílio-babá;
  • outras verbas previstas na convenção coletiva.

A reivindicação foi definida após uma consulta nacional com 54.952 respostas. O aumento real apareceu como prioridade para 93% dos participantes. A valorização da PLR foi mencionada por 63%, enquanto reajustes maiores para os vales foram indicados por 51%. Os resultados foram divulgados pela Contraf-CUT.

Esses números expressam a posição dos trabalhadores que responderam à consulta. Eles não significam que a Fenaban tenha aceitado os percentuais.

Por que piso, PLR e vales estão no centro da negociação?

O salário mensal é apenas uma parte da remuneração dos bancários. A convenção nacional também estabelece pisos, benefícios e critérios para pagamento da PLR.

Cada um desses pontos afeta o trabalhador de uma maneira diferente.

Piso salarial

O piso é a menor remuneração prevista para determinadas funções da categoria. Ele tem peso maior para trabalhadores que estão entrando no setor ou ocupam cargos com salários menores.

Quando o piso fica congelado enquanto os demais salários recebem correção, aumenta a distância entre quem ganha menos e quem ocupa posições mais bem remuneradas.

Os sindicatos argumentam que essa diferenciação enfraqueceria a estrutura nacional da categoria e poderia aumentar as desigualdades internas.

Participação nos Lucros e Resultados

A PLR é um pagamento ligado aos resultados obtidos pelo banco. Ela não substitui o salário e segue regras próprias, definidas na negociação coletiva e na legislação.

O modelo nacional dos bancários foi construído a partir de 1995. Ao longo dos anos, a categoria consolidou uma fórmula que combina uma parcela baseada no salário com uma parcela adicional relacionada ao lucro do banco.

A reivindicação de 2026 busca elevar os valores e evitar mudanças que reduzam o pagamento. Os sindicatos defendem que o crescimento dos resultados financeiros deve ser dividido de maneira mais equilibrada com os empregados.

Vale-refeição e vale-alimentação

O vale-refeição é destinado principalmente às refeições realizadas durante o expediente. O vale-alimentação costuma ser usado na compra de produtos em supermercados e estabelecimentos semelhantes.

A categoria pede um reajuste maior para essas verbas porque alimentação representa uma parcela relevante das despesas familiares. Uma correção abaixo dos preços efetivamente encontrados em restaurantes e mercados reduz a capacidade de compra dos benefícios.

Qual é o argumento dos bancários para exigir ganho real?

O movimento sindical afirma que o sistema financeiro apresenta resultados suficientemente elevados para conceder aumento acima da inflação.

Segundo levantamento divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, os bancos brasileiros registraram lucro de R$ 174 bilhões em 2025. Os cinco maiores teriam concentrado aproximadamente R$ 124 bilhões desse total.

O sindicato também aponta que o lucro líquido dos maiores bancos cresceu acima da inflação nas últimas décadas. Os dados são utilizados na mesa para sustentar que o setor não enfrenta uma crise que impeça a valorização dos empregados.

Esses números integram a argumentação do movimento sindical e devem ser entendidos dentro da negociação. O valor final do reajuste dependerá do acordo entre os representantes dos trabalhadores e a Fenaban.

Os sindicatos relacionam o crescimento dos lucros ao trabalho diário realizado nas agências, centrais administrativas e áreas tecnológicas. Entre as atividades estão atendimento, análise de crédito, segurança de operações, desenvolvimento de sistemas, processamento de transações e venda de produtos financeiros.

Outro argumento envolve a transformação digital. Embora aplicativos tenham ampliado o acesso aos serviços, eles também mudaram funções, elevaram a cobrança por metas e aumentaram a necessidade de profissionais especializados em tecnologia e segurança.

O que estava previsto na proposta rejeitada?

A proposta discutida antes da paralisação não apresentava um índice geral de reajuste. Também abria espaço para correções diferentes conforme a remuneração.

Esse modelo causou preocupação porque poderia romper a lógica de reajuste nacional aplicada de forma ampla à categoria.

A Convenção Coletiva dos Bancários é válida para trabalhadores de bancos públicos e privados em todo o país. Além dela, funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal negociam acordos específicos sobre questões próprias das duas instituições.

Entre os pontos rejeitados ou questionados estavam:

  • possibilidade de reajustes diferentes por faixa salarial;
  • congelamento do piso de ingresso;
  • ausência de índice para salários;
  • falta de proposta para a valorização da PLR;
  • falta de resposta para os vales;
  • risco de divisão entre grupos de trabalhadores.

Após a pressão das assembleias, a Fenaban retirou a proposta de reajuste por faixas. A Contraf-CUT informou, entretanto, que os bancos ainda não haviam apresentado um índice econômico até a oitava rodada. O relato da negociação foi publicado pela entidade sindical.

A paralisação afetou os clientes dos bancos?

A paralisação de 20 de agosto atingiu unidades de bancos públicos e privados em diferentes cidades. A adesão variou conforme a região, a instituição e o local de trabalho.

Clientes que encontraram agências fechadas continuaram contando com canais digitais, caixas eletrônicos e serviços disponíveis em correspondentes bancários. Algumas operações, porém, dependem de atendimento presencial.

O fechamento temporário pode afetar principalmente idosos, pessoas sem acesso estável à internet, consumidores com dificuldade para utilizar aplicativos e moradores de cidades com poucas agências.

Os sindicatos afirmam que a mobilização também buscou chamar atenção para o fechamento de unidades e a redução dos postos de trabalho no setor. Na avaliação das entidades, a diminuição do atendimento presencial transfere dificuldades para a população.

Para o consumidor, a recomendação é verificar o funcionamento da agência antes de sair de casa e, quando possível, utilizar os canais oficiais do banco. Senhas, códigos e dados bancários nunca devem ser fornecidos a pessoas que ofereçam ajuda fora das dependências oficiais.

A paralisação pode virar greve?

Pode haver novas mobilizações, mas uma greve por tempo indeterminado não começa automaticamente após a paralisação de advertência.

Para que a categoria entre em greve, sindicatos e trabalhadores precisam avaliar o resultado das negociações e tomar uma decisão em assembleias. A Lei nº 7.783 estabelece regras para o exercício do direito de greve, incluindo comunicação prévia e manutenção das atividades indispensáveis à população.

Como os serviços bancários são considerados essenciais, uma greve precisa preservar atendimento mínimo para necessidades inadiáveis. As condições concretas são normalmente definidas pelas entidades e podem ser discutidas judicialmente.

Até 23 de agosto, o movimento anunciado havia sido uma paralisação nacional de 24 horas. Os próximos passos dependeriam da rodada marcada para o dia 24.

Portanto, não é correto afirmar que os bancos permanecerão fechados por prazo indeterminado. Um novo movimento precisará ser aprovado e divulgado pelas entidades responsáveis.

O que acontece na negociação de 24 de agosto?

A Fenaban informou que retomaria a mesa na segunda-feira, depois de uma reunião interna com representantes do setor bancário.

A expectativa do Comando Nacional é receber uma proposta completa. Isso significa que os bancos deverão apresentar respostas articuladas para salários, pisos, benefícios, PLR e demais pontos da convenção.

A proposta poderá seguir três caminhos:

  • ser aceita pelo Comando e levada às assembleias;
  • ser considerada insuficiente e continuar em negociação;
  • provocar a convocação de novas mobilizações.

Mesmo quando os negociadores chegam a um entendimento, a decisão final passa pelas assembleias. Os trabalhadores votam para aceitar ou rejeitar o acordo.

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O prazo aumenta a pressão porque a convenção atual termina em 31 de agosto. Ela foi negociada em 2024 e garantiu dois anos de vigência, com aumento real tanto em 2024 quanto em 2025.

No acordo anterior, os salários e as principais verbas receberam reajuste de 4,64% em 2024. Para 2025, ficou garantida a reposição do INPC acrescida de 0,6% de ganho real.

A convenção perde todos os efeitos em 31 de agosto?

O fim formal da vigência não significa necessariamente que os trabalhadores perderão todos os direitos de forma imediata. As entidades costumam negociar a renovação e mecanismos para preservar as condições enquanto a mesa continua.

Contudo, a legislação trabalhista não garante que cláusulas coletivas continuem valendo indefinidamente depois do término do instrumento. Por isso, a renovação da convenção dentro do prazo é tratada como prioridade.

Direitos previstos diretamente em lei continuam existindo. Já regras específicas da convenção, como valores de benefícios, condições da PLR e determinadas garantias de emprego, dependem do acordo coletivo.

Os representantes sindicais defendem a renovação de todas as cláusulas existentes antes da discussão de avanços. Essa estratégia busca evitar que a negociação econômica seja acompanhada pela retirada de direitos anteriores.

Quem será afetado pelo novo acordo?

A Convenção Coletiva Nacional alcança bancários de instituições privadas e empregados abrangidos pela representação sindical em todo o país.

Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa também são contemplados pelas cláusulas gerais, mas negociam acordos aditivos para questões específicas, como planos de saúde, carreira, funções, remuneração variável e condições próprias de trabalho.

Trabalhadores de financeiras podem pertencer a outra categoria, com data-base e convenção diferentes. O simples fato de atuar em uma empresa que oferece crédito não significa enquadramento automático como bancário.

Empregados de empresas terceirizadas também podem ter convenções distintas, de acordo com a atividade do empregador. Em caso de dúvida, o trabalhador deve consultar o sindicato responsável por sua região e verificar o enquadramento registrado no contrato.

O que o bancário deve acompanhar agora?

O principal cuidado é buscar informações nos canais do sindicato, da federação regional e da Contraf-CUT. Mensagens encaminhadas em grupos podem trazer datas incorretas ou percentuais que ainda não foram aprovados.

O trabalhador deve acompanhar:

  • resultado da negociação de 24 de agosto;
  • eventual índice apresentado pela Fenaban;
  • propostas para PLR, VA, VR e piso;
  • convocação de assembleias;
  • orientações sobre novas mobilizações;
  • regras específicas do banco em que trabalha;
  • data e forma de pagamento de diferenças retroativas.

Caso o acordo seja concluído depois da data-base, as partes podem negociar o pagamento retroativo das diferenças a partir de 1º de setembro. Isso, contudo, precisa constar do texto aprovado.

Negociação entra na semana decisiva

A paralisação de 20 de agosto foi uma demonstração de pressão, e não o encerramento da Campanha Nacional dos Bancários. Ela conseguiu retirar da mesa a proposta de reajustes por faixas, mas o índice econômico continuava indefinido.

A categoria reivindica INPC mais 5% de aumento real, além de valorização da PLR, dos pisos e dos benefícios. Os bancos ainda precisam apresentar sua resposta e justificar como pretendem renovar a convenção que termina em 31 de agosto.

O próximo passo será acompanhar a reunião de 24 de agosto. Somente depois da apresentação de uma proposta e da votação em assembleia será possível saber quanto os bancários receberão e se haverá novas paralisações.

Perguntas frequentes

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Os bancários já entraram em greve?

Não. A categoria realizou uma paralisação nacional de 24 horas em 20 de agosto. Uma greve por prazo indeterminado dependeria de nova decisão em assembleia.

Quanto os bancários estão pedindo de aumento em 2026?

A pauta reivindica reposição integral do INPC mais 5% de aumento real nos salários e nas demais verbas econômicas.

A Fenaban já apresentou um índice de reajuste?

Até a oitava rodada, conforme as entidades sindicais, a Fenaban ainda não havia apresentado um índice geral. Uma nova negociação foi marcada para 24 de agosto.

O que é aumento real de salário?

É o reajuste concedido acima da inflação. A reposição inflacionária preserva o poder de compra; o ganho real aumenta o valor da remuneração além dessa recomposição.

Quando é a data-base dos bancários?

A data-base nacional da categoria é 1º de setembro. A Convenção Coletiva vigente termina em 31 de agosto de 2026.

A paralisação afeta Pix e aplicativos bancários?

Em geral, Pix, aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos continuam funcionando. Os maiores impactos costumam ocorrer no atendimento presencial e em serviços que exigem intervenção de um funcionário.

O reajuste será retroativo se o acordo atrasar?

A retroatividade pode ser negociada para cobrir o período a partir da data-base. Ela deve aparecer expressamente na proposta e no acordo aprovado.

PLR é a mesma coisa que salário?

Não. A PLR é um pagamento relacionado aos lucros ou resultados da instituição. Ela possui regras próprias e não substitui o salário mensal.

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