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Bitcoin: por que a escassez pode torná-lo ainda mais valioso

O bitcoin está acabando? Descubra como a escassez de oferta, o halving e a crescente demanda institucional impactam o preço da maior criptomoeda do mundo.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
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O Bitcoin (BTC), criado em 2008 pelo enigmático Satoshi Nakamoto, revolucionou o sistema financeiro mundial. De ativo digital experimental a um dos principais instrumentos de investimento global, sua trajetória impressiona. Desde sua criação, o preço da criptomoeda já valorizou incríveis 179.532.397,37%, de acordo com dados da CoinMarketCap.

Mas um fator crucial na formação desse valor muitas vezes passa despercebido: a escassez programada do Bitcoin. Com apenas 21 milhões de moedas possíveis, das quais mais de 19,9 milhões já estão em circulação, surge uma questão que inquieta tanto investidores quanto curiosos: o Bitcoin está acabando?

Neste artigo, analisamos em profundidade como a oferta limitada, o mecanismo de halving e a crescente demanda afetam o futuro da criptomoeda — e se essa escassez pode, de fato, levá-la a patamares ainda mais altos.

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A escassez programada do Bitcoin

O limite de 21 milhões de moedas

Quando projetou o Bitcoin, Satoshi Nakamoto determinou que a oferta máxima seria de 21 milhões de unidades. Essa característica faz do BTC um ativo deflacionário, em oposição ao sistema monetário tradicional, em que governos podem emitir quantias praticamente ilimitadas de moeda fiduciária.

Atualmente, restam cerca de 1 milhão de BTC a serem minerados, e esse processo pode se estender até 2140, devido a um mecanismo conhecido como halving.

O que é o halving do Bitcoin?

Bitcoin
Imagem: Creativan / shutterstock

Definição e funcionamento

O halving (do inglês half, que significa “metade”) é um evento programado que ocorre aproximadamente a cada quatro anos e reduz pela metade a recompensa paga aos mineradores que validam transações na rede.

Evolução das emissões

  • 2009 – 2012: cerca de 7.200 BTC eram emitidos por dia;
  • 2012 – 2016: após o primeiro halving, o número caiu para 3.600 BTC diários;
  • 2016 – 2020: a produção caiu para 1.800 BTC por dia;
  • 2020 – 2024: a recompensa foi reduzida para 900 BTC diários;
  • Após o halving de 2024: a emissão caiu para cerca de 450 BTC por dia.

Nos próximos ciclos, essa quantidade será cada vez menor, até chegar a frações de bitcoin, reforçando sua escassez.

O impacto econômico

Segundo José Artur Ribeiro, CEO da exchange Coinext, “o halving reduz a emissão de novos bitcoins, o que fortalece a lógica da escassez. Isso cria um ambiente de pressão positiva sobre os preços, principalmente quando a demanda se mantém forte”.

Escassez e teoria econômica

A lei da oferta e da demanda

Na teoria econômica clássica, quando um bem é limitado e a demanda por ele cresce ou se mantém estável, o preço tende a subir.

O professor Fernando Antônio de Barros Junior, da USP, explica:

“Quanto menor a disponibilidade relativa de um ativo e maior seu valor percebido, maior será o preço de equilíbrio”.

O outro lado da moeda

Contudo, o professor alerta que a escassez por si só não garante valorização:

“Se não houver demanda suficiente, mesmo um ativo escasso pode se tornar irrelevante”.

Assim, o Bitcoin depende não apenas de sua oferta limitada, mas também da confiança dos investidores e da adoção em larga escala.

Como anda a demanda pelo Bitcoin?

A força dos investidores institucionais

Nos últimos anos, a demanda pelo BTC vem crescendo, em grande parte devido à entrada de investidores institucionais. Segundo a K33 Research, só no segundo trimestre de 2025, esses players aumentaram em quase 65 mil BTC suas posições em ETFs de Bitcoin nos EUA, levando o valor sob gestão a US$ 33,6 bilhões.

Volatilidade e liquidez

Esse movimento, ao mesmo tempo em que fortalece a valorização do ativo, também aumenta a volatilidade. Grandes players, ao movimentarem bilhões, podem distorcer a liquidez do mercado, fazendo o preço oscilar em curto prazo.

Distribuição das carteiras de Bitcoin

De acordo com dados da BitInfoCharts:

  • 50 milhões de carteiras têm até US$ 1 em BTC;
  • 24 milhões possuem mais de US$ 100;
  • 13 milhões superam US$ 1.000;
  • 4,7 milhões guardam acima de US$ 10 mil;
  • Apenas 166 mil concentram mais de US$ 1 milhão;
  • Cerca de 21 mil carteiras possuem acima de US$ 10 milhões em BTC.

Isso mostra que, apesar da concentração entre grandes investidores, ainda há uma distribuição pulverizada do ativo.

O Bitcoin pode acabar como moeda de troca?

O objetivo de Satoshi Nakamoto

O Bitcoin foi criado para ser uma moeda digital descentralizada, permitindo transações diretas entre indivíduos, sem intermediários.

A escassez como barreira

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Entretanto, a própria escassez pode desestimular seu uso no cotidiano. Se os investidores acreditam que o valor do BTC continuará a subir, muitos optam por reter a moeda em vez de gastá-la.

O professor Barros Junior observa:

“Esse comportamento reforça o papel do Bitcoin como reserva de valor, semelhante ao ouro, mas reduz sua adoção como meio de pagamento no dia a dia”.

O papel das stablecoins

Na visão de José Artur Ribeiro, hoje quem desempenha melhor a função de moeda de troca no mercado cripto são as stablecoins, como o USDT (Tether) e o USDC. Elas oferecem estabilidade de preço, enquanto o BTC cumpre cada vez mais o papel de ativo de proteção e reserva de valor.

O futuro do Bitcoin diante da escassez

BTC como ouro digital

Com a emissão cada vez mais limitada, o Bitcoin tende a se consolidar como um ativo deflacionário e comparável ao ouro em termos de escassez.

Impacto do halving de 2024

O halving mais recente, em abril de 2024, já reduziu significativamente a emissão diária. Muitos analistas acreditam que esse evento foi um dos catalisadores da forte alta de preços registrada em 2025.

Caminho até 2140

Ainda que o último Bitcoin só seja minerado em 2140, a quantidade em circulação já é suficiente para que ele continue sendo um ativo estratégico para empresas, países e investidores individuais.

O Bitcoin está acabando?

A resposta é não — ao menos não no sentido literal. O Bitcoin não está desaparecendo, mas sim se tornando cada vez mais escasso. Essa característica, combinada com uma demanda crescente, cria as condições para que o ativo continue valorizando ao longo das próximas décadas.

O que pode mudar não é a existência do Bitcoin, mas sim sua função principal: de moeda transacional no início, o BTC se transformou em reserva de valor global.

Considerações finais

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Imagem: tungtaechit / shutterstock.com

O Bitcoin não está acabando — está se consolidando como um ativo cada vez mais raro, protegido pela matemática de seu protocolo.

  • A escassez programada pelo limite de 21 milhões e reforçada pelo halving garante que a emissão será cada vez menor;
  • A demanda crescente, principalmente de investidores institucionais, fortalece sua valorização.
  • O BTC tende a se distanciar de seu papel inicial de moeda de troca e assumir de vez a posição de ouro digital.

Para o investidor, a escassez significa que cada unidade de Bitcoin em circulação pode se tornar progressivamente mais valiosa, desde que a demanda se mantenha. Assim, em vez de estar acabando, o Bitcoin parece apenas começar sua jornada rumo à maturidade financeira global.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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