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Bitcoin deve reagir ao fim do “shutdown” nos EUA e pode disparar nos próximos dias

Com o possível fim da paralisação do governo dos EUA, analistas veem chance de um novo rali do Bitcoin, que já opera acima de US$ 104 mil. Saiba mais!

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
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Após 40 dias de paralisação do governo dos Estados Unidos, o mais longo “shutdown” da história do país, sinais de um acordo em Washington reacenderam o apetite de risco entre investidores. A possibilidade de reabertura do governo está sendo tratada por traders de Bitcoin como um potencial catalisador de alta — e o histórico parece dar suporte a essa visão.

No momento da análise, o Bitcoin (BTC) era negociado a US$ 104.501, com alta de quase 3% na última hora, depois de um fim de semana de volume contido. O foco, agora, está voltado para o Senado americano, onde democratas e republicanos tentam aprovar um pacote emergencial para financiar a administração federal até 30 de janeiro de 2026.

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O que está acontecendo nos Estados Unidos

O fim da paralisação mais longa da história

A paralisação federal — ou “shutdown” — começou após impasses sobre o orçamento e o teto de gastos entre o Congresso e a Casa Branca. Com isso, cerca de 750 mil funcionários públicos foram temporariamente afastados, afetando serviços essenciais como controle aéreo, parques nacionais e emissão de vistos.

De acordo com fontes da imprensa americana, pelo menos dez senadores democratas devem apoiar a resolução de curto prazo que mantém o governo funcionando até o fim de janeiro.

O jornalista Walter Bloomberg informou que uma votação para reabrir os órgãos federais pode ocorrer ainda nesta segunda-feira, criando expectativas de alívio fiscal e estabilidade institucional.


Bitcoin e shutdowns — uma correlação que desperta atenção

O histórico de 2019 e o rali de 300%

Não é a primeira vez que o mercado cripto reage a um impasse político nos EUA. Em 2019, após o fim de uma paralisação que durou 35 dias, o Bitcoin iniciou um rali de cinco meses, subindo mais de 300%, de US$ 3.600 para mais de US$ 13 mil.

O analista Ash Crypto lembrou o episódio em sua conta no X (antigo Twitter):

“Na última vez que o governo dos EUA reabriu após um shutdown, o Bitcoin disparou mais de 300% em cinco meses.”

Outros analistas, como Max Crypto, reforçaram que o padrão de recuperação tende a se repetir quando há melhora na confiança institucional e expectativa de liquidez no sistema financeiro.


O que os dados históricos mostram

Queda inicial, recuperação sustentada

Durante o shutdown de 2018–2019, o Bitcoin chegou a cair de US$ 4.014 para US$ 3.600, refletindo o ambiente de incerteza global. No entanto, nas semanas seguintes à reabertura, o mercado registrou sete semanas consecutivas de alta, marcando o fim do chamado cripto inverno.

Entre fevereiro e abril de 2019, o Bitcoin superou US$ 5 mil e deu início à próxima grande tendência de alta do ciclo.

Embora a reabertura do governo não tenha sido a causa direta da valorização, ela funcionou como um gatilho psicológico, restabelecendo o otimismo e atraindo investidores institucionais que aguardavam sinais de estabilidade macroeconômica.


Por que o fim do shutdown pode impulsionar o Bitcoin em 2025

Alívio fiscal e confiança do investidor

O fim da paralisação do governo traz alívio fiscal e político, reduzindo o sentimento de risco que pesava sobre os mercados desde o início de outubro.

Em um contexto de liquidez apertada e juros ainda elevados, o simples fato de o Congresso americano alcançar um acordo pode reforçar a confiança de que o país evitará uma crise fiscal mais grave.

Para o Bitcoin, esse cenário costuma gerar dois efeitos:

  1. Aumento na demanda por ativos alternativos em meio à volatilidade do dólar;
  2. Movimento especulativo de traders buscando capturar o rali pós-notícia.

Efeito indireto sobre as stablecoins e exchanges

A reabertura também permite a normalização de operações financeiras e regulatórias que envolvem stablecoins e corretoras de criptoativos nos EUA. Durante o shutdown, muitos escritórios federais — como o Departamento do Tesouro e a SEC — operaram com quadro reduzido, afetando decisões de registro e fiscalização de fundos cripto.

O retorno ao funcionamento normal tende a reduzir ruídos e reforçar a percepção de legitimidade do mercado.


Fatores que podem limitar o rali

Política monetária do Federal Reserve

Apesar do otimismo, o Federal Reserve (Fed) mantém uma postura cautelosa. A taxa de juros de referência está entre 5,25% e 5,50% ao ano, e não há garantias de cortes significativos antes do primeiro trimestre de 2026.

Ou seja, a liquidez global ainda é restrita — um cenário que historicamente freia movimentos explosivos no Bitcoin.

Correlação com o S&P 500 e apetite ao risco

Desde 2022, o Bitcoin tem mostrado forte correlação com o índice S&P 500. Isso significa que, se as bolsas americanas reagirem mal à retomada dos gastos públicos, o BTC pode sentir o impacto.

Além disso, fundos institucionais tendem a rebalancear carteiras no fim de ano, o que pode gerar pressão de venda temporária.


Como os traders estão posicionados

Dados on-chain e sentimento do mercado

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De acordo com dados da CryptoQuant, as carteiras de grandes investidores (as chamadas “whales”) voltaram a acumular BTC nos últimos sete dias, coincidindo com a expectativa de resolução do impasse em Washington.

Indicadores de sentimento como o Fear & Greed Index (índice de medo e ganância) também subiram para 68 pontos, sugerindo otimismo moderado.

Alta de curto prazo ou tendência de longo prazo?

Especialistas alertam que, embora o Bitcoin possa reagir positivamente ao fim do shutdown, a tendência de longo prazo dependerá de fatores monetários, como:

  • Políticas de juros do Fed;
  • Entrada de novos ETFs de Bitcoin spot;
  • Fluxos de investimento institucionais;
  • Expectativas para o halving de 2028.

Em outras palavras, o efeito da reabertura pode ser um gatilho de curto prazo, mas dificilmente um motor estrutural de valorização.


Comparações com outros eventos macroeconômicos

Pandemia, teto da dívida e crises fiscais

O comportamento do Bitcoin em períodos de incerteza política tem sido ambíguo. Durante a pandemia de 2020, o ativo se valorizou junto com o aumento da liquidez global. Já durante as negociações do teto da dívida americana em 2023, o BTC oscilou lateralmente, refletindo um mercado mais maduro e seletivo.

Assim, nem todo impasse político gera alta, mas eventos que aliviam tensões fiscais costumam reativar o apetite por risco — o que se alinha ao momento atual.


O que esperar nos próximos dias

Com o Senado prestes a votar a resolução que pode encerrar a paralisação, o mercado cripto deve acompanhar de perto cada manchete. Caso o governo seja reaberto ainda nesta semana, analistas esperam uma reação positiva imediata, especialmente se os indicadores técnicos sustentarem o movimento.

No curto prazo, traders projetam resistência em torno de US$ 107.000 e suporte em US$ 100.000, níveis que podem definir a direção do preço nas próximas sessões.

Se a história se repetir, o Bitcoin pode repetir o padrão de 2019, transformando o fim do shutdown em um novo ponto de inflexão para o mercado cripto.


Considerações finais

O possível fim do shutdown dos Estados Unidos representa mais do que um alívio político: é um teste de confiança para os mercados globais. Enquanto investidores aguardam a votação final no Congresso, o Bitcoin já dá sinais de antecipação, refletindo expectativas de estabilização fiscal e retomada da liquidez.

Ainda que a correlação entre reaberturas e altas do BTC seja mais coincidência do que causalidade, o histórico mostra que momentos de virada institucional tendem a alimentar o sentimento de recuperação.

Para quem acompanha o mercado, os próximos dias dirão se o Bitcoin está prestes a iniciar um novo rali — ou se o otimismo ficará restrito a um breve alívio técnico.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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