O Bitcoin (BTC) voltou a sofrer correção após atingir a nova máxima histórica de US$ 124.500, registrada na semana passada. Nesta semana, a criptomoeda recuou para abaixo de US$ 116.000, refletindo a cautela dos investidores diante do discurso de Jerome Powell em Jackson Hole e da volatilidade nos mercados globais.
Conforme dados do Cointrader Monitor, o BTC estava sendo negociado a R$ 618.957, registrando uma queda significativa em relação às máximas recentes. Essa retração evidencia o movimento de venda por parte de detentores de curto prazo, que tendem a reagir rapidamente a oscilações de preços.
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Mãos fracas realizam prejuízos
Dados on-chain da CryptoQuant revelam que mais de 22 mil BTC foram transferidos para exchanges com prejuízo por detentores de curto prazo (STHs – Short Term Holders), investidores que mantêm a criptomoeda por menos de 155 dias.
- No domingo, 1.670 BTC foram enviados para exchanges com prejuízo;
- Até terça-feira, esse número subiu para 23.520 BTC, coincidindo com a queda do preço do BTC de US$ 118.600 para US$ 114.400, segundo a Glassnode.
A maior parte do Bitcoin enviada para exchanges com prejuízo vem de STHs, enquanto detentores de longo prazo (LTHs) representam apenas 10% do volume total.
Segundo Kripto Mevsimi, analista da CryptoQuant, este padrão é clássico: especuladores de curto prazo vendem em pânico durante quedas, realizando prejuízos, o que pode indicar tanto uma correção saudável quanto o enfraquecimento do momentum de alta.
Implicações históricas da venda com prejuízo
A última vez que os STHs entraram em um período prolongado de realização de prejuízos foi em janeiro, um evento que marcou a correção mais profunda do ciclo atual do BTC.
Kripto Mevsimi explica:
“Se absorvido rapidamente, este evento pode espelhar reajustes passados que impulsionaram fortes recuperações. Caso contrário, pode sinalizar uma quebra no momentum do Bitcoin.”
Ou seja, a movimentação de detentores de curto prazo atua como barômetro crítico da saúde do mercado, permitindo analisar se a correção é temporária ou se a tendência de baixa se consolidará.
Possibilidade de queda para US$ 110 mil

Após a recente correção, vários analistas avaliam o risco de o BTC recuar para US$ 110 mil–US$ 112 mil, caso não consiga sustentar o nível atual.
- A Swissblock, empresa de trading, aponta que o BTC precisaria romper a parede de suporte construída entre US$ 100 mil e US$ 110 mil desde maio, quando superou a marca de US$ 100 mil.
- O analista da AlphaBTC reforça que um fechamento abaixo de US$ 114.700 poderia direcionar o preço para a zona de demanda de US$ 110 mil–US$ 112 mil.
Além disso, a plataforma de previsões Polymarket projeta:
- US$ 114.000: 73% de probabilidade;
- US$ 112.000: 39%;
- US$ 110.000: 18%;
- US$ 108.000: 16%.
Isso demonstra que, apesar da recente correção, há ainda uma expectativa de consolidação na faixa atual, enquanto investidores realizam lucros abaixo das máximas históricas.
Cenário macroeconômico e discurso de Jackson Hole
O mercado cripto está sensível a movimentos macroeconômicos. O discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em Jackson Hole, é um fator de atenção crucial para traders de BTC.
“A incerteza sobre o tom da política monetária americana leva investidores a reduzir riscos e aumentar a cautela, influenciando a dinâmica de preço do Bitcoin”, explica André Franco, CEO da Boost Research.
Uma postura mais rígida do Fed pode pressionar os ativos de risco, incluindo criptomoedas, enquanto sinais de flexibilização monetária poderiam estimular recuperação do BTC e do ETH.
Impacto da movimentação de STHs no mercado
A atividade dos detentores de curto prazo possui efeitos diretos no volume negociado e na liquidez do mercado. Quando STHs vendem com prejuízo:
- Aumenta a oferta em exchanges, gerando pressão de venda;
- Reduz a confiança do investidor de curto prazo, reforçando a volatilidade;
- Pode expulsar mãos fracas, criando espaço para alta futura mais estável.
Historicamente, períodos em que STHs realizam prejuízos são seguidos por fases corretivas profundas ou reajustes saudáveis, dependendo de como o mercado absorve os ativos vendidos.
Ether também sofre correção, mas apresenta sinais de recuperação
Enquanto o Bitcoin enfrenta pressão, o Ether (ETH), moeda nativa da rede Ethereum, também registra oscilação. Após recuar para US$ 4.204, a criptomoeda voltou a negociar acima de US$ 4.300.
Guilherme Prado, country manager da Bitget Brasil, comenta:
“ETH e BTC devem operar dentro de faixas definidas ao longo da semana. O uso de alavancagem pode acelerar ganhos, mas aumenta a exposição à volatilidade.”
Essa tendência reforça que, apesar da correção, há suporte suficiente para evitar quedas abruptas, pelo menos no curto prazo.
Estratégias de investidores diante da correção
Diante do cenário atual, especialistas recomendam cautela:
- Monitorar os níveis de suporte em US$ 114 mil e US$ 110 mil;
- Avaliar o comportamento dos detentores de curto prazo, que influenciam diretamente a liquidez e a pressão de venda;
- Observar indicadores macroeconômicos e decisões do Fed, que podem determinar o ritmo da recuperação ou da correção do BTC.
Além disso, os ETFs de Bitcoin e Ether continuam a impactar o mercado, refletindo saídas líquidas recentes, mas mantendo fluxo constante de capital que oferece algum suporte.
Conclusão: risco de correção ou oportunidade?

A venda de mais de 22 mil BTC por detentores de curto prazo evidencia a pressão sobre o mercado e aumenta a probabilidade de correção para US$ 110 mil.
No entanto, especialistas apontam que essa movimentação também pode ser uma oportunidade de absorver mãos fracas, preparando o terreno para uma recuperação sustentável.
Enquanto o ciclo de notícias macroeconômicas e discursos do Fed influenciam o sentimento do mercado, investidores e traders devem permanecer atentos aos níveis de suporte críticos e ao comportamento das STHs, que podem definir o próximo movimento do BTC.
