O Bitcoin voltou a se destacar nos mercados financeiros nesta segunda-feira (7), operando com valorização e se aproximando de sua máxima histórica.
Bitcoin se aproxima de novo recorde com adiamento de tarifas dos EUA e anima mercados globais
O Bitcoin se valoriza nesta segunda-feira com o adiamento das tarifas dos EUA para agosto. A criptomoeda se aproxima de novo recorde histórico.
O movimento é impulsionado pelo anúncio do Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, de que as tarifas recíprocas previstas contra parceiros comerciais não entrarão em vigor imediatamente após o fim do prazo para negociações, marcado para esta quarta-feira (9), mas apenas em 1º de agosto.
A sinalização foi suficiente para aliviar a tensão nos mercados e impulsionar o apetite por ativos de risco — entre eles, o BTC.
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Cotação do Bitcoin: quase 112 mil dólares no radar
Às 9h03 da manhã (horário de Brasília), o Bitcoin registrava alta de 0,50% nas últimas 24 horas, sendo cotado a US$ 108.605,45 na Binance. O valor coloca a principal criptomoeda do mundo muito próxima do recorde anterior, de cerca de US$ 112.000, alcançado em maio de 2025.
A expectativa de que o adiamento das tarifas abra espaço para negociações comerciais mais amigáveis parece ter animado os mercados.
Panorama geral: o que está movimentando o Bitcoin?

No domingo (6), Scott Bessent, recém-nomeado Secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que os Estados Unidos só aplicarão tarifas recíprocas no início de agosto, caso os acordos comerciais com parceiros estratégicos — como China e União Europeia — não avancem até o dia 9 de julho. A prorrogação do prazo trouxe alívio a investidores que temiam uma escalada protecionista já nesta semana.
A fala de Bessent ecoou imediatamente nos mercados asiáticos, com bolsas da China e do Japão abrindo em alta nesta segunda-feira, e se refletiu nos índices futuros dos EUA e Europa, que também operaram com otimismo.
A conexão entre política comercial e ativos digitais
A valorização do Bitcoin nesse cenário revela uma tendência recente: a correlação crescente entre ativos digitais e fatores macroeconômicos. Em momentos de incerteza fiscal, monetária ou geopolítica, o BTC tende a atrair investidores buscando proteção, mas também tem respondido positivamente a sinais de estabilidade política e econômica.
Perspectivas técnicas: BTC perto da máxima histórica
Os analistas técnicos observam com atenção o comportamento do Bitcoin diante da resistência psicológica de US$ 110 mil. Esse nível tem funcionado como barreira desde a correção que se seguiu à máxima histórica de maio.
Pontos técnicos destacados:
- Resistência imediata: US$ 110.000;
- Resistência maior: US$ 112.000 (recorde anterior);
- Suporte relevante: US$ 104.200;
- Indicador RSI: em 67, indicando força de compra, mas ainda fora da zona de sobrecompra;
- Volume: em ascensão desde o anúncio do Tesouro dos EUA.
Alta sustentada ou movimento especulativo?
Segundo o analista técnico Peter Nolan, da CryptoMetrics Global, o movimento atual parece sustentado por fundamentos, especialmente após o alívio geopolítico e o fluxo contínuo de entrada de capital em ETFs de Bitcoin nos EUA e na Europa.
“A aproximação dos US$ 112 mil pode ser rompida ainda esta semana, caso os dados macro sigam positivos e o Fed mantenha sua retórica estável”, avalia.
Reação do mercado global
Bolsas e commodities sobem com clima mais leve
Além do Bitcoin, outros ativos reagiram bem ao anúncio de Bessent. O índice Nasdaq operava em alta de 0,85% nos futuros, enquanto o ouro subia 0,22%, cotado a US$ 2.467 por onça. O petróleo Brent também subia, sendo negociado a US$ 87,13 o barril.
Os dados indicam um movimento de reprecificação de risco por parte dos investidores, que estão migrando de posições defensivas para ativos com maior potencial de retorno, como criptoativos, ações de tecnologia e commodities industriais.
ETFs e fundos institucionais aproveitam janela de oportunidade
Os ETFs de Bitcoin nos EUA, como o iShares Bitcoin Trust (IBIT) e o Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC), também registraram fluxos positivos. Só na sexta-feira anterior, mais de US$ 400 milhões entraram nesses veículos, de acordo com dados da Farside Investors.
Esses movimentos reforçam a percepção de que o apetite institucional pelo Bitcoin permanece elevado, e o alívio das tarifas pode funcionar como catalisador para novas máximas.
Contexto político e econômico por trás do anúncio de Bessent
Pressões internas e externas sobre tarifas
A decisão de adiar as tarifas recíprocas ocorre em um momento delicado para os EUA. A inflação acumulada nos últimos 12 meses ainda pressiona o Federal Reserve, enquanto o crescimento do PIB desacelerou no segundo trimestre de 2025.
Analistas apontam que a medida visa evitar um choque inflacionário adicional, caso as tarifas fossem aplicadas agora. Além disso, há pressão do setor industrial americano, especialmente dos fabricantes de semicondutores, que dependem da importação de componentes da Ásia.
Negociações comerciais em curso
- Com China: foco na exportação de minerais raros e semicondutores;
- Com Europa: negociações sobre o mercado de carbono e exportações agrícolas;
- Com América Latina: pauta sobre tecnologia de energia renovável e acesso a recursos naturais.
Segundo fontes diplomáticas, o adiamento foi interpretado positivamente por representantes da China e da União Europeia, que agora têm mais tempo para buscar acordos equilibrados antes da imposição de novas tarifas.
O que esperar para os próximos dias?
1. Decisão na quarta-feira (9): prazo para acordos
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A data de 9 de julho continua sendo um marco importante. Se não houver progresso substancial nas negociações, a ameaça de tarifas em agosto continua viva. O mercado deve seguir monitorando discursos de autoridades e comunicados oficiais.
2. Dados de inflação nos EUA
Outro fator de peso para o Bitcoin será a divulgação dos dados de inflação ao consumidor (CPI) dos EUA, prevista para sexta-feira (11). Caso os números venham abaixo do esperado, o Fed pode adotar uma postura mais dovish, favorecendo ainda mais os ativos de risco.
3. Fluxo em ETFs de Bitcoin
Com o BTC próximo de um novo recorde, a entrada de capital nos ETFs se torna ainda mais relevante. Novos aportes podem ser o gatilho necessário para o rompimento da máxima histórica.
O que dizem os especialistas?
Michael Novogratz (Galaxy Digital)
“Se o Fed mantiver a calma e o Tesouro segurar tarifas, o Bitcoin deve testar os US$ 120 mil antes do fim de julho.”
Cathie Wood (ARK Invest)
“Estamos vendo uma mudança estrutural no mercado. Investidores estão tratando o Bitcoin como hedge macro.”
Lyn Alden (analista macro)
“O adiamento das tarifas evita um choque imediato e cria espaço para o BTC respirar. Mas ainda é cedo para euforia.”
Conclusão: novo rali à vista?

O Bitcoin se mantém como protagonista em 2025 e volta ao centro das atenções com a proximidade de seu recorde histórico. A decisão dos EUA de postergar tarifas para agosto trouxe otimismo, mas o cenário segue sensível a novas informações.
A conjunção entre fatores técnicos, institucionais e macroeconômicos cria um ambiente propício para um novo rali, especialmente se os dados de inflação forem benignos e os acordos comerciais avançarem.
Investidores devem estar atentos:
- Comunicações do Fed;
- Fluxos em ETFs;
- Negociações comerciais internacionais;
- Dados de inflação e emprego nos EUA.
Enquanto o recorde de US$ 112 mil parece ao alcance, o mercado permanece atento. A volatilidade é uma certeza — e o Bitcoin, mais uma vez, mostra que está no centro do jogo global.
