Na manhã de segunda-feira (23 de junho de 2025), o market cap total das criptomoedas estava em US$ 3,11 trilhões, queda de 0,7% nas últimas 24 horas. O Bitcoin (BTC) era negociado próximo a US$ 101,5 mil, recuando 1% no dia e com perda de 5,3% na semana. Por outro lado, o mercado de altcoins apresentava maioria em baixa.
Bitcoin resiste a US$ 101 mil, mas tensão entre EUA e Irã pressiona criptomoedas
Bitcoin recupera US$ 101 mil, mas o mercado cripto enfrenta pressão com a alta do petróleo após os EUA atacarem instalações nucleares do Irã.
Esse movimento ocorre em meio a forte correlação entre criptos, petróleo e geopolítica após o ataque dos EUA a instalações nucleares iranianas.
Leia mais:
Contexto geopolítico: “Martelo da Meia-Noite” e reação nos mercados
Na madrugada de sexta-feira (20 jun), bombardeiros B‑2 norte-americanos atacaram instalações nucleares no Irã, conhecida como “Martelo da Meia‑Noite”, resultado de ameaças do presidente Trump de atacar bases subterrâneas como Fordow.
O ataque desencadeou medo de retaliação, especialmente com a possibilidade de fechamento do Estreito de Ormuz — rota vital que transporta cerca de 20% do petróleo global.
Reação inicial nos mercados tradicionais
Nas bolsas americanas, na sexta, o S&P 500 caiu 0,22% para 5.967,84, e o Nasdaq recuou 0,51% para 19.447,41 pontos.
O índice de volatilidade VIX subiu 4,4%, para 21,19 pontos, sinalizando aumento do temor entre os investidores .
Petróleo em disparada e pressões à inflação
Após o ataque, os futuros de petróleo chegaram a subir acima de US$ 78 o barril, refletindo preocupações com oferta, mas recuaram abaixo de US$ 74 devido à cautela dos investidores.
Analistas da OPEC+ e autoridades dos EUA consideram que a capacidade ociosa dos países-membros permite desviar rotas e atenua pressões prolongadas.
Cripto sob pressão: impacto direto e indireto

Bitcoin vacila, mas retoma US$ 101 mil
Logo após o ataque, o Bitcoin chegou a operar abaixo de US$ 98,5 mil, antes de se recuperar para US$ 101 mil durante o fim de semana.
Embora tenha se estabilizado, o recuo semanal de 5,3% mostra que o ativo ainda sente a pressão do ambiente macro e geopolítico.
Altcoins em colapso: dominância persiste
A dominância do Bitcoin alcançou 64,9%, indicando que o mercado migrou capital das altcoins para o BTC, considerado “porto mais seguro” no curto prazo.
O índice altseason, baseado nas 100 maiores altcoins, caiu de 23 para apenas 14 pontos, confirmando o desinvestimento nesses ativos.
Liquidações massivas em posições alavancadas
Dados da Coinglass mostram que US$ 626,5 milhões foram liquidados, dos quais US$ 474 milhões eram posições long, favorecendo os ursos no mercado.
O interesse aberto nos derivativos ficou em US$ 131,8 bilhões, com volume diário em alta de 24,5%, atingindo US$ 325,6 bilhões.
Indicadores econômicos reforçam instabilidades
A VIX, indicador de volatilidade da CBOE, estava em 21,19, aumento de 4,4%, refletindo melhor o aumento do sentimento de risco comparado às quedas moderadas das bolsas .
ETFs cripto: fluxo misto
Os ETFs de Bitcoin spot registraram US$ 6,37 milhões em entradas líquidas, enquanto os de Ethereum sofreram saídas de US$ 11,34 milhões.
Ainda assim, os fundos institucionais de tesouraria em BTC tiveram US$ 172 milhões em entradas líquidas semanais, conforme dados do SoSoValue.
Altcoins: queda generalizada…
Moedas com quedas expressivas
- AERO – US$ 0,75 (‑5%)
- MNT – US$ 0,58 (‑4,3%)
- FIL – US$ 2,08 (‑3,9%)
Pequenas recuperações pontuais
Algumas altcoins resistiram melhor, com ganhos:
- IP +9,2% (US$ 3,04)
- S +8,1% (US$ 0,28)
- SPX +7,3% (US$ 1,60)
- KAIA +6,5% (US$ 0,18)
Altcoins com saltos de dois dígitos
Destacam-se:
- FORM +10,3%
- MOVE +20,7%
- FUN +57%, acumulando +233% na semana
- KTA +21,5%
- XPR +23,4%
- ANON +14,4%
- LABURU +15%
- HASHAI +29,1%
Essas valorizem refletem pouquíssimo volume — movimentos especulativos típicos de projetos menores.
Projeções e cenários futuros
Petróleo, inflação e Fed
O petróleo, embora tenha recuado de alta extrema, segue acima dos US$ 70, pressionando expectativas inflacionárias.
JPMorgan avalia risco de os preços atingirem US$ 120 se o Estreito de Ormuz for fechado, elevando CPI para 5% — pressões significativas para a política monetária.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A proximidade do Fed, possivelmente cortando juros, adiciona incertezas — o próximo fator-chave para mercados nos EUA .
Perspectiva técnica para o Bitcoin
Analistas detectam suporte em torno de US$ 101 mil, com faixa de resistência entre US$ 105‑106 mil.
O S&P 500 e o Nasdaq, correlacionados com o BTC, mostram resiliência, embora com volatilidade moderada.
Cripto como porto seguro?
Apesar de picos no VIX e temores geopolíticos, o Bitcoin não reagiu como um refúgio clássico (ao contrário de ouro), indicando que ainda não desempenha esse papel institucional consistentemente.
Principais riscos e cenários
Escalada do conflito
Caso o Irã feche o Estreito de Ormuz ou lance retaliações maiores, o petróleo pode disparar, intensificando sell-off em ativos de risco.
Política monetária americana
A continuidade ou reversão de cortes de juros do Fed terá impacto direto em fluxos de liquidez — essencial para o mercado cripto.
Sentimento especulativo e liquidação
O grande volume de liquidações (US$ 626 milhões) evidencia fragilidade; qualquer novo gatilho pode derrubar o BTC para abaixo de US$ 100 mil.
Oportunidades e notícias positivas
Fluxo moderado para ETFs
Apesar das saídas mais fortes em Ethereum, a entrada de US$ 6,4 milhões em Bitcoin ETF mostra que o interesse institucional não desapareceu.
Tesourarias em BTC
Grandes empresas cripto continuam comprando — por exemplo, Metaplanet adquiriu 1.100 BTC recentemente, e os ETFs tiveram ingresso de US$ 1,37 bilhões.
Considerações finais

O mercado de criptomoedas está em modo de alerta diante dos reflexos do ataque dos EUA ao Irã e da alta instabilidade no petróleo. O Bitcoin mostrou resiliência ao recuperar os US$ 101 mil, mas permanece vulnerável — com risco de nova queda se o contexto geopolítico e macroeconômico se deteriorar.
A liquidação expressiva e a dominância reforçada do BTC indicam que investidores preferem navegação mais conservadora.
Cenários possíveis:
- Estabilidade moderada: com apoio do Fed e alívio militar, o BTC pode explorar abaixo de US$ 105‑106 mil.
- Escalada de conflito: aumento do petróleo e recessão global podem pressionar abaixo de US$ 100 mil.
Nesse cenário, investidores e traders devem acompanhar:
- Movimentos no petróleo e estresse no Estreito de Ormuz;
- Declarações do Fed e dados de inflação;
- Níveis técnicos do Bitcoin (US$ 101 mil como pivô).
