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Bitcoin testa US$ 86 mil e renova esperanças, mas reversão de tendência ainda exige confirmação do mercado

Bitcoin recupera fôlego e testa a resistência dos US$ 86 mil, reacendendo o otimismo entre investidores. Mas será que já há confirmação de uma reversão de tendência? Análise completa.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira7 min de leitura
Futuro do Bitcoin

O Bitcoin (BTC) voltou a mostrar força após tocar a marca dos US$ 86 mil, reacendendo a esperança de uma possível reversão da tendência de baixa que marca o início de 2025.

Entretanto, analistas alertam que, apesar do movimento positivo, ainda é prematuro falar em virada estrutural sem uma melhora consistente em fatores fundamentais como volume de negociação, liquidez de mercado e influxo institucional.

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O salto do BTC: de US$ 75 mil para US$ 86 mil em poucos dias

Mercado Bitcoin
Reprodução: Seu Credito Digital/Freepik

Entre os dias 7 e 9 de abril, o Bitcoin iniciou uma recuperação vigorosa a partir de uma base próxima de US$ 75 mil. A movimentação chamou atenção do mercado, que passou a especular se o ativo digital mais valioso do mundo estaria prestes a iniciar uma nova fase de valorização.

Contudo, apesar do entusiasmo inicial, parte da comunidade adota uma postura cautelosa.

Ceticismo técnico: linha de tendência como “hopium”?

O veterano trader Peter Brandt fez uma crítica direta à leitura exagerada de linhas de tendência no gráfico do Bitcoin. Segundo ele, “de todas as construções gráficas, as linhas de tendência são as MENOS significativas”, sugerindo que a quebra da tendência de baixa ainda não representa uma mudança definitiva no comportamento do ativo.

Por outro lado, o analista Kevin Svenson apontou para um possível rompimento do RSI semanal (Índice de Força Relativa), indicador que, quando validado, costuma sinalizar movimentos macro importantes. “Rompimentos de RSI semanal, uma vez confirmados, se mostraram dos indicadores mais confiáveis em ciclos anteriores”, afirmou.

Demanda por Bitcoin: sinais de recuperação, mas longe do ideal

A análise da CryptoQuant mostra que há, de fato, uma leve recuperação na demanda aparente por Bitcoin — medida pela diferença líquida de 30 dias entre entradas e saídas nas exchanges. Essa métrica havia permanecido em território negativo por semanas, sinalizando pressão vendedora e falta de apetite comprador.

A história se repete? Comparações com o ciclo de 2021

Durante o pico de 2021, observou-se um fenômeno semelhante: mesmo com preços elevados, a demanda permaneceu tímida por meses. A reversão de tendência só ocorreu após uma consolidação prolongada e um aumento gradual na entrada de capital.

Portanto, o atual movimento pode representar apenas uma pausa temporária na pressão de venda — não necessariamente um sinal concreto de fundo de mercado.

Volume de negociação continua baixo

Apesar do salto no preço, os volumes de negociação ainda estão distantes dos patamares históricos associados a grandes altas. Atualmente, o volume diário de BTC no mercado à vista gira em torno de 30.000 moedas, enquanto os derivativos somam 400.000 BTC/dia.

Esses números representam uma queda significativa em relação ao que foi observado entre junho e julho de 2021 — período que precedeu uma das maiores corridas de alta da década.

Comparativo dos volumes:

PeríodoVolume SpotVolume Derivativos
Junho–Julho/2021180.000 BTC1.200.000 BTC
Abril/202530.000 BTC400.000 BTC

Esses dados sugerem que o movimento atual ainda carece do suporte necessário de capital para sustentar uma alta prolongada.

Institucionais ainda em modo cautela

A cautela também se reflete nas movimentações dos grandes investidores institucionais. Desde o dia 3 de abril, os ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de mais de US$ 870 milhões.

Um pequeno fluxo de entrada só foi observado em 15 de abril, o que indica hesitação do mercado institucional em retomar posições relevantes.

No entanto, os volumes de negociação desses produtos ainda estão relativamente altos, apenas 18% abaixo da média móvel de 30 dias. Isso pode ser interpretado como um sinal de que o interesse pelo BTC não desapareceu completamente — mas segue em stand-by.

Oferta e liquidez: o outro lado da equação

Se a demanda ainda patina, a oferta também apresenta limitações importantes. De acordo com dados da Glassnode, o crescimento do valor realizado na rede — indicador que mede a entrada de novo capital — desacelerou para 0,80% ao mês, patamar abaixo do que se espera em mercados realmente altistas.

BTC disponível para venda está no menor nível desde 2018

Outro dado relevante é o saldo total de Bitcoin nas exchanges, que caiu para apenas 2,6 milhões de unidades — o nível mais baixo desde novembro de 2018.

Isso indica que a liquidez disponível para venda está extremamente restrita, o que pode gerar volatilidade caso a demanda volte de forma abrupta.

Cenário macroeconômico: vento a favor ou contra?

Apesar do ambiente ainda incerto, alguns analistas enxergam sinais positivos no macro. Michael van de Poppe, analista independente, destacou o aumento da base monetária global (M2) como um dos fatores que tradicionalmente precedem alta no Bitcoin.

Segundo ele, há uma correlação histórica entre o crescimento do M2 e a valorização do BTC, com um delay médio de 12 semanas. Se essa lógica se mantiver, poderíamos ver um novo topo histórico ainda neste trimestre.

Implicações macroeconômicas da tese de van de Poppe:

  • Aumento do preço do Bitcoin
  • Valorização do yuan offshore (CNH/USD)
  • Queda dos juros nos EUA
  • Desvalorização do índice do dólar (DXY)
  • Alta das altcoins em cadeia

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No entanto, essas projeções dependem da manutenção do cenário atual de política monetária expansionista — algo que ainda está longe de ser garantido, considerando as incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Resistência crítica em US$ 86.300 pode definir o rumo

Um dos principais obstáculos à continuidade da alta é a chamada “parede de venda” entre US$ 86.300 e US$ 86.500. Essa zona, identificada pelo heatmap de liquidez da CoinGlass, concentra grandes ordens de venda que precisam ser absorvidas para que o preço avance.

Alpha Price Chart confirma zona de decisão

A ferramenta Alpha Price Chart, desenvolvida pela Alphractal, combina dados de valor realizado, preço médio e sentimento on-chain para avaliar a tendência de mercado.

Segundo o gráfico, o BTC precisa romper com convicção a zona dos US$ 86.300 para restaurar o otimismo no curto prazo.

Caso contrário, o ativo pode revisitar suportes importantes:

  • Suporte 1: US$ 73.900
  • Suporte 2: US$ 64.700

O que precisa acontecer para uma reversão consistente?

Fatores essenciais:

  • Aumento de volume no mercado à vista: Fundamental para confirmar a força compradora real;
  • Inversão da tendência nos ETFs institucionais: Retorno do capital institucional é chave para uma alta duradoura;
  • Rompimento sustentável de resistências: BTC precisa se manter acima dos US$ 86.500 por mais de uma semana;
  • Melhora da liquidez: Entrada de BTC nas exchanges pode ajudar a reduzir a volatilidade e aumentar a profundidade de mercado.

Riscos ainda presentes:

  • Manutenção da taxa de juros nos EUA em níveis elevados;
  • Possível realização de lucros por holders de curto prazo;
  • Excesso de alavancagem em posições longas.

Conclusão: otimismo cauteloso é a palavra do momento

Bitcoin
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

Embora a recuperação até US$ 86 mil represente um alívio e traga sinais de resiliência, o mercado ainda não apresenta fundamentos robustos para confirmar uma reversão de tendência de longo prazo. A escassez de liquidez, os volumes reduzidos e a ausência de influxo institucional consistente indicam que a euforia deve ser moderada.

A força do BTC acima de US$ 80 mil mostra o apoio dos holders de longo prazo, mas sem uma retomada do apetite comprador no mercado à vista, especialmente por parte dos investidores institucionais, a consolidação continuará sendo o cenário mais provável.

A ruptura da resistência crítica em US$ 86.300, se vier acompanhada de aumento de volume e melhora nas métricas de liquidez, pode sim ser o ponto de virada. Até lá, a prudência segue como a melhor estratégia.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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