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“Não é o Bitcoin que sobe, é o dólar que cai”: Trader alerta para nova corrida aos criptoativos com rolagem bilionária da dívida dos EUA

Alexandre Stormer afirma que não é o Bitcoin que está se valorizando, mas o dólar que se desvaloriza com a aproximação da rolagem de US$ 9 trilhões da dívida americana.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira6 min de leitura
Califórnia Bitcoin

O trader Alexandre Wolwacz, mais conhecido como Stormer, voltou a chamar a atenção para um fenômeno que muitos investidores ainda ignoram: a valorização recente do Bitcoin, segundo ele, não é simplesmente uma alta do ativo digital, mas reflexo direto da desvalorização acelerada do dólar norte-americano.

Em entrevista recente, Stormer, que também é sócio-fundador da Liberta Investimentos, escritório credenciado à XP, apontou uma série de fatores geopolíticos e macroeconômicos que estão alimentando o rali dos criptoativos em 2025.

Entre os principais, destaca-se a rolagem de US$ 9 trilhões em dívida pública dos EUA prevista para o segundo semestre.

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Investidores institucionais já estão posicionados

Segundo Stormer, a valorização meteórica do Bitcoin acima de US$ 110 mil não é um evento isolado. Ele explica que, nos dois últimos meses, enquanto o dólar perdia valor frente ao real e a outras moedas, grandes investidores institucionais vinham acumulando discretamente posições em Bitcoin.

“Eles não conseguem comprar tudo de uma vez só. Leva tempo. O varejo só aparece depois, impulsionando o preço para cima”, explica o trader.

Essa movimentação silenciosa pode explicar o porquê de o BTC ter quebrado resistências tão importantes com certa rapidez. O próximo alvo, segundo Stormer, está em US$ 125 mil, embora haja espaço para correções técnicas no curto prazo.

Bitcoin ou dólar: quem realmente está mudando de valor?

Bitcoin
Imagem: svetlichniy_igor / Shutterstock.com

A análise do trader vai além dos gráficos. Stormer sugere que o verdadeiro movimento de mercado não está no Bitcoin, mas no dólar.

“Não é o Bitcoin que está se valorizando. É o dólar que está se desvalorizando”, afirma.

Essa percepção representa uma mudança de paradigma na forma como analistas enxergam o desempenho do BTC. Se antes o Bitcoin era visto como uma aposta ousada de alta, agora passa a ser considerado uma reserva de valor diante da deterioração do dólar.

Os dois gatilhos por trás da fuga para os criptoativos

1. Trégua na guerra comercial

O primeiro gatilho apontado por Stormer está no campo da geopolítica. A recente suspensão temporária da guerra tarifária entre os EUA e a China trouxe alívio aos mercados e abriu espaço para maior apetite ao risco.

“Isso favoreceu ativos como criptomoedas e papéis de mercados emergentes, como o Brasil, cuja bolsa rompeu topos históricos”, comenta o trader.

A menor aversão ao risco está levando investidores globais a realocar parte de seus recursos em ativos não convencionais, como criptomoedas e ETFs baseados em criptoativos.

2. A rolagem bilionária da dívida dos EUA

O segundo e mais decisivo gatilho é a aproximação do prazo para o Tesouro norte-americano rolar cerca de US$ 9 trilhões da dívida pública dos Estados Unidos.

“A dívida total está próxima dos US$ 30 trilhões. Rolá-la com os juros atuais é algo insustentável. Isso vai pressionar o dólar para baixo ainda mais”, alerta Stormer.

Com os juros de curto e longo prazo ainda em patamares elevados, o custo dessa rolagem pode comprometer seriamente a capacidade de financiamento dos EUA — o que leva investidores a buscar refúgios fora do sistema tradicional, como o Bitcoin.

ETF HASH11 e COIN11: oportunidades em criptoativos diversificados

Diante desse cenário, Stormer vê com bons olhos ETFs com lastro em criptomoedas como o HASH11 e o COIN11, ambos disponíveis na B3, a bolsa de valores brasileira.

  • O HASH11 tem uma composição majoritariamente baseada em Bitcoin (70%) e Ethereum (30%), o que o torna uma porta de entrada robusta para exposição direta ao setor.
  • Já o COIN11 é mais diversificado, incorporando diferentes criptoativos e oferecendo exposição a múltiplas frentes do ecossistema blockchain.

“O Ethereum ainda tem muito espaço para valorização. Vejo esses ETFs como instrumentos interessantes para o investidor brasileiro”, afirma Stormer.

O que esperar do Bitcoin nos próximos meses?

Com base na análise gráfica, Stormer projeta o próximo alvo do BTC em US$ 125 mil. No entanto, ele ressalta que movimentos de correção são normais dentro de uma tendência de alta.

“O importante é entender o macro. Enquanto o dólar continuar se enfraquecendo e os juros permanecerem elevados, o cenário segue favorável para o Bitcoin”, afirma.

Essa leitura vai ao encontro de outras previsões do mercado, como as de instituições como Standard Chartered e Fidelity, que já projetam o Bitcoin acima de US$ 200 mil até o fim de 2025.

Criptomoedas como proteção contra o sistema tradicional

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A análise de Stormer reforça uma visão cada vez mais consolidada: o Bitcoin está assumindo o papel de proteção patrimonial diante da fragilidade do sistema monetário tradicional.

  • Inflação elevada nos EUA;
  • Juros altos com risco de recessão;
  • Instabilidade fiscal com dívida recorde.

Esses são ingredientes perfeitos para uma migração silenciosa, mas poderosa, do capital global para os criptoativos — especialmente o Bitcoin.

O que o investidor brasileiro pode fazer?

1. Diversifique com inteligência

Mesmo diante de um cenário promissor para os criptoativos, Stormer não sugere “all in” em Bitcoin. Pelo contrário, ele reforça a importância de diversificação, com alocação controlada e consciente.

2. Use instrumentos regulados

Apostar em ETFs como HASH11 e COIN11 é uma maneira segura e regulada de ter exposição ao universo cripto sem precisar lidar diretamente com custódia de carteiras digitais, chaves privadas ou corretoras estrangeiras.

3. Entenda o cenário macroeconômico

Mais do que seguir o hype, o investidor precisa entender os motivos estruturais por trás da movimentação do mercado. E, no momento, esses motivos apontam para:

  • Pressão sobre o dólar;
  • Busca por ativos escassos;
  • Incerteza sobre a sustentabilidade da dívida americana.

Conclusão: uma corrida silenciosa para o Bitcoin já começou

Bitcoin
Imagem: executium / unsplash.com

A análise de Stormer é um chamado à reflexão. Não se trata apenas de euforia com o preço do Bitcoin, mas de uma transformação sistêmica nos fundamentos do mercado financeiro global.

Com a dívida dos EUA se tornando uma bola de neve, a política monetária cada vez mais disfuncional e os grandes investidores se posicionando em criptomoedas, estamos diante de uma nova ordem econômica em gestação.

O investidor atento deve enxergar esse movimento não como uma oportunidade de curto prazo, mas como um reposicionamento estratégico de longo prazo.

Tainara Ferreira

Autor

Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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