O trader Alexandre Wolwacz, mais conhecido como Stormer, voltou a chamar a atenção para um fenômeno que muitos investidores ainda ignoram: a valorização recente do Bitcoin, segundo ele, não é simplesmente uma alta do ativo digital, mas reflexo direto da desvalorização acelerada do dólar norte-americano.
“Não é o Bitcoin que sobe, é o dólar que cai”: Trader alerta para nova corrida aos criptoativos com rolagem bilionária da dívida dos EUA
Alexandre Stormer afirma que não é o Bitcoin que está se valorizando, mas o dólar que se desvaloriza com a aproximação da rolagem de US$ 9 trilhões da dívida americana.
Em entrevista recente, Stormer, que também é sócio-fundador da Liberta Investimentos, escritório credenciado à XP, apontou uma série de fatores geopolíticos e macroeconômicos que estão alimentando o rali dos criptoativos em 2025.
Entre os principais, destaca-se a rolagem de US$ 9 trilhões em dívida pública dos EUA prevista para o segundo semestre.
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Investidores institucionais já estão posicionados
Segundo Stormer, a valorização meteórica do Bitcoin acima de US$ 110 mil não é um evento isolado. Ele explica que, nos dois últimos meses, enquanto o dólar perdia valor frente ao real e a outras moedas, grandes investidores institucionais vinham acumulando discretamente posições em Bitcoin.
“Eles não conseguem comprar tudo de uma vez só. Leva tempo. O varejo só aparece depois, impulsionando o preço para cima”, explica o trader.
Essa movimentação silenciosa pode explicar o porquê de o BTC ter quebrado resistências tão importantes com certa rapidez. O próximo alvo, segundo Stormer, está em US$ 125 mil, embora haja espaço para correções técnicas no curto prazo.
Bitcoin ou dólar: quem realmente está mudando de valor?

A análise do trader vai além dos gráficos. Stormer sugere que o verdadeiro movimento de mercado não está no Bitcoin, mas no dólar.
“Não é o Bitcoin que está se valorizando. É o dólar que está se desvalorizando”, afirma.
Essa percepção representa uma mudança de paradigma na forma como analistas enxergam o desempenho do BTC. Se antes o Bitcoin era visto como uma aposta ousada de alta, agora passa a ser considerado uma reserva de valor diante da deterioração do dólar.
Os dois gatilhos por trás da fuga para os criptoativos
1. Trégua na guerra comercial
O primeiro gatilho apontado por Stormer está no campo da geopolítica. A recente suspensão temporária da guerra tarifária entre os EUA e a China trouxe alívio aos mercados e abriu espaço para maior apetite ao risco.
“Isso favoreceu ativos como criptomoedas e papéis de mercados emergentes, como o Brasil, cuja bolsa rompeu topos históricos”, comenta o trader.
A menor aversão ao risco está levando investidores globais a realocar parte de seus recursos em ativos não convencionais, como criptomoedas e ETFs baseados em criptoativos.
2. A rolagem bilionária da dívida dos EUA
O segundo e mais decisivo gatilho é a aproximação do prazo para o Tesouro norte-americano rolar cerca de US$ 9 trilhões da dívida pública dos Estados Unidos.
“A dívida total está próxima dos US$ 30 trilhões. Rolá-la com os juros atuais é algo insustentável. Isso vai pressionar o dólar para baixo ainda mais”, alerta Stormer.
Com os juros de curto e longo prazo ainda em patamares elevados, o custo dessa rolagem pode comprometer seriamente a capacidade de financiamento dos EUA — o que leva investidores a buscar refúgios fora do sistema tradicional, como o Bitcoin.
ETF HASH11 e COIN11: oportunidades em criptoativos diversificados
Diante desse cenário, Stormer vê com bons olhos ETFs com lastro em criptomoedas como o HASH11 e o COIN11, ambos disponíveis na B3, a bolsa de valores brasileira.
- O HASH11 tem uma composição majoritariamente baseada em Bitcoin (70%) e Ethereum (30%), o que o torna uma porta de entrada robusta para exposição direta ao setor.
- Já o COIN11 é mais diversificado, incorporando diferentes criptoativos e oferecendo exposição a múltiplas frentes do ecossistema blockchain.
“O Ethereum ainda tem muito espaço para valorização. Vejo esses ETFs como instrumentos interessantes para o investidor brasileiro”, afirma Stormer.
O que esperar do Bitcoin nos próximos meses?
Com base na análise gráfica, Stormer projeta o próximo alvo do BTC em US$ 125 mil. No entanto, ele ressalta que movimentos de correção são normais dentro de uma tendência de alta.
“O importante é entender o macro. Enquanto o dólar continuar se enfraquecendo e os juros permanecerem elevados, o cenário segue favorável para o Bitcoin”, afirma.
Essa leitura vai ao encontro de outras previsões do mercado, como as de instituições como Standard Chartered e Fidelity, que já projetam o Bitcoin acima de US$ 200 mil até o fim de 2025.
Criptomoedas como proteção contra o sistema tradicional
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A análise de Stormer reforça uma visão cada vez mais consolidada: o Bitcoin está assumindo o papel de proteção patrimonial diante da fragilidade do sistema monetário tradicional.
- Inflação elevada nos EUA;
- Juros altos com risco de recessão;
- Instabilidade fiscal com dívida recorde.
Esses são ingredientes perfeitos para uma migração silenciosa, mas poderosa, do capital global para os criptoativos — especialmente o Bitcoin.
O que o investidor brasileiro pode fazer?
1. Diversifique com inteligência
Mesmo diante de um cenário promissor para os criptoativos, Stormer não sugere “all in” em Bitcoin. Pelo contrário, ele reforça a importância de diversificação, com alocação controlada e consciente.
2. Use instrumentos regulados
Apostar em ETFs como HASH11 e COIN11 é uma maneira segura e regulada de ter exposição ao universo cripto sem precisar lidar diretamente com custódia de carteiras digitais, chaves privadas ou corretoras estrangeiras.
3. Entenda o cenário macroeconômico
Mais do que seguir o hype, o investidor precisa entender os motivos estruturais por trás da movimentação do mercado. E, no momento, esses motivos apontam para:
- Pressão sobre o dólar;
- Busca por ativos escassos;
- Incerteza sobre a sustentabilidade da dívida americana.
Conclusão: uma corrida silenciosa para o Bitcoin já começou

A análise de Stormer é um chamado à reflexão. Não se trata apenas de euforia com o preço do Bitcoin, mas de uma transformação sistêmica nos fundamentos do mercado financeiro global.
Com a dívida dos EUA se tornando uma bola de neve, a política monetária cada vez mais disfuncional e os grandes investidores se posicionando em criptomoedas, estamos diante de uma nova ordem econômica em gestação.
O investidor atento deve enxergar esse movimento não como uma oportunidade de curto prazo, mas como um reposicionamento estratégico de longo prazo.
