Após um fim de semana marcado por forte volatilidade e um cenário macroeconômico desfavorável, o Bitcoin (BTC) iniciou a segunda-feira (4) operando em relativa estabilidade, cotado na faixa dos US$ 114 mil. A leve recuperação representa um alívio para os investidores, após o ativo ter recuado para US$ 112 mil nos últimos dias, pressionado por um movimento de liquidação em cascata no mercado de derivativos.
A recuperação do BTC ocorre em meio à retomada parcial do apetite ao risco e à expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos, ainda que em ritmo mais cauteloso. Além disso, a performance de outros criptoativos também apresenta sinais mistos, com algumas moedas registrando avanços relevantes nesta manhã.
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XRP lidera ganhos; Solana tenta se recuperar

Entre os principais ativos digitais, o destaque desta segunda-feira é o XRP, que sobe 3,78% no acumulado de 24 horas. Já o Ethereum (ETH) apresenta alta de 1,86%, operando na casa dos US$ 3.560. A Solana (SOL), que caiu mais de 15% na última semana, tenta estabilizar sua cotação, com leve alta de 0,26%.
Esses desempenhos ocorrem num ambiente ainda marcado pela incerteza, tanto em relação à política monetária dos EUA quanto aos desdobramentos geopolíticos que afetam diretamente o humor dos mercados globais.
Efeito cascata: o que causou a queda do Bitcoin no fim de semana
Segundo o portal Decrypt, o fim de semana foi marcado por uma “cascata de liquidações” no mercado de futuros. Esse fenômeno ocorre quando investidores que operam com alavancagem — ou seja, utilizam dinheiro emprestado para apostar na valorização dos ativos — têm suas posições encerradas automaticamente após quedas acentuadas, gerando uma onda de vendas forçadas.
A liquidação ultrapassou os US$ 900 milhões em contratos futuros, a maior parte de investidores que apostavam na alta. Esse tipo de movimento reforça a volatilidade das criptomoedas e dificulta previsões mais assertivas para o curto prazo.
Juros e cenário global pressionam ativos de risco
O mau humor dos mercados na última sexta-feira teve como gatilho os dados do mercado de trabalho norte-americano, que surpreenderam negativamente, além da postura conservadora do Federal Reserve (Fed) em relação aos próximos passos na taxa básica de juros.
A sinalização hawkish — ou seja, favorável à manutenção de juros altos — fez com que a probabilidade de corte da taxa Selic norte-americana em setembro recuasse de 63% para 40%, segundo o Cointelegraph. Isso tende a impactar negativamente o mercado de criptomoedas, que geralmente se beneficia de juros mais baixos.
Saídas de fundos e aversão institucional a criptoativos
O novo ambiente macroeconômico refletiu também no comportamento dos investidores institucionais. De acordo com a CoinShares, fundos globais de criptomoedas registraram saídas líquidas de US$ 223 milhões na última semana. O dado encerra uma sequência de 15 semanas consecutivas de aportes, indicando um momento de reversão na tendência de entrada de capital institucional.
Parte dessa cautela pode estar ligada à sazonalidade. Historicamente, agosto costuma ser um mês fraco para o Bitcoin. Dados da plataforma CoinGlass apontam que o retorno mediano do ativo no mês é de -7,49%, o que reforça a percepção de que novas quedas não estão descartadas.
Fatores geopolíticos ainda preocupam o mercado
Além das questões econômicas, os fatores geopolíticos continuam no radar dos investidores. As tensões entre Rússia e Ucrânia, a crescente guerra comercial dos EUA com diversos países, e os recentes anúncios do ex-presidente Donald Trump sobre tarifas, seguem adicionando incertezas ao mercado.
Essas variáveis afetam diretamente o humor do investidor global, que tende a migrar seus recursos para ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro norte-americano.
Confira os preços das 10 maiores criptomoedas hoje
Veja abaixo o desempenho atualizado das 10 principais criptomoedas do mundo nesta segunda-feira (4):
| # | Nome | Preço (US$) | 24h % | 7d % | YTD % |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Bitcoin (BTC) | 114.336,49 | +0,30% | -3,71% | +22,42% |
| 2 | Ethereum (ETH) | 3.560,63 | +1,86% | -8,34% | +6,88% |
| 3 | XRP (XRP) | 2,98 | +3,78% | -7,75% | +43,49% |
| 4 | Tether (USDT) | 0,9999 | +0,01% | -0,01% | +0,21% |
| 5 | BNB (BNB) | 756,76 | +0,79% | -10,64% | +7,95% |
| 6 | Solana (SOL) | 162,29 | +0,26% | -15,50% | -14,24% |
| 7 | USD Coin (USDC) | 1,00 | 0,00% | +0,01% | 0,00% |
| 8 | TRON (TRX) | 0,3298 | +0,94% | +1,99% | +29,77% |
| 9 | Dogecoin (DOGE) | 0,2011 | +1,69% | -16,49% | -36,27% |
| 10 | Cardano (ADA) | 0,7387 | +1,94% | -10,91% | -12,44% |
Perspectivas: estabilidade ou novas correções?

Apesar do leve respiro nesta manhã, analistas seguem cautelosos. A recuperação parcial pode indicar uma estabilização no curto prazo, mas novos gatilhos negativos — como dados econômicos fracos ou aumento das tensões geopolíticas — podem reacender o movimento de baixa.
Investidores devem continuar atentos aos próximos dados macroeconômicos, especialmente as atas do Fed, os dados de inflação nos EUA e os movimentos regulatórios ao redor do mundo.
Com informações de: Money Times
