Uma decisão judicial proferida pela Justiça do Rio de Janeiro nesta semana determinou que o banco Itaú Unibanco e a bandeira Mastercard cessem, imediatamente, quaisquer restrições ao uso de seus cartões de crédito em carteiras digitais como PicPay, RecargaPay e outras plataformas concorrentes.
Decisão do RJ proíbe o bloqueio de cartões Itaú em apps como PicPay e RecargaPay
Decisão obriga Itaú e Mastercard a liberarem uso de cartões em apps como PicPay e RecargaPay; entenda os impactos.
A medida atende a uma ação civil pública movida por duas entidades de classe: a Abranet (Associação Brasileira de Internet) e a Abradecont (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e Trabalhador), que acusam ambas as empresas de práticas anticompetitivas e prejudiciais ao consumidor.
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O que motivou a ação contra Itaú e Mastercard

Segundo a petição inicial, o Itaú estaria reprovando transações feitas por meio de carteiras digitais, mas autorizando essas mesmas operações quando realizadas diretamente em seu próprio aplicativo ou canais. Para as entidades, esse comportamento configura um movimento de direcionamento forçado para os produtos do próprio banco, em especial a carteira digital ITI — uma solução financeira desenvolvida pelo próprio Itaú.
A Abranet e a Abradecont argumentam que isso representa uma forma de desestimular o uso de concorrentes e reduzir o alcance de carteiras digitais independentes, comprometendo a liberdade de escolha do consumidor.
Já em relação à Mastercard, a acusação é de que a empresa teria aumentado as tarifas de intercâmbio cobradas das carteiras digitais de forma desproporcional e sem justificativa técnica, tanto para transações à vista quanto parceladas.
Entenda a decisão judicial
Ao analisar o caso, o juiz responsável identificou elementos que sugerem práticas anticompetitivas por parte das rés. Na sentença, ele determinou a imediata suspensão das restrições impostas pelo Itaú e da elevação de tarifas atribuídas pela Mastercard às carteiras digitais.
O magistrado destacou a necessidade de preservar o direito do consumidor à livre escolha de meios de pagamento e de evitar um cenário de concentração de mercado em poucas mãos.
A decisão visa evitar prejuízos maiores à população, que, segundo os autos, pode estar sendo forçada a abandonar soluções digitais populares em favor das plataformas próprias das instituições envolvidas.
Posição oficial do Itaú
Procurado pelo jornal Folha de São Paulo, o Itaú afirmou que pretende recorrer da decisão. Em sua defesa, o banco alegou que a reprovação das transações com carteiras digitais tem como objetivo proteger os clientes economicamente vulneráveis, uma vez que, segundo a instituição, essas transações apresentam maior risco de inadimplência do que compras feitas por canais tradicionais.
Além disso, o banco defendeu que sua conduta não viola regras de concorrência e que outras instituições financeiras adotam medidas semelhantes.
Resposta da Mastercard
Já a Mastercard argumentou que sua política de tarifas segue integralmente as normas do Banco Central e que as taxas cobradas não recaem sobre o consumidor final. A empresa reiterou seu compromisso com a transparência e afirmou que colabora com as autoridades para esclarecer quaisquer dúvidas sobre sua atuação no mercado de pagamentos.
Impacto no mercado de carteiras digitais

A decisão judicial traz repercussões importantes para o ecossistema de pagamentos digitais no Brasil, especialmente num momento em que o uso de carteiras digitais cresce aceleradamente.
Plataformas como PicPay, RecargaPay, Mercado Pago, Nubank, PayPal e outras vêm ganhando espaço entre os brasileiros por sua praticidade, programas de cashback, facilidades para pagamento de contas e integração com QR Code.
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Caso a decisão seja mantida, os bancos emissores e as bandeiras de cartão terão que garantir o mesmo nível de funcionalidade e aceitação para as carteiras digitais independentes que oferecem para seus próprios sistemas.
O que está em jogo: concorrência e inclusão
Especialistas apontam que a disputa vai além de uma simples escolha de canal de pagamento. Trata-se de uma questão de acesso, competitividade e inovação no setor financeiro.
Ao barrar ou dificultar o uso de carteiras digitais, instituições financeiras tradicionais podem estar limitando a inclusão financeira de milhões de brasileiros, especialmente aqueles que encontram nas fintechs uma porta de entrada para o sistema bancário.
A decisão da Justiça do Rio de Janeiro reforça a importância de assegurar condições equitativas no ambiente digital e pode influenciar futuras regulamentações do setor.
E agora?
Com a liminar em vigor, o Itaú e a Mastercard devem garantir o pleno funcionamento de seus cartões em aplicativos de terceiros, sob pena de multa em caso de descumprimento.
A ação ainda segue em tramitação, e novos desdobramentos podem ocorrer nas próximas semanas, dependendo dos recursos apresentados pelas partes envolvidas.
Enquanto isso, consumidores e especialistas acompanham de perto o caso, que pode estabelecer um importante precedente para o futuro das carteiras digitais no Brasil.
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