O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, afirmou na terça-feira (19) que o banco não sofrerá qualquer impacto decorrente das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos com base na chamada Lei Magnitsky. A declaração veio em resposta ao aumento de incertezas no mercado financeiro brasileiro após as punições contra o ministro do STF Alexandre de Moraes.
BNDES não sofre efeitos da lei Magnitsky, diz Mercadante
Mercadante diz que Lei Magnitsky não afeta o BNDES, critica sanções a Moraes e promete apoio a empresas atingidas por tarifaço dos EUA.
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BNDES fora do alcance das sanções americanas
“Não somos um banco de varejo”, diz Mercadante
Durante evento na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Mercadante esclareceu que o BNDES não mantém correntistas, tampouco operações que envolvam contas individuais, o que o isenta de possíveis consequências relacionadas à aplicação da lei norte-americana.
“Não temos correntistas, não temos exposição nenhuma e não temos como ter. Isso diz respeito mais a eventuais instituições que têm correntistas que sejam enquadrados”, explicou o presidente do banco.
Mercadante reforçou que o BNDES é um banco de fomento, voltado para financiamento de longo prazo e apoio à infraestrutura, inovação e exportação, e que, portanto, não possui relações comerciais diretas com pessoas físicas que possam estar na mira das sanções internacionais.
Entenda o caso: Lei Magnitsky e a sanção a Moraes
O que é a Lei Magnitsky?
A Lei Magnitsky é uma legislação dos Estados Unidos que permite a imposição de sanções contra estrangeiros acusados de corrupção ou violação de direitos humanos. As penalidades podem incluir o congelamento de bens e a proibição de transações financeiras com cidadãos norte-americanos.
Moraes na mira de Washington
No final de julho, o governo do presidente Donald Trump aplicou a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de conspirar para um golpe de Estado após perder as eleições presidenciais de 2022.
As acusações contra Moraes envolvem alegações de prisões arbitrárias e supressão da liberdade de expressão. Com a sanção, todos os bens que ele possua em solo americano foram bloqueados e qualquer cidadão ou empresa norte-americana está proibido de manter relações comerciais com ele.
Reações no Brasil à ação dos EUA

Flávio Dino rebate ingerência internacional
O ministro do STF Flávio Dino também reagiu à ofensiva americana. Na segunda-feira (18), ele determinou que decisões estrangeiras não terão efeito no território nacional quando se referirem a atos praticados dentro do Brasil por cidadãos brasileiros.
“Soberania nacional é inegociável”, afirmou Dino, ao destacar que nenhuma instância internacional pode impor restrições a brasileiros com base em normas externas sem respaldo legal no país.
BNDES critica sanções e defende inovação nacional
PIX e guerra comercial tecnológica
Em sua fala, Mercadante também criticou o posicionamento dos EUA sobre o sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, que tem sido alvo de questionamentos em investigações comerciais americanas.
“Eles [EUA] questionam o Pix […], mas é inovação e faz parte da competição entre países […]. Essa é uma mudança que não pode ser questionada na relação comercial entre os países”, pontuou.
Mercadante insinuou que o incômodo americano com o Pix revela uma tentativa de proteger seus próprios sistemas de pagamento e manter o domínio financeiro global, em vez de reconhecer a competitividade brasileira.
“Imposições e sanções não substituem eficiência”
O presidente do BNDES também criticou a estratégia dos EUA de impor barreiras comerciais e sanções ao invés de competir com base em inovação e produtividade:
“Você não pode substituir eficiência, produtividade, competitividade com imposições e sanções”, declarou.
Tarifaço dos EUA e impacto nas exportações brasileiras
Setores afetados pelas sobretaxas
A partir de agosto, entrou em vigor uma sobretaxa de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados para os EUA, em especial frutas, café, carnes, calçados e pescado. A medida, considerada um “tarifaço”, afeta diretamente a competitividade de empresas brasileiras no mercado norte-americano.
Medidas do governo federal em resposta
Segundo Mercadante, o governo federal anunciará em breve um pacote de apoio aos setores impactados pelas novas tarifas. A ideia é utilizar o know-how obtido nas medidas emergenciais adotadas para o socorro ao Rio Grande do Sul após as inundações que devastaram o estado no primeiro semestre do ano.
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Pacote de apoio às exportações: o que esperar?
BNDES quer agir com rapidez
O presidente do BNDES garantiu que o banco está pronto para agir rapidamente no suporte às empresas exportadoras prejudicadas pelas medidas dos EUA.
“Vamos aplicar nossa experiência recente com o Rio Grande do Sul e oferecer crédito emergencial com condições diferenciadas para preservar empregos e cadeias produtivas”, afirmou.
Utilização do Fundo de Garantia às Exportações (FGE)
Uma das fontes de financiamento para esse pacote será o FGE (Fundo de Garantia às Exportações), vinculado ao Tesouro Nacional. O fundo tem como finalidade assegurar operações de crédito de exportação contra riscos comerciais e políticos.
O plano deve incluir linhas de crédito com juros subsidiados, alongamento de prazos e carência para pagamentos. A meta é evitar o fechamento de empresas e a desestruturação de setores exportadores estratégicos.
Análise: impactos políticos e econômicos das sanções

Efeitos sobre o ambiente institucional
O uso da Lei Magnitsky contra um ministro da Suprema Corte brasileira levanta questões delicadas sobre soberania, diplomacia e independência institucional. Para analistas políticos, a medida representa uma tentativa do governo americano de interferir em decisões internas, o que pode agravar tensões diplomáticas.
Repercussões no mercado financeiro
Embora o BNDES tenha declarado não ter exposição direta às sanções, o clima de instabilidade causado por decisões unilaterais dos EUA já provocou oscilações em bolsas e no câmbio. Investidores monitoram possíveis reações do governo brasileiro e de outros países.
Riscos para o comércio bilateral
As sobretaxas e sanções podem prejudicar o relacionamento comercial entre Brasil e Estados Unidos, que são grandes parceiros econômicos. Caso a retaliação brasileira avance, existe o risco de uma escalada protecionista, afetando diversos setores produtivos.
Imagem: T. Schneider / Shutterstock.com
