O intervalo entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais costuma aumentar a atenção dos investidores sobre a Bolsa de Valores e o mercado de câmbio. Nesse período, as expectativas sobre a política econômica, os gastos públicos, os juros e a condução do governo podem influenciar os preços dos ativos financeiros brasileiros.
Um levantamento histórico da Elos Ayta sobre eleições presidenciais anteriores mostra que o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, apresentou valorização entre os turnos em cinco das seis disputas analisadas, de 2002 a 2022. As ações de empresas menores, representadas pelo índice Small Caps, também tiveram desempenho positivo em cinco desses seis períodos.
O comportamento do dólar e do euro, por sua vez, foi menos uniforme. As moedas alternaram altas e quedas diante do real, demonstrando que o resultado eleitoral é apenas um dos fatores considerados pelos mercados.
Esses números ajudam a entender as reações dos investidores em momentos de incerteza política, mas não representam uma previsão para as eleições de 2026. Cada disputa ocorre em condições econômicas diferentes, que precisam ser consideradas na análise.
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O levantamento histórico mostra que o mercado acionário brasileiro frequentemente registrou ganhos no intervalo entre as duas votações. Isso não significa que a eleição, isoladamente, tenha provocado as altas. Expectativas econômicas, fluxo de capital e condições internacionais também podem ter contribuído para os resultados.
Ibovespa teve alta em cinco das seis eleições
Em 2002, durante a disputa que terminou com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o Ibovespa avançou 8,15% entre os turnos. Naquele momento, havia preocupação dos investidores com a transição política e os rumos da economia brasileira.
Em 2006, o índice subiu 7,9% no intervalo eleitoral. Quatro anos depois, em 2010, quando Dilma Rousseff venceu a disputa, a valorização foi mais discreta, de 0,63%.
O movimento mudou em 2014. Em meio à polarização política e às preocupações com a situação econômica, o Ibovespa recuou 4,77% entre os turnos.
Já em 2018, o índice avançou 4,13%. Em 2022, a alta foi de 4,09% no mesmo intervalo.
A sequência indica uma predominância de resultados positivos, mas também evidencia que o desempenho da Bolsa não é uniforme em todos os ciclos eleitorais.
Por que as small caps chamam a atenção?
As small caps são ações de empresas com menor valor de mercado em comparação com as companhias de maior porte. Em geral, seus resultados podem ser mais sensíveis às condições econômicas brasileiras, ao custo do crédito e às perspectivas de crescimento interno.
No levantamento, esse grupo de ações avançou 5,47% em 2006, 4,78% em 2010, 7,64% em 2018 e 3,63% em 2022. Em 2014, porém, o índice recuou 5,75%.
O histórico sugere que as empresas menores também podem se beneficiar de períodos de melhora nas expectativas econômicas. Entretanto, elas podem sofrer mais quando os juros permanecem elevados, o crédito fica caro ou a atividade econômica perde força.
Por isso, o desempenho das small caps precisa ser avaliado considerando o risco de cada empresa, sua situação financeira e as condições do mercado.
O que aconteceu com a Bolsa e o dólar depois das eleições?
O comportamento dos ativos após o segundo turno também variou bastante. O resultado das urnas não encerra as incertezas econômicas, pois os investidores passam a avaliar as primeiras decisões do governo eleito, as perspectivas fiscais e as condições internacionais.
Em 2002, entre o segundo turno e o encerramento do ano, o Ibovespa acumulou alta de 12,52%, enquanto o dólar recuou 7,06%. Em 2006, o índice da Bolsa avançou 13,08%, e as small caps registraram valorização de 20,32%.
O cenário foi diferente em 2010 e 2014. Após a eleição de Dilma Rousseff em 2010, o Ibovespa caiu 1,94% até o fim do ano. Em 2014, o recuo foi de 3,72%, acompanhado de perdas no índice de empresas menores.
Em 2018, a Bolsa voltou a avançar: o Ibovespa subiu 4,88% entre o segundo turno e o encerramento do ano, enquanto as small caps ganharam 10,58%. O dólar e o euro, contudo, subiram 6,54% e 7,16%, respectivamente, mostrando que a valorização das ações não exige necessariamente uma queda das moedas estrangeiras.
Em 2022, o movimento foi negativo para a renda variável. O Ibovespa recuou 4,19% e as small caps caíram 10,84% até dezembro. No câmbio, o dólar perdeu 2,39%, enquanto o euro avançou 4,86%.
Esses resultados reforçam que não existe uma relação automática entre o resultado eleitoral e a direção dos mercados.
Por que as eleições influenciam o dólar?

O câmbio reage às expectativas sobre a economia brasileira, mas também depende de fatores externos. Entre os elementos observados pelos investidores estão as perspectivas para os juros, a inflação, as contas públicas, o comércio exterior e o fluxo internacional de capitais.
De acordo com o Banco Central, o Brasil adota o regime de câmbio flutuante, no qual a cotação responde às condições de oferta e demanda por moeda estrangeira. Entradas de recursos para investimentos podem aumentar a oferta de dólares, enquanto saídas de capital podem pressionar a cotação para cima.
O resultado eleitoral pode alterar as expectativas sobre a política econômica, mas seus efeitos dependem do que o mercado já esperava e das medidas anunciadas posteriormente.
A cotação do dólar também afeta o cotidiano dos brasileiros. Uma moeda americana mais cara pode encarecer viagens internacionais, eletrônicos importados, combustíveis e insumos utilizados pela indústria. Já a desvalorização cambial pode reduzir esses custos, embora o repasse aos preços dependa de outros fatores.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
