Na quarta-feira (18), o Governo Federal publicou a Portaria Interministerial MEC/MDS nº 12/2025, que atualiza os métodos de acompanhamento educacional dos estudantes beneficiários do Programa Bolsa Família (PBF). A nova norma reforça o papel do Ministério da Educação (MEC) no monitoramento da frequência escolar e da permanência de crianças e adolescentes na educação básica, ampliando o foco do programa para além da transferência de renda e fortalecendo o acesso ao direito fundamental à educação. A portaria entrou em vigor no próprio dia 18 de dezembro, data de sua publicação no Diário Oficial da União.
Governo redefine regras de acompanhamento educacional no Bolsa Família, veja os critérios atualizados
Nova portaria do governo fortalece o papel do MEC no acompanhamento educacional de alunos do Bolsa Família e combate evasão escolar.
Assinada conjuntamente pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a portaria estabelece diretrizes, atribuições e fluxos operacionais claros para o acompanhamento educacional das famílias beneficiárias do Bolsa Família. A medida faz parte da estratégia do governo de integrar políticas públicas e aprimorar o uso de dados educacionais como ferramenta de inclusão social e combate às desigualdades.
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Integração entre educação e assistência social
Fortalecimento do caráter educacional do Bolsa Família
Com a atualização das regras, o governo busca fortalecer o caráter educacional do Bolsa Família, reconhecendo que a permanência de crianças e adolescentes na escola é essencial para quebrar o ciclo intergeracional da pobreza. O programa passa a ser visto de forma ainda mais integrada, unindo assistência social e educação como pilares complementares de proteção social.
Papel central do Ministério da Educação
De acordo com a nova regulamentação, o MEC assume responsabilidade central no acompanhamento da trajetória educacional dos estudantes beneficiários. Isso inclui não apenas o controle da presença em sala de aula, mas também a análise dos motivos que levam à baixa frequência ou à evasão escolar, permitindo intervenções mais rápidas e direcionadas.
Frequência escolar como condicionalidade
Regras de frequência mantidas
A frequência escolar continua sendo uma das principais condicionalidades para o recebimento do Bolsa Família. A portaria mantém os percentuais mínimos já estabelecidos: 60% de frequência para crianças de 4 a 6 anos incompletos e 75% para estudantes de 6 a 18 anos incompletos que ainda não concluíram a educação básica.
Responsabilidade das escolas
A apuração da frequência permanece sob responsabilidade das unidades de ensino, que deverão registrar os dados de forma precisa e periódica. Essas informações são fundamentais para o acompanhamento das famílias e para a definição de ações de apoio quando necessário.
Novo modelo de acompanhamento educacional
Monitoramento contínuo ao longo do ano
O acompanhamento da frequência escolar será realizado cinco vezes ao ano, em períodos bimestrais bem definidos: fevereiro e março; abril e maio; junho e julho; agosto e setembro; e outubro e novembro. O objetivo é garantir um monitoramento contínuo e evitar que situações de evasão só sejam identificadas no fim do ano letivo.
Uso do Sistema Presença
Os resultados do acompanhamento deverão ser registrados no Sistema Presença, seguindo um calendário unificado entre MEC e MDS. A padronização dos registros permite maior integração entre as áreas de educação e assistência social, além de facilitar o planejamento de políticas públicas baseadas em evidências.
Apoio a estados e municípios
Atuação ampliada do MEC
A portaria também amplia a atuação do MEC junto a estados e municípios. O ministério deverá apoiar a formulação de ações específicas para garantir a permanência dos estudantes na escola, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade social e maiores índices de evasão.
Base para novas políticas educacionais
Os dados coletados a partir do novo modelo de acompanhamento servirão como base para a elaboração de políticas educacionais direcionadas aos beneficiários do Bolsa Família. A expectativa é que essas informações subsidiem programas de reforço escolar, busca ativa de estudantes e iniciativas de apoio às famílias.
Responsabilidade das famílias beneficiárias
Comunicação com a escola
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A nova norma reforça a responsabilidade das famílias beneficiárias do programa. Pais ou responsáveis deverão comunicar imediatamente à escola qualquer impossibilidade de comparecimento do estudante às aulas, apresentando justificativa quando houver, como problemas de saúde ou situações excepcionais.
Parceria entre família e escola
O governo destaca que a parceria entre família e escola é fundamental para o sucesso da política. O acompanhamento não tem caráter punitivo, mas preventivo, buscando identificar dificuldades e oferecer apoio antes que o vínculo escolar seja rompido.
Avanços na escolarização das novas gerações
Queda histórica do analfabetismo
Dados divulgados pelo IBGE no primeiro semestre de 2025 mostram avanços importantes na educação brasileira. Em 2024, o país registrou 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais analfabetas, o equivalente a uma taxa de 5,3%, a menor da série histórica iniciada em 2016. Em comparação, essa taxa era de 6,7% em 2016.
Diferenças entre faixas etárias
O levantamento revela que o analfabetismo segue fortemente associado à idade. Em 2024, havia 5,1 milhões de analfabetos com 60 anos ou mais, correspondendo a uma taxa de 14,9% nesse grupo. Entre pessoas com 40 anos ou mais, a taxa era de 9,1%, caindo para 6,3% entre aquelas com 25 anos ou mais e chegando a 5,3% na população com 15 anos ou mais.
Importância das políticas educacionais
Para o analista do IBGE William Kratochwill, os dados evidenciam que as novas gerações estão tendo maior acesso à escolarização e sendo alfabetizadas ainda na infância. Segundo ele, a diferença de quase 10 pontos percentuais entre as taxas de analfabetismo dos mais jovens e dos idosos reforça o caráter etário do problema e a importância de políticas específicas para a alfabetização de adultos.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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